Fome no mundo

Fome mundial e inflação: A guerra e pandemia produziram crise alimentar.

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Fome mundial e inflação: A guerra e pandemia produziram a maior crise alimentar em anos. Existem soluções de curto prazo?

Fonte: Adaptação pela Equipe Agron de textos da Mariana Braga (Gazeta do Povo) e do João Pedro Malardo (CNN Brasil Business) Imagem principal: Depositphotos/procinemastock.

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Vai faltar comida no mundo?
A pandemia e agora a guerra na Ucrânia agravou a crise alimentar mundial e os estoques de comida equivalem ao suficiente para apenas pouco mais de dois meses. A afirmação é da empresa de dados agrícolas Gro Intelligence e foi recebida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em maio.

“É um fato que pode remodelar drasticamente a era geopolítica”, informou à ONU a executiva-chefe da Gro Intelligence, Sara Menker. Os armazenamentos de trigo estão hoje em 20% do consumo anual – deveriam estar, pelo menos, em 35% – e não existem perspectivas de recuperação.

O G7 (formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) pediu à Organização Mundial do Comércio (OMC) que identifique medidas necessárias para evitar os erros da crise mundial de 2008. Na época, houve falta de alimentos, como arroz, soja, trigo, milho e cereais, que gerou aumento das taxas de inflação em todo o mundo, intensificação da crise econômica mundial e fome. De acordo com especialistas, no entanto, a situação já está igual ou pior do que a de 14 anos atrás.
De acordo com o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marcelo Neri, já estamos em uma crise semelhante à de 2008. “Seja pela guerra na Ucrânia, choques climáticos ou disrupções na pandemia, já estamos em uma grande crise”, alerta.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a inflação de alimentos acumulou uma alta de 58% em abril de 2022, em comparação a fevereiro de 2020 – antes da pandemia. Dessa alta, 28 pontos de porcentagem foram acumulados de outubro de 2021 para cá. “É uma tempestade perfeita em cima de duas crises prévias: a da grande recessão com a escalada da desigualdade e da pandemia”, ressalta Neri.

Diante da crise, países da Europa, Estados Unidos, Austrália, Argentina e Brasil foram levantados como possíveis alternativas na produção do trigo. Porém, de acordo com o pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris, na sigla em francês) Sébastien Abis, “nenhum país pode aumentar as exportações no momento”, porque todos já produzem dentro da capacidade máxima e precisam dar conta também da demanda nacional.

No entanto, desses países o Brasil é o único em condições de aumentar sua produção de alimentos a médio prazo. Atualmente apenas 7,8% do território nacional é utilizado para agricultura. Contudo, existe uma pressão muito grande de artistas e ativistas para que a produção agrícola brasileira seja interrompida por conta da preservação da Amazonia. Justamente o país que mais preserva sua vegetação nativa. O Brasil preserva mais de 66% do seu território sendo que desse total metade são preservados pelos fazendeiros. Isso equivale a um patrimônio imobilizado na preservação de um terço do Brasil em mãos particulares. Enquanto que nos EUA, por exemplo, outro grande produtor de alimentos preserva apenas 19% de seu território justamente em áreas não agricultáveis como, áreas pantanosas, desertos e geleiras. Mas nem 1% dessa área estão nas mãos de produtores americanos.

Qual é o motivo da alta da inflação nesse ano?

Além da pandemia a guerra na Ucrânia foi o principal motivo para a disparada da inflação e da maior crise alimentar em anos.

O cenário com a crise sanitária gerou o que Margarida Gutierrez, professora da UFRJ, resume como quatro choques.

Os dois primeiros foram, segundo ela, simultâneos, um de demanda —em que a renda gasta com serviços e viagens migrou para o consumo de bens, fazendo os preços subirem— e outro de custo, com os preços das commodities, em especial alimentos e petróleo, disparando pelo desequilíbrio entre oferta e demanda.

O terceiro choque surgiu pela adoção por diversos países de estímulos fiscais e monetários durante a pandemia, que resultaram em um “excesso inflacionário”, com aumento de liquidez, auxílios financeiros e juros baixos. Para ela, porém, esse fator atingiu muito mais países desenvolvidos, caso dos Estados Unidos, do que o Brasil.

O último choque que a professora cita foi ligado parcialmente à pandemia: o de preços de energia. Nesse caso, as razões variaram de país para país, mas o mais comum foi a alta no petróleo, com a demanda alta em meio à recuperação da economia e a oferta contida pela redução de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Simão Silber, professor da FEA-USP, destaca ainda que a pandemia, com a necessidade de lockdowns, afetou a produção das indústrias e o transporte de insumos e produtos. Quando a economia iniciou a retomada, a produção não acompanhou a demanda acelerada.

Além da pandemia, há agora uma nova causa inflacionária comum, a guerra entre Ucrânia e Rússia. “As cadeias de fornecimento estavam se recuperando de forma mais lenta, e a guerra interrompeu novamente. São novas desorganizações devido às sanções”, diz a professora da UFRJ.
Já o professor da USP afirma que o principal fator inflacionário ligado à guerra vem da alta das commodities, já que a Rússia e Ucrânia são grandes produtoras em áreas como grãos e minérios.

O principal problema é que o preço desses produtos já estava elevado pela pandemia, e os novos patamares se tornam ainda mais danosos. Como o valor das commodities em qualquer lugar do mundo segue o mercado internacional, a alta tem um efeito global.

Reflita sobre essa questão: dicotomia entre preservação da natureza e produção de alimentos no mundo e deixe seu comentário.

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