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Peixes robóticos: tecnologia para salvar oceanos e rios

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Para Quem Tem Pressa

A aplicação da robótica inspirada na biologia marinha — conhecida como biomimética — surge como uma das estratégias mais promissoras para combater a degradação dos ecossistemas aquáticos. Dispositivos avançados como o peixe robótico Belle, desenvolvido na Suíça, a turbina flutuante Energyfish, na Alemanha, e o coletor de resíduos WasteShark, no Reino Unido, comprovam que é possível monitorar a biodiversidade marinha, gerar energia limpa em rios e retirar resíduos plásticos da água sem causar perturbações aos ambientes naturais.

Peixes robóticos: tecnologia para salvar oceanos e rios

Monitoramento silencioso e preservação da biodiversidade

Um dos grandes desafios do estudo dos ecossistemas marinhos é a interferência causada pelos métodos tradicionais de pesquisa. Veículos aquáticos convencionais equipados com hélices e motores barulhentos geram turbulência, alteram o comportamento dos animais e podem até mesmo causar danos físicos às estruturas delicadas dos recifes de corais.

Para solucionar essa limitação, pesquisadores e estudantes da ETH Zurich, na Suíça, desenvolveram o Belle (e sua evolução, o robô Eve). Trata-se de um robô-peixe construído com corpo macio e cauda de silicone que imita a anatomia e a movimentação dos peixes reais. A propulsão é realizada por meio do bombeamento interno de água, garantindo um deslocamento silencioso e sem emissão de ruído mecânico agressivo.

O equipamento conta com câmeras de alta resolução, sonar e um sistema de coleta de DNA ambiental (eDNA). Ao filtrar a água enquanto navega, o dispositivo capta fragmentos genéticos liberados pelos organismos da região, permitindo mapear a biodiversidade local sem a necessidade de capturar os animais. Os dados obtidos auxiliam na avaliação da saúde dos recifes e na medição dos impactos do aquecimento global, da sobrepesca e da contaminação da água.

Geração de energia hidrocinética sem construção de barragens

Além do monitoramento de espécies, a robótica aquática expandiu suas aplicações para a matriz energética limpa. A empresa alemã Energyminer projetou o Energyfish, uma turbina hidrocinética flutuante testada em rios como o setor urbano de Munique e com planos de expansão no rio Reno.

Diferente das usinas hidrelétricas convencionais, que demandam grandes obras de infraestrutura, alteram o curso natural dos rios e provocam alagamentos, o Energyfish é ancorado diretamente no leito do rio. A estrutura aproveita o fluxo contínuo da correnteza para movimentar rotores e acionar um gerador interno.

Cada unidade possui capacidade estimada de produção de cerca de 15 MWh por ano. O sistema é modular e escalável, permitindo a instalação de dezenas ou centenas de dispositivos em formato de “enxame”. Os testes operacionais indicam que a velocidade de rotação dos rotores é segura para a fauna ictiológica local, eliminando o risco de colisão ou sucção de peixes.

Combate à poluição por plásticos em ecossistemas aquáticos

A contaminação por resíduos sólidos é uma das ameaças mais graves aos corpos d’água globais. Para atuar na retenção primária desses materiais, a empresa RanMarine Technology criou o WasteShark, um robô peixe inspirado na anatomia filtradora do tubarão-baleia.

Em operação em locais com alto fluxo de navegação e acúmulo de detritos, como o rio Tâmisa, em Londres, o equipamento navega de forma autônoma ou remota recolhendo plásticos flutuantes, biomassa e outros resíduos de superfície. Segundo dados divulgados pela fabricante, a capacidade diária de recolhimento pode equivaler a mais de 22.700 garrafas plásticas.

Movido a bateria recarregável, o “peixe rôbo” opera de forma limpa e silenciosa em marinas, portos e canais urbanos. A remoção de resíduos ainda na superfície impede a degradação desses materiais em microplásticos, substâncias que contaminam a cadeia alimentar e afetam a fauna marinha. Além da coleta física, alguns modelos integram sensores que medem parâmetros de qualidade da água em tempo real.

Desafios e perspectivas da robótica marinha

Embora os resultados dos testes e das operações iniciais sejam promissores, a ampliação da robótica biomimética aquática envolve desafios operacionais e financeiros. A produção em larga escala, o custo de manutenção de componentes eletrônicos em ambiente salino e a necessidade de regulamentação para o uso de dispositivos autônomos em ecossistemas preservados ainda demandam avanços técnico-institucionais.

Ainda assim, a convergência entre inteligência artificial, engenharia mecânica e biomimética demonstra que o desenvolvimento de tecnologias integradas à natureza é um caminho viável para a conservação. A utilização de plataformas autônomas para mapear, proteger e limpar os recursos hídricos estabelece um novo padrão para a gestão ambiental em escala global.

imagem: IA


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