Ocitocina da ordenha: Segurança total para vacas prenhes
A ocitocina da ordenha é segura para vacas prenhes graças ao bloqueio hormonal da progesterona. Entenda o mecanismo e os cuidados sanitários essenciais.
Para Quem Tem Pressa
A ocitocina da ordenha não causa aborto em vacas prenhes porque, durante toda a gestação, a progesterona bloqueia os receptores uterinos de ocitocina, impedindo qualquer contração do útero. Assim, mesmo aplicada rotineiramente na lactação, ela não interfere no miométrio gestante. Os verdadeiros riscos estão no manejo sanitário inadequado, especialmente no compartilhamento de agulhas.
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Ocitocina da ordenha: Segurança total para vacas prenhes
A preocupação de que a ocitocina da ordenha possa causar aborto ainda circula entre produtores, apesar de décadas de evidências científicas. Utilizada para estimular a ejeção do leite, essa molécula natural também é a responsável pelas contrações uterinas durante o parto. Essa dupla função cria a dúvida: por que um hormônio que expulsa o feto no final da gestação não provoca aborto quando aplicado durante a lactação?
A resposta está em uma sofisticada regulação hormonal que protege a vaca gestante durante toda a prenhez. A biologia bovina, como sempre, mostra que a natureza é sábia — e bastante precisa.
A dança hormonal que protege a gestação
O período gestacional dos bovinos depende fortemente da manutenção de altos níveis de progesterona. Esse hormônio, produzido inicialmente pelo corpo lúteo e, mais tarde, pela placenta, é o pilar que mantém o útero em estado de calma.
Estudos clássicos, como Bell (1995), demonstram que a progesterona permanece elevada por praticamente toda a prenhez, caindo apenas 48 a 72 horas antes do parto. Essa queda é o que prepara o organismo para a fase final: o nascimento do bezerro.
Enquanto a progesterona reina absoluta, qualquer estímulo que pudesse ativar o útero — inclusive a ocitocina da ordenha — permanece neutralizado.
Progesterona: O bloqueio natural dos receptores uterinos
Para entender de vez a segurança da ocitocina da ordenha, é preciso olhar para os receptores que a ocitocina usa para atuar no útero.
Durante a gestação, algo crucial acontece: a progesterona impede que esses receptores sejam expressos de forma significativa.
Pesquisas de Jenner et al. (1991) e Fuchs (1992) mostram que:
- Altos níveis de progesterona
→ baixíssima concentração de receptores de ocitocina no útero - Baixa expressão de receptores
→ o hormônio não consegue agir no miométrio
Ou seja: mesmo que a vaca receba ocitocina exógena para a ordenha, o útero simplesmente não tem “antenas” para captar o sinal. Sem receptor, não há contração. Sem contração, não há aborto.
É quase como tentar ligar uma TV sem estar conectada à tomada — não importa quantas vezes você aperte o botão.
Quando o parto se aproxima: O bloqueio finalmente cai
Na reta final da gestação, ocorre a virada hormonal:
- A progesterona despenca
- O estrógeno sobe
- Os receptores de ocitocina começam a aumentar
Esse processo cria o cenário ideal para o parto. Dias antes do nascimento, os receptores já estão ativos o suficiente para ampliar a resposta do útero à ocitocina endógena liberada pelo reflexo de Ferguson.
Somente nesse momento a ocitocina promove contrações intensas — exatamente como a natureza planejou. Durante toda a prenhez, porém, o útero permanece funcionalmente “surdo”.
Uso responsável: Onde realmente existe risco
Quando se fala em segurança, a fisiologia absolve a ocitocina da ordenha de qualquer ligação com abortos. Entretanto, isso não significa que o manejo seja livre de riscos.
A maior ameaça não está no hormônio, mas na agulha.
Uma vaca em lactação por 300 dias, recebendo duas aplicações diárias, sofrerá cerca de 600 punções. Cada compartilhamento de agulha aumenta a chance de:
- flebites
- infecções secundárias
- surtos de doenças transmissíveis, como tripanossomíase
Essas sim podem levar ao aborto, além de comprometer o bem-estar do rebanho e a sanidade da propriedade.
É por isso que proibir agulhas compartilhadas não é apenas recomendação técnica — é política de saúde pública dentro do agronegócio.
Ocitocina é ferramenta — não vilã
O uso da ocitocina da ordenha pode ser extremamente benéfico para vacas com falha de ejeção, reduzindo o risco de mastite e melhorando o fluxo de ordenha. Quando aplicada com critério e dentro de protocolos sanitários rígidos, torna-se uma aliada da produtividade.
O mito do aborto causado pela ocitocina pertence ao passado. A ciência já deu o veredito: o hormônio é seguro porque a fisiologia da vaca prenhe foi projetada para impedir sua ação uterina antes do parto.
Ciência a serviço do produtor
Compreender o mecanismo hormonal por trás da segurança da ocitocina da ordenha fortalece o manejo técnico e evita decisões baseadas em boatos. O produtor que domina esse conhecimento não apenas protege o rebanho, mas também eleva sua eficiência e produtividade.
Em um mercado competitivo, quem se apoia na ciência sai sempre na frente.
Imagem principal: Depositphotos.

