Preço da carne bovina foge do padrão e muda o jogo do mercado
O preço da carne bovina mostrou força no fim do mês, com oferta restrita e exportações firmes. Veja os impactos frente ao frango e ao suíno.
Para Quem Tem Pressa
O preço da proteína bovina surpreendeu na última semana do mês, período que costuma registrar menor ritmo de negócios. Com oferta restrita, exportações aquecidas e negociações firmes no atacado e varejo, o mercado mostrou força. Mesmo assim, o preço médio de janeiro caiu em relação a dezembro, enquanto carnes suína e de frango tiveram quedas ainda mais acentuadas, alterando a competitividade entre proteínas.
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Um fim de mês fora do padrão no mercado da carne
Tradicionalmente, a última semana do mês costuma ser marcada por menor ritmo de negócios tanto no atacado quanto no varejo da carne bovina. No entanto, o cenário observado recentemente foi diferente — e chamou a atenção do mercado.
O preço da proteína bovina manteve firmeza ao longo da semana, sustentado por um conjunto de fatores que raramente se alinham nesse período: oferta enxuta, exportações em bom ritmo e negociações ativas entre os elos da cadeia.
Em outras palavras, o mercado ignorou o “manual do fim de mês”.
Oferta restrita e exportações aquecidas sustentam os preços
Do lado da oferta, a disponibilidade da proteína bovina no mercado interno segue limitada. Esse fator, isoladamente, já cria sustentação nos preços. Quando combinado com exportações firmes, o efeito se intensifica.
O bom desempenho das vendas externas reduz o volume disponível internamente, o que ajuda a manter o preço da proteína bovina em patamares mais estáveis, mesmo em momentos de menor consumo doméstico.
Resultado? Negociações fluindo melhor do que o esperado — e preços resistindo à pressão sazonal.
Janeiro fecha com queda no preço médio da carne bovina
Apesar da firmeza observada nos últimos dias, os números consolidados mostram que o preço médio de janeiro apresentou retração em relação ao mês anterior.
No caso do dianteiro bovino em São Paulo, a queda foi de 4,1% frente a dezembro. Ou seja, o mercado reagiu no curto prazo, mas ainda carrega ajustes na média mensal.
Esse movimento ajuda a explicar por que a carne bovina ganhou competitividade frente a algumas proteínas, mas perdeu espaço para outras.
Comparação com carne suína e frango
Quando analisamos o comportamento das proteínas concorrentes, o contraste fica claro:
- Carcaça suína: queda média de 2,9% em janeiro
- Frango congelado: recuo mais intenso, de 7,9%
A demanda mais fraca por suínos e frango contribuiu diretamente para essas baixas. E é aqui que o preço da carne bovina entra no jogo competitivo.
Quem ganhou e quem perdeu competitividade?
Com os ajustes de preços, a carne bovina ganhou competitividade frente à carne suína, mas perdeu espaço frente ao frango.
Veja os equivalentes de compra:
- 1 kg de dianteiro bovino = 2,57 kg de frango
→ alta de 4,1% na comparação mensal - 1 kg de dianteiro bovino = 1,54 kg de carcaça suína
→ queda de 1,2%
Em termos práticos, o consumidor encontra no frango uma opção ainda mais acessível, enquanto a carne bovina se posiciona melhor frente ao suíno.
O que esperar do mercado nos próximos dias?
A tendência de curto prazo depende de três variáveis-chave:
- Ritmo das exportações
- Nível de oferta no mercado interno
- Reação do consumo no varejo
Se as exportações seguirem firmes e a oferta continuar limitada, o preço da carne bovina pode manter sustentação, mesmo com a concorrência do frango pressionando.
E sim, o mercado segue lembrando que previsibilidade… definitivamente não é o forte do setor.
Imagem principal: Depositphotos.

