Funrural 2026: 2 formas de recolhimento e seus impactos reais

O Funrural 2026 exige decisão até 31 de janeiro. Saiba como escolher entre folha ou receita bruta e evitar custos e riscos fiscais.

Para Quem Tem Pressa

O prazo para definir o Funrural 2026 termina em 31 de janeiro, e a escolha impacta diretamente custos, fluxo de caixa e obrigações fiscais do produtor rural pessoa física. É possível optar entre o recolhimento sobre a receita bruta da comercialização ou sobre a folha de pagamento, decisão que vale para todo o ano-calendário e exige comunicação formal ao comprador da produção. Não decidir a tempo significa ficar automaticamente no modelo padrão — e isso pode custar caro.


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O que é o Funrural e por que essa decisão importa

O Funrural 2026 corresponde à contribuição previdenciária destinada ao financiamento da seguridade social dos trabalhadores rurais. Embora seja um tributo obrigatório, a legislação brasileira permite que o produtor rural pessoa física escolha como irá recolher essa contribuição.

Essa definição não é apenas burocrática. Ela influencia:

  • o valor efetivo pago ao longo do ano,
  • a forma de retenção nas vendas,
  • o relacionamento com compradores da produção,
  • e a organização da gestão tributária da propriedade.

Por isso, o prazo de 31 de janeiro é considerado decisivo.


Funrural 2026: Duas formas de recolhimento, impactos diferentes

🔹 Recolhimento sobre a receita bruta da comercialização

Nesse modelo, a contribuição é retida diretamente na venda da produção pelo adquirente — como frigoríficos, cooperativas, cerealistas, laticínios, tradings ou agroindústrias.

  • Alíquota total: 1,5% sobre a receita bruta
  • Retenção automática no momento da venda
  • Modelo padrão quando o produtor não formaliza outra opção

É o formato mais comum justamente porque não exige ação prévia do produtor.


🔹 Recolhimento sobre a folha de pagamento

Aqui, o Funrural 2026 incide sobre os salários pagos aos empregados rurais.

  • Alíquotas totais entre 21,2% e 23,2%
  • Percentual varia conforme o grau de risco da atividade
  • Exige controle rigoroso da folha e cumprimento formal das regras

Esse modelo pode ser vantajoso em determinados perfis produtivos, mas exige planejamento.


Qual modelo é mais vantajoso?

Não existe uma resposta única. A escolha depende de fatores como:

  • nível de mecanização da propriedade,
  • quantidade de empregados fixos,
  • volume de faturamento,
  • peso da folha salarial no custo total.

Segundo o advogado e professor de Direito Agrário Pedro Puttini, produtores altamente mecanizados, com poucos funcionários e faturamento elevado, tendem a se beneficiar mais do recolhimento sobre a folha.

Já propriedades com uso intensivo de mão de obra, onde a folha salarial é mais pesada, geralmente encontram menor custo tributário ao permanecer no recolhimento sobre a receita bruta.

Em resumo: o Funrural 2026 precisa ser analisado como decisão estratégica, não automática.


Comunicação ao comprador é obrigatória

Para optar pelo recolhimento sobre a folha, o produtor deve formalizar a decisão junto ao comprador da produção.

  • A comunicação deve ser feita por declaração formal
  • Na pecuária, o documento é entregue ao frigorífico
  • Se houver venda antes de 31 de janeiro, a declaração deve ser apresentada na primeira comercialização do ano

Sem essa comunicação, o comprador é legalmente obrigado a aplicar a retenção padrão sobre a receita, mesmo que essa não seja a intenção do produtor.


Os riscos de errar na escolha do Funrural 2026

Especialistas alertam que o maior problema não é apenas escolher mal, mas executar a opção de forma incorreta. Os principais riscos incluem:

  • pagamento em duplicidade do Funrural,
  • retenção indevida na comercialização,
  • inconsistências fiscais e previdenciárias,
  • autuações e cobranças futuras.

Ou seja: errar no Funrural pode doer mais no bolso do que parece — e a Receita não costuma ter senso de humor.


Onde buscar apoio para decidir

Para ajudar o produtor rural na definição do Funrural 2026, entidades como:

  • sindicatos rurais,
  • federações estaduais,
  • Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA),

disponibilizam orientações técnicas, simulações e comparativos, permitindo avaliar cenários antes de formalizar a opção.


Conclusão: Decisão tributária é decisão de negócio

Com o prazo se encerrando em 31 de janeiro, o recado é direto: o Funrural 2026 não é apenas uma obrigação fiscal, mas uma decisão que impacta diretamente o resultado financeiro da atividade rural.

Planejar, comparar e comunicar corretamente pode significar economia ao longo de todo o ano — e evitar dores de cabeça que nenhum produtor precisa na safra.

Imagem principal: IA.

Douglas Carreson

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