O segredo bilionário escondido dentro de um peixe brasileiro
A pescada-amarela é um peixe valorizado no Brasil por sua carne saborosa e pela bexiga natatória, que pode valer mais de R$ 2.500 o quilo.
⚡ Para Quem Tem Pressa
A bexiga natatória da pescada-amarela virou um tesouro inesperado nas águas brasileiras. O órgão, valorizado por suas propriedades medicinais e pelo colágeno puro, pode ultrapassar R$ 3 mil o quilo. Entenda por que essa estrutura simples, que ajuda o peixe a flutuar, está movimentando bilhões e atraindo o olhar do mercado asiático.
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🐟 O “ouro” escondido no mar
Em Florianópolis, um grupo de pescadores fez história ao capturar 78 pescadas-amarelas em um único dia — um feito inédito na região. O destaque, porém, não foi o peixe em si, mas o que ele carrega por dentro: a bexiga natatória da pescada-amarela, considerada uma iguaria e um produto de alto valor medicinal na China.
Na capital catarinense, comerciantes relatam que compradores estrangeiros pagam facilmente R$ 1.500 pelo órgão — e em São Paulo, o valor passa de R$ 2.500. O comércio é tão lucrativo que muitos pescadores já retiram a bexiga ainda em alto-mar.
💊 Por que é tão valiosa?
Na medicina tradicional chinesa, acredita-se que a bexiga natatória da pescada-amarela fortalece o corpo e auxilia na recuperação de doenças. O órgão seco é usado em sopas e tonificantes, com status semelhante ao do ninho de andorinha — outro produto de luxo na Ásia.
Além do valor cultural, há respaldo científico: o colágeno extraído dessa bexiga tem propriedades excepcionais. Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o colágeno marinho oferece baixo risco de transmissão de zoonoses, fácil extração e excelente compatibilidade biológica. Essas características tornaram o produto altamente procurado pela indústria farmacêutica e estética.
💰 O mercado bilionário da “grude”
Entre 2015 e 2020, o Brasil exportou milhares de toneladas do produto. Só em 2020, foram 637 toneladas, com receita de R$ 2,13 bilhões.
Hong Kong importou 20 mil toneladas no mesmo período, avaliadas em R$ 9,6 bilhões.
No Norte do país, o órgão é conhecido como “grude” e é vendido a preços de luxo. O MPA estima que a bexiga seca custa cerca de R$ 2.000 o quilo, enquanto a fresca pode chegar a R$ 1.000. Na prática, a cotação real do mercado informal é ainda mais alta, chegando a ultrapassar R$ 3.000 o quilo, conforme a demanda asiática cresce.
⚠️ Comércio e riscos ambientais
O valor elevado despertou o interesse de atravessadores e exportadores ilegais. Em 2023, a Operação Thunder apreendeu cem quilos de bexiga natatória da pescada-amarela em Belém, sem documentação legal.
As autoridades alertam que a exploração desenfreada pode colocar pressão sobre as populações de peixes e gerar impactos ambientais sérios se não houver controle.
🌊 Da pesca artesanal ao luxo asiático
A pescada-amarela (Cynoscion acoupa) é abundante em estados como Pará e Maranhão, onde a pesca é tradicional. Entretanto, o fenômeno recente em Florianópolis mostrou que o interesse pelo produto ultrapassou fronteiras regionais.
A carne do peixe, vendida a cerca de R$ 70 o quilo, é ofuscada pelo valor astronômico do órgão interno — uma ironia natural digna de um colunista econômico marinho.
🧬 Ciência, beleza e colágeno premium
A beleza também mergulhou nesse mar de oportunidades. O colágeno da bexiga natatória da pescada-amarela tem propriedades hemostáticas e baixo potencial inflamatório, sendo utilizado em cosméticos e biofilmes para regeneração de pele.
Por vir de um peixe, o produto é aceito em diferentes culturas, inclusive por quem evita colágeno bovino ou suíno por razões religiosas.
🪙 Conclusão: O luxo que vem do fundo do mar
De órgão biológico a ativo bilionário, a bexiga natatória da pescada-amarela ilustra como a economia do mar brasileiro está conectada ao apetite asiático por produtos raros.
Enquanto uns veem apenas um peixe, outros enxergam um colágeno dourado que flutua entre tradição, ciência e lucro.
Imagem principal: IA.

