Perda de biodiversidade ameaça produção agrícola e saúde humana, alerta OMS

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Para Quem Tem Pressa

  • A biodiversidade sustenta os serviços ecológicos vitais para a produção de alimentos: mais de 75% das lavouras do mundo dependem diretamente de polinizadores.
  • O declínio acelerado da biodiversidade global gera prejuízos anuais estimados em cerca de US$ 10 trilhões, somando perdas no campo e custos com saúde.
  • A conservação da biodiversidade atua como barreira natural contra zoonoses, uma vez que mais de 75% das infecções emergentes em humanos vêm de animais.
  • Mais de 50% dos medicamentos modernos e a resiliência genética das lavouras dependem da riqueza biológica de plantas, fungos e microrganismos.

A preservação da diversidade biológica é um dos alicerces mais críticos tanto para a sustentabilidade da produção de alimentos quanto para a saúde pública global. Dados consolidados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 75% das culturas alimentares do planeta dependem da polinização natural. Esse serviço ecossistêmico contribui com uma fatia anual estimada entre US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões para a produção agrícola em escala global.

Perda de biodiversidade ameaça produção agrícola e saúde humana, alerta OMS

O declínio de populações de insetos polinizadores, como as abelhas, representa um risco direto para a segurança alimentar e nutricional. A perda de variabilidade genética nas lavouras e na fauna reduz a resiliência das plantações frente a pragas e extremos climáticos, além de diminuir a oferta de micronutrientes essenciais na dieta humana.

Segundo os dados da entidade, o impacto econômico geral decorrente da degradação dos ecossistemas alcança cerca de US$ 10 trilhões anuais no mundo, somando prejuízos agrícolas e custos elevados com assistência médica.

Riscos de extinção e desequilíbrio ecológico

As taxas atuais de extinção de espécies são estimadas entre 10 e 100 vezes superiores ao patamar natural de base, impulsionadas principalmente por desmatamento, fragmentação de hábitats e mudanças no clima. Estima-se que cerca de 1 milhão de espécies estejam sob ameaça de extinção em todo o mundo.

A degradação também incide diretamente sobre os recursos hídricos e florestais. Os ecossistemas saudáveis fornecem cerca de 75% da água doce do planeta, tendo as áreas úmidas papel determinante na filtragem natural. Contudo, 35% dessas áreas foram perdidas desde 1970, o que reduz a disponibilidade hídrica e eleva a vulnerabilidade a doenças de veiculação pela água.

Em paralelo, as florestas abrigam 80% da biodiversidade terrestre e absorvem aproximadamente 2,6 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, atuando como amortecedores térmicos indispensáveis para conter extremos de calor, secas prolongadas e inundações.

Aumento no risco de zoonoses

A perturbação ambiental também altera a dinâmica de patógenos. De acordo com os estudos compilados pela OMS, mais de 75% das doenças infecciosas emergentes em seres humanos são de origem zoonótica — transmitidas entre animais e pessoas.

Em ambientes equilibrados, a variedade de espécies atua como um mecanismo regulador, impedindo que populações hospedeiras de vírus e bactérias cresçam descontroladamente. Quando a fragmentação de hábitats força o aumento do contato direto entre a fauna silvestre, animais de criação e comunidades humanas, a barreira natural de contenção se rompe, acelerando o surgimento de novos surtos infecciosos.

Fármacos, genética e a sustentabilidade no agronegócio

A biodiversidade representa igualmente uma fonte estratégica para a farmacologia e a medicina moderna. Mais de 50% dos medicamentos contemporâneos derivam de recursos naturais, a exemplo de antibióticos obtidos de fungos e analgésicos formulados com princípios ativos vegetais. Cerca de 60% da população mundial ainda recorre diretamente a plantas medicinais para cuidados primários de saúde.

No agronegócio, o banco genético propiciado pela biodiversidade silvestre é essencial para o melhoramento genético de cultivares e criações animais. Linhagens adaptadas e microrganismos benéficos do solo permitem desenvolver cultivares mais tolerantes a secas severas e pragas agrícolas, reduzindo a necessidade de defensivos químicos. Integrar o manejo produtivo à conservação da biodiversidade não é apenas uma diretriz ecológica, mas uma necessidade econômica para assegurar a produtividade agrícola das próximas gerações.

Fonte/Crédito: Imagem destacada ilustrativa gerada por IA.

Fonte principal: OMS — biodiversidade e serviços ecossistêmicos


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