Pastor Alemão: como evitar que ele assuma comportamento de guarda excessivo
Você chega em casa e seu Pastor Alemão já está de orelha em pé, rosnando para qualquer som ou movimento fora do lugar. À primeira vista, isso pode parecer “instinto protetor”, mas quando esse comportamento se intensifica, começa a afetar a convivência com visitas, vizinhos — e até com os próprios moradores da casa. O que poucos tutores percebem é que o comportamento de guarda excessivo do Pastor Alemão não é sinal de coragem, mas sim de estresse e desequilíbrio emocional. E é justamente esse instinto, tão valorizado na raça, que precisa ser educado com limites claros desde cedo.
Pastor Alemão é cão de guarda — mas não guarda de tudo, o tempo todo
O Pastor Alemão foi historicamente criado para atuar como cão de pastoreio e, depois, como cão de serviço policial e de guarda. Ou seja, ele tem um drive de proteção muito forte. Mas quando esse instinto não é direcionado, ele começa a expandir sua zona de “vigilância” para tudo que está ao redor: ruídos, carros, pessoas que passam na calçada, crianças correndo na sala. O cão começa a interpretar tudo como ameaça — e isso não é saudável nem para ele, nem para a casa.
Esse comportamento costuma aparecer com mais intensidade a partir dos 10 meses de idade, quando o Pastor entra na fase jovem-adulta. Sem estímulos adequados, ele assume o papel de protetor absoluto do território, tornando-se reativo a qualquer novidade. O problema se agrava quando o tutor reforça sem querer esse comportamento, por exemplo, elogiando quando o cão late ao ouvir um barulho ou se aproxima de uma visita.
O segredo está na liderança clara, não na repressão
Para evitar que o Pastor Alemão assuma uma postura de guarda excessiva, é preciso estabelecer uma liderança calma, estável e coerente. E isso não tem nada a ver com gritar, punir ou reprimir o cão. Pelo contrário: o que o Pastor mais precisa é de um tutor que transmita segurança através da postura, das rotinas e dos limites bem definidos.
Se ele percebe que o tutor está no controle da situação, não sente necessidade de “assumir a guarda” de tudo. Um exemplo prático: quando chega uma visita, o ideal é que o cão seja treinado para ir ao seu lugar — como uma caminha ou tapete — e só interaja quando for autorizado. Esse simples gesto ensina que não é ele quem decide quem entra ou sai da casa.
Exercício físico diário: mais do que gasto de energia, um freio na ansiedade
Poucos cães precisam tanto de exercício como o Pastor Alemão. Não estamos falando só de passeios no quarteirão, mas de atividades que desafiem o corpo e a mente. Caminhadas longas com trote leve, exercícios de obediência durante o passeio, jogos de busca e até trilhas em locais seguros são essenciais para manter o cão equilibrado.
Um Pastor que não gasta energia de forma controlada acumula tensão, e essa tensão se manifesta em comportamentos como latir para tudo, patrulhar janelas, proteger brinquedos ou áreas da casa. A descarga de energia física, associada ao estímulo mental, é um dos pilares para evitar esse comportamento territorial exacerbado.
Socialização: o antídoto contra a paranoia canina
Um dos principais motivos que levam o Pastor Alemão a desenvolver comportamento de guarda exagerado é a falta de socialização na fase jovem. Quando o cão não é exposto a diferentes pessoas, sons, ambientes e estímulos desde cedo, ele tende a se tornar reativo e desconfiado com tudo o que é novo.
A socialização não deve se limitar a passeios: o ideal é que ele tenha contato com outras pessoas dentro de casa (sempre de forma controlada), ouça sons diversos e aprenda que nem tudo que é diferente representa ameaça. Quanto mais experiências positivas ele tiver com o mundo externo, menos ele sentirá que precisa “proteger” o tempo todo.
Dicas práticas para reeducar um cão já com comportamento de guarda exacerbado
Se o seu Pastor já desenvolveu esse comportamento, ainda há como reverter — com paciência e consistência. Veja estratégias eficazes:
- Comando de lugar: ensine o cão a ir para uma área específica quando ouvir a campainha ou perceber movimento no portão.
- Controle visual: se ele patrulha janelas, bloqueie parcialmente a visão até que o comportamento seja controlado.
- Recompensa por calma: recompense comportamentos tranquilos, como deitar perto da porta sem latir, com petiscos ou afeto.
- Desencoraje o reforço emocional: evite frases como “olha quem tá vindo!” ou fazer festa quando ele late ao perceber sons externos.
Essas ações ajudam o cão a entender que a responsabilidade da guarda é do tutor, não dele. Com o tempo, ele tende a relaxar e responder melhor aos comandos, diminuindo os episódios de estresse e reatividade.
Instinto não se elimina — se direciona com sabedoria
O objetivo não é tirar o instinto de guarda do Pastor Alemão, mas canalizá-lo de forma saudável. Ele pode ser um excelente cão de alarme e protetor da família, mas sem cair na paranoia de vigiar cada ruído. O equilíbrio vem do ambiente estruturado, da rotina estável e da relação de confiança com o tutor.
Quando bem orientado, o Pastor continua sendo um cão alerta, fiel e protetor — mas também tranquilo, sociável e equilibrado. Um verdadeiro parceiro que sabe o momento de agir — e o momento de descansar.
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