Arroz: O mistério por trás do menor preço em mais de uma década

O preço do arroz atinge o menor nível em 14 anos, pressionando produtores e revelando desafios de crédito e custos no setor orizícola.

🕐 Para Quem Tem Pressa

O preço do arroz atingiu o menor patamar real em 14 anos, segundo o Cepea. A combinação de custos elevados, dificuldades de crédito rural e reajustes no frete tem preocupado produtores e pode reduzir a área plantada. Entenda o que está por trás desse cenário.


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📉 Queda Histórica no Preço do Arroz

O preço do arroz em casca, medido pelo Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros; pagamento à vista), está no menor patamar real desde setembro de 2011. Essa desvalorização marca um momento histórico e desafiador para os orizicultores brasileiros, especialmente no Rio Grande do Sul — principal estado produtor do país.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os valores pagos aos produtores não têm coberto os custos de produção. Essa equação negativa desestimula o plantio e reforça uma tendência preocupante: a redução da área cultivada na próxima safra.


💰 Custos Altos e Crédito Escasso

Além da queda no preço do arroz, os produtores enfrentam outro obstáculo: a dificuldade de acesso ao crédito rural. Com juros elevados e exigências bancárias rigorosas, muitos agricultores têm limitado o investimento em insumos e tecnologia, o que afeta diretamente a produtividade.

Os valores de compra, abaixo do necessário para cobrir custos operacionais, tornam o cultivo de arroz uma aposta de alto risco. Em regiões tradicionais, como a Fronteira Oeste gaúcha, produtores relatam margens negativas e incertezas sobre a continuidade da atividade.


🛻 Frete Mais Caro, Lucro Menor

Desde 6 de outubro, o início da fiscalização da tabela de fretes da ANTT agravou a situação. As novas exigências de seguros e o cumprimento dos valores mínimos de transporte elevaram os custos logísticos. Com isso, o preço do arroz enfrenta mais um entrave: o aumento do custo final até o consumidor.

Essas pressões no frete somam-se ao encarecimento de energia, combustível e armazenagem, tornando o cenário de comercialização ainda mais apertado para o setor.


🏪 Varejo e Atacado Sentem o Impacto

Nos supermercados e atacados, os preços do arroz beneficiado também sofrem influência da conjuntura. Apesar da matéria-prima mais barata, o custo logístico e a margem reduzida têm impedido quedas significativas ao consumidor. O resultado é um descompasso entre o que o produtor recebe e o que o consumidor paga.

Segundo analistas, essa diferença tende a se ajustar lentamente, com o varejo absorvendo parte dos aumentos para manter competitividade e fidelizar clientes.


🌾 Perspectivas para o Setor Orizícola

Especialistas indicam que a persistência de baixos preços pode provocar redução de até 10% na área plantada de arroz em 2026. Essa retração afetaria o equilíbrio entre oferta e demanda no médio prazo, o que pode gerar novo ciclo de valorização no futuro — mas à custa da saída de pequenos produtores do mercado.

A adoção de práticas mais eficientes e o incentivo à irrigação sustentável podem ser saídas estratégicas para mitigar o impacto dessa crise.


🔍 Conclusão: Um Alerta para o Campo

O preço do arroz em queda livre acende um alerta vermelho no agronegócio brasileiro. Mais do que uma oscilação de mercado, o momento reflete um conjunto de fatores — financeiros, logísticos e estruturais — que desafiam a sustentabilidade da cadeia produtiva. Sem crédito acessível e com custos crescentes, o arroz brasileiro pode perder competitividade e comprometer a renda de milhares de famílias no campo.


Disclaimer

Este artigo é de caráter informativo e opinativo, com dados e cotações referentes ao dia 15/10/2025. As informações podem conter imprecisões, sendo sua utilização de responsabilidade exclusiva do leitor. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, orientação financeira, consultoria jurídica ou aconselhamento comercial. Decisões devem considerar as particularidades de cada operação, os regulamentos aplicáveis e, quando necessário, o apoio de profissionais habilitados. Os autores e o site não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste material.

Fonte: CEPEA, diversos sites especializados, além de informações levantadas diretamente com fazendas, veterinários e zootecnistas atuantes no mercado pecuário. Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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