Trump taxa Brasil: Prejuízo milionário no agro

Trump impõe tarifa de 50% e ameaça o agro brasileiro, afetando carne bovina e balança comercial. Saiba o impacto real e o que esperar daqui em diante.

Para Quem Tem Pressa

Taxação de Trump no agro brasileiro virou realidade: os EUA sobem para 50% as tarifas sobre produtos do Brasil, ameaçando as exportações agropecuárias e, principalmente, a carne bovina. O impacto pode custar bilhões ao setor e acende alerta na diplomacia brasileira. Descubra agora como isso muda o jogo para o agro.


Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.

Publicidade

Acompanhe aqui todas as nossas cotações


Trump cumpre ameaça e sobe tarifa para 50%

Não é fake news, nem blefe de campanha: Donald Trump oficializou uma taxação de Trump no agro brasileiro, elevando para 50% as tarifas sobre produtos agropecuários que saem do Brasil rumo aos Estados Unidos. Até ontem, o imposto era de 10%. O anúncio chegou como um presente de grego ao governo brasileiro por meio de carta endereçada diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão entra em vigor já no próximo mês, em 1º de agosto, e é independente de outras tarifas setoriais que já penalizam produtos como aço e alumínio.

Para o agronegócio, é como assistir ao gado fugir do curral: o mercado dos EUA representa US$ 11,2 bilhões em exportações brasileiras em 2023. O impacto, portanto, não é só político; ele bate direto no caixa do produtor rural.


Impactos imediatos no agro: Carne bovina na linha de fogo

Entre os setores que podem sofrer mais com a taxação de Trump no agro brasileiro, a carne bovina é a estrela do drama. O Brasil teve em 2024 seu maior ano de exportações de carne bovina da história: foram 2,89 milhões de toneladas, 26% a mais que em 2023.

Os Estados Unidos aparecem como segundo maior comprador, atrás apenas da China, com 229 mil toneladas importadas e um faturamento de US$ 1,35 bilhão. Em junho deste ano, os americanos responderam por quase 19% das exportações brasileiras de carne bovina — e pagaram preços elevados.

Segundo Lygia Pimentel, analista da Agrifatto, a tarifa extra “pode reduzir drasticamente a competitividade da carne bovina brasileira”, tirando força justamente do setor que tem sido o carro-chefe na sustentação dos preços do boi gordo.

“Isso acaba afetando significativamente nossas exportações, que têm sido o carro-chefe da valorização e da sustentação do boi gordo desde meados do ano passado“, ressalta Lygia.

Ou seja, não é só o exportador que vai sentir o golpe: a cadeia inteira, do pecuarista ao frigorífico, pode ter margens espremidas.


Reflexos na balança comercial e no câmbio

A taxação de Trump no agro brasileiro não impacta apenas carne bovina. Toda a balança comercial entre Brasil e EUA está sob risco. Em 2024, o Brasil exportou cifras recordes aos EUA, mas também importou mais, gerando um déficit leve para o país. Agora, a escalada tarifária ameaça inverter a balança de vez — e não apenas no agro.

Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já emitiram comunicado alertando para reflexos diretos na competitividade das exportações brasileiras e até no câmbio. E cá entre nós, dólar nervoso nunca foi boa notícia para o agro, sobretudo porque insumos agrícolas são cotados na moeda americana.

“A nova alíquota produz reflexos diretos e atinge o agronegócio nacional, com impactos no câmbio, no aumento do custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras”, diz a nota da FPA.


E agora, Brasil? Diplomacia ou retaliação?

No Congresso, a FPA prega cautela. Não seria hora de brigar com quem compra boa parte do nosso agro, ainda que Trump esteja apertando os parafusos das tarifas. O discurso é de manter a diplomacia ativa, sem isolar o Brasil.

“A diplomacia é o caminho mais estratégico para a retomada das tratativas”, afirmou a Frente.

A estratégia passa por negociar, mas também por diversificar mercados. A China segue como principal destino da carne bovina, responsável por 1,33 milhão de toneladas e US$ 6 bilhões em faturamento em 2024. Mas perder a porta de entrada americana seria um rombo difícil de tapar em curto prazo.


Outros países de olho

Com o Brasil possivelmente menos competitivo no mercado norte-americano, países como Austrália e Nova Zelândia podem ocupar espaços, especialmente na carne bovina premium. Além disso, players como Argentina e Uruguai também buscam avançar nos EUA. Se a tarifa permanecer em 50%, abrir brecha para concorrentes será quase inevitável.


Para o agro brasileiro, é hora de planejamento

A verdade é que a taxação de Trump no agro brasileiro não é apenas um ato isolado. Faz parte do protecionismo trumpista, mirando parceiros comerciais estratégicos. Para o Brasil, o recado está dado: o agro precisa ficar menos dependente de poucos grandes compradores.

Enquanto isso, exportadores estudam redirecionar cargas para outros destinos, mesmo sabendo que o volume comprado pelos EUA dificilmente será totalmente substituído de uma hora para outra.

Se há algo positivo, é que o agro brasileiro já provou ter resiliência. Mas, por ora, a nova tarifa é um banho de água fria — ou, em linguagem rural, uma porteira fechada bem no auge da safra.

Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

Recent Posts

Preço da carne bovina foge do padrão e muda o jogo do mercado

O preço da carne bovina mostrou força no fim do mês, com oferta restrita e…

14 horas ago

Funrural 2026: 2 formas de recolhimento e seus impactos reais

O Funrural 2026 exige decisão até 31 de janeiro. Saiba como escolher entre folha ou…

15 horas ago

Galinhas pretas: Aves que podem valer até US$ 6 mil

As galinhas pretas unem genética rara, tradição asiática e produção moderna. Entenda por que essas…

15 horas ago

Chapéu é tradição, mas a lei exige capacete — e a multa sobra pra fazenda

Chapéu é tradição no campo, mas a lei exige capacete em atividades de risco. Entenda…

15 horas ago

Existe pílula da longevidade? Ciência corre contra o tempo

Existe pílula da longevidade? A ciência investiga caminhos para viver mais com saúde, mas o…

16 horas ago

Preço médio das terras no Brasil: O mapa que chocou o agro

O preço médio das terras no Brasil disparou e o mapa revela regiões surpreendentes. Veja…

16 horas ago

This website uses cookies.