Para Quem Tem Pressa
Uma pesquisa baseada em imagens de satélite e inteligência artificial mapeou a evolução de pequenos reservatórios no Brasil entre 1984 e 2025. O estudo revelou que o número dessas estruturas cresceu quase quatro vezes no período, saltando de 224.059 para 817.458, com uma área superficial total que passou de 3.490 km² para 8.455 km². Utilizados em atividades rurais como irrigação, dessedentação animal e aquicultura, os corpos d’água trazem dados inéditos para auxiliar no manejo de ecossistemas e de recursos hídricos de água doce no país.
Um mapeamento científico cobrindo quatro décadas revelou uma alteração significativa no panorama hídrico nacional. A proliferação de pequenos reservatórios no Brasil tem transformado de forma expressiva as bacias hidrográficas e a paisagem rural entre os anos de 1984 e 2025.
O levantamento foi conduzido pelos pesquisadores Kylen Solvik, Luis Gustavo Carvalho e Marcia N. Macedo. Para identificar essas estruturas superficiais e diferenciá-las de lagos naturais por sensoriamento remoto, a equipe utilizou dados dos satélites Landsat 5 a 9 combinados a um modelo de visão computacional por aprendizado profundo.
Crescimento ao longo de 40 anos
Conforme aponta o estudo, o número de pequenos reservatórios no Brasil com extensão entre 0,1 e 100 hectares detectados no território nacional aumentou de 224.059 em 1984 para 817.458 ao término do período analisado.
No mesmo intervalo, a área superficial total ocupada por esses pequenos reservatórios no Brasil expandiu-se de 3.490 km² para 8.455 km². Historicamente, levantamentos hídricos de grande escala costumam priorizar grandes represas e excluir estruturas menores devido à alta complexidade técnica de detecção. No entanto, a alta incidência desses pequenos reservatórios no Brasil reflete a demanda direta da agropecuária por infraestrutura voltada à irrigação, ao abastecimento do gado, à aquicultura e à geração de energia hidrelétrica em escala agrícola.
Impactos ambientais e ecológicos
Embora sejam fundamentais para a segurança hídrica e para o suporte logístico das propriedades rurais, a expansão desses pequenos reservatórios no Brasil também gera efeitos cumulativos sobre os ecossistemas de água doce. Os autores da pesquisa ressaltam que as pequenas represas em riachos podem provocar alterações na temperatura da água, na conectividade dos rios, nos habitats aquáticos, nas taxas de perda por evaporação e nas emissões de gases de efeito estufa.
Ao disponibilizar registros anuais consistentes e mapeamentos detalhados ao longo de quatro décadas para consulta pública, o novo conjunto de dados oferece subsídios técnicos valiosos e acionáveis para o planejamento, a conservação e o manejo sustentável dos recursos hídricos em todo o território nacional.
Fonte/crédito: Imagem destacada ilustrativa gerada por IA.
