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Otite Canina Externa – sintomas, causas e prevenção

Para quem tem pressa

A otite canina externa é uma inflamação comum no ouvido dos cães, marcada por dor, secreção e coceira intensa. Identificar cedo os sinais e buscar o veterinário é essencial para evitar complicações como perda auditiva e otite crônica.

O que é a otite canina externa?

A otite canina externa é uma inflamação que atinge o canal auditivo dos cães, incluindo o pavilhão auricular até a membrana timpânica. Ela provoca dor, prurido, secreção com odor desagradável e pode evoluir para quadros crônicos.

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Pesquisas mostram que até 15% das consultas em clínicas veterinárias envolvem problemas auriculares, e a otite externa representa a maioria dos casos.

Sintomas

Os sinais clínicos mais comuns incluem:

  • Coceira intensa e sacudir de cabeça.
  • Secreção escura ou purulenta.
  • Mau cheiro no ouvido.
  • Dor ao toque e vermelhidão.
  • Hematoma auricular causado pelo excesso de coceira.
  • Inclinação da cabeça (head tilt).

Tipos e estágios da otite

  • Externa: a mais comum, afeta o canal auditivo.
  • Média: localizada atrás do tímpano, pode causar dor e perda auditiva parcial.
  • Interna: grave, envolve equilíbrio e risco de surdez.

Quanto à evolução, pode ser aguda (início súbito) ou crônica (inflamação persistente).

Causas da otite canina externa

A doença é multifatorial e envolve:

  • Causas primárias: alergias, parasitas, corpos estranhos, doenças endócrinas.
  • Causas secundárias: infecções bacterianas e fúngicas, irritação por limpeza excessiva.
  • Fatores predisponentes: orelhas caídas, excesso de pelos, umidade.
  • Fatores perpetuadores: estenose do canal, ruptura do tímpano, fibrose.

Raças e cães mais predispostos

Cocker Spaniel, Basset Hound, Golden Retriever, Labrador, Poodle, Bulldog e Shih-tzu apresentam maior risco, principalmente por características anatômicas ou tendência a alergias.

Idade e condições clínicas, como hipotireoidismo e imunossupressão, também aumentam a vulnerabilidade.

Complicações da otite externa

Sem tratamento, pode evoluir para:

  • Estreitamento permanente do canal auditivo.
  • Ruptura de membrana timpânica.
  • Perda auditiva parcial ou total.
  • Infecção interna com alterações neurológicas.

Diagnóstico da otite em cães

O veterinário realiza:

  • Otoscopia e exame físico.
  • Citologia auricular para identificar fungos e bactérias.
  • Cultura e antibiograma em casos resistentes.
  • Exames de imagem quando há suspeita de otite média ou interna.

Tratamento da otite canina externa

O tratamento depende da causa e pode incluir:

  • Limpeza otológica com soluções prescritas.
  • Medicamentos tópicos antibacterianos, antifúngicos ou antiparasitários.
  • Anti-inflamatórios para aliviar dor e coceira.
  • Antibióticos ou antifúngicos sistêmicos em casos graves.
  • Cirurgia em quadros crônicos e resistentes.

Nunca utilize cotonetes ou faça automedicação. Apenas o veterinário pode indicar o protocolo adequado.

Como prevenir a otite externa em cães

  • Higienizar com soluções específicas.
  • Evitar entrada de água durante banhos.
  • Controlar alergias alimentares.
  • Usar antiparasitários regularmente.
  • Realizar consultas veterinárias periódicas.

Perguntas frequentes

1. Alimentação pode causar otite?
Sim. Até 80% dos cães com alergia alimentar apresentam inflamações no ouvido.

2. Cães idosos têm mais predisposição?
Sim, devido à queda de imunidade e doenças endócrinas.

3. O que pode ser confundido com otite?
Dermatites, micoses, sarna, corpos estranhos e até tumores no ouvido.

Conclusão

A otite canina externa é uma das afecções mais comuns na rotina veterinária, afetando cerca de 1 em cada 5 cães ao longo da vida. Seu impacto vai além do desconforto imediato: dor, coceira, secreção e mau cheiro comprometem a qualidade de vida do animal, e casos não tratados podem evoluir para problemas mais graves, incluindo perda auditiva permanente e alterações neurológicas. A detecção precoce é fundamental, pois permite que o tratamento seja direcionado à causa específica, aumentando a eficácia e reduzindo o risco de recorrências.

A prevenção continua sendo a melhor estratégia: limpeza correta, cuidados com a umidade, controle de parasitas e acompanhamento veterinário periódico ajudam a manter os ouvidos saudáveis. Por fim, a atenção do tutor, aliada à orientação profissional, garante não apenas a resolução do quadro, mas também a manutenção do bem-estar e da audição do cão ao longo da vida.

imagem: flickr

Carlos Eduardo Adoryan

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Carlos Eduardo Adoryan

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