pecuária
Taxação de Trump no agro brasileiro virou realidade: os EUA sobem para 50% as tarifas sobre produtos do Brasil, ameaçando as exportações agropecuárias e, principalmente, a carne bovina. O impacto pode custar bilhões ao setor e acende alerta na diplomacia brasileira. Descubra agora como isso muda o jogo para o agro.
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Não é fake news, nem blefe de campanha: Donald Trump oficializou uma taxação de Trump no agro brasileiro, elevando para 50% as tarifas sobre produtos agropecuários que saem do Brasil rumo aos Estados Unidos. Até ontem, o imposto era de 10%. O anúncio chegou como um presente de grego ao governo brasileiro por meio de carta endereçada diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão entra em vigor já no próximo mês, em 1º de agosto, e é independente de outras tarifas setoriais que já penalizam produtos como aço e alumínio.
Para o agronegócio, é como assistir ao gado fugir do curral: o mercado dos EUA representa US$ 11,2 bilhões em exportações brasileiras em 2023. O impacto, portanto, não é só político; ele bate direto no caixa do produtor rural.
Entre os setores que podem sofrer mais com a taxação de Trump no agro brasileiro, a carne bovina é a estrela do drama. O Brasil teve em 2024 seu maior ano de exportações de carne bovina da história: foram 2,89 milhões de toneladas, 26% a mais que em 2023.
Os Estados Unidos aparecem como segundo maior comprador, atrás apenas da China, com 229 mil toneladas importadas e um faturamento de US$ 1,35 bilhão. Em junho deste ano, os americanos responderam por quase 19% das exportações brasileiras de carne bovina — e pagaram preços elevados.
Segundo Lygia Pimentel, analista da Agrifatto, a tarifa extra “pode reduzir drasticamente a competitividade da carne bovina brasileira”, tirando força justamente do setor que tem sido o carro-chefe na sustentação dos preços do boi gordo.
“Isso acaba afetando significativamente nossas exportações, que têm sido o carro-chefe da valorização e da sustentação do boi gordo desde meados do ano passado“, ressalta Lygia.
Ou seja, não é só o exportador que vai sentir o golpe: a cadeia inteira, do pecuarista ao frigorífico, pode ter margens espremidas.
A taxação de Trump no agro brasileiro não impacta apenas carne bovina. Toda a balança comercial entre Brasil e EUA está sob risco. Em 2024, o Brasil exportou cifras recordes aos EUA, mas também importou mais, gerando um déficit leve para o país. Agora, a escalada tarifária ameaça inverter a balança de vez — e não apenas no agro.
Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já emitiram comunicado alertando para reflexos diretos na competitividade das exportações brasileiras e até no câmbio. E cá entre nós, dólar nervoso nunca foi boa notícia para o agro, sobretudo porque insumos agrícolas são cotados na moeda americana.
“A nova alíquota produz reflexos diretos e atinge o agronegócio nacional, com impactos no câmbio, no aumento do custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras”, diz a nota da FPA.
No Congresso, a FPA prega cautela. Não seria hora de brigar com quem compra boa parte do nosso agro, ainda que Trump esteja apertando os parafusos das tarifas. O discurso é de manter a diplomacia ativa, sem isolar o Brasil.
“A diplomacia é o caminho mais estratégico para a retomada das tratativas”, afirmou a Frente.
A estratégia passa por negociar, mas também por diversificar mercados. A China segue como principal destino da carne bovina, responsável por 1,33 milhão de toneladas e US$ 6 bilhões em faturamento em 2024. Mas perder a porta de entrada americana seria um rombo difícil de tapar em curto prazo.
Com o Brasil possivelmente menos competitivo no mercado norte-americano, países como Austrália e Nova Zelândia podem ocupar espaços, especialmente na carne bovina premium. Além disso, players como Argentina e Uruguai também buscam avançar nos EUA. Se a tarifa permanecer em 50%, abrir brecha para concorrentes será quase inevitável.
A verdade é que a taxação de Trump no agro brasileiro não é apenas um ato isolado. Faz parte do protecionismo trumpista, mirando parceiros comerciais estratégicos. Para o Brasil, o recado está dado: o agro precisa ficar menos dependente de poucos grandes compradores.
Enquanto isso, exportadores estudam redirecionar cargas para outros destinos, mesmo sabendo que o volume comprado pelos EUA dificilmente será totalmente substituído de uma hora para outra.
Se há algo positivo, é que o agro brasileiro já provou ter resiliência. Mas, por ora, a nova tarifa é um banho de água fria — ou, em linguagem rural, uma porteira fechada bem no auge da safra.
Imagem principal: Depositphotos.
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