5 sinais de que o quati está se adaptando cada vez mais às áreas urbanas - Imagem gerada por IA
Você já viu um quati passeando em praças, quintais ou até em estacionamentos de shoppings próximos a áreas verdes? Essa cena, que antes parecia rara, está se tornando cada vez mais comum em cidades brasileiras. O avanço urbano, a redução das áreas de floresta e a busca por alimentos estão levando esses animais a se aproximar do ser humano, adaptando-se a um ambiente que não era originalmente seu. Essa convivência desperta curiosidade, mas também exige cuidado, já que o contato pode trazer riscos para os animais e para as pessoas.
O quati (Nasua nasua), parente próximo do guaxinim, é um mamífero onívoro que vive em bandos e se destaca pelo focinho alongado e cauda listrada. Tradicionalmente encontrado em matas da América do Sul, hoje é visto com frequência em parques urbanos, zoológicos abertos e até condomínios próximos a reservas.
Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), essa aproximação é resultado da redução de habitats naturais e da disponibilidade de alimentos em áreas urbanas. Já a Fiocruz reforça que o contato com animais silvestres nessas condições pode facilitar a transmissão de zoonoses. Em escala internacional, a International Union for Conservation of Nature (IUCN) destaca que o fenômeno não é exclusivo do Brasil: diversas espécies de mamíferos estão expandindo territórios para sobreviver em meio ao crescimento das cidades.
O primeiro sinal de adaptação é a busca por alimento em lixeiras e quintais. O quati tem olfato aguçado e, ao perceber restos de comida acessíveis, aprende rapidamente a retornar ao mesmo local. Isso explica por que algumas famílias relatam encontros recorrentes com o animal.
Quatis em áreas de mata tendem a ser mais ariscos. Mas, em cidades e parques, já é possível observar bandos que se aproximam de turistas em busca de comida. Esse comportamento é preocupante, pois a perda do medo natural aumenta os riscos de acidentes e mordidas.
Embora sejam naturalmente ativos durante o dia, os quatis em áreas urbanas têm intensificado esse comportamento. Isso porque percebem que a movimentação humana está associada a maiores chances de encontrar alimentos.
Outra evidência da adaptação é a forma como o quati aproveita estruturas urbanas. Eles utilizam telhados, muros e árvores de praças como verdadeiros corredores de deslocamento, comportamento semelhante ao observado com saguis e gambás em grandes cidades.
Parques de grandes capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte registram aumento de avistamentos. Isso tem levado a campanhas educativas para turistas, já que oferecer alimentos a esses animais pode comprometer sua dieta natural.
Essa mudança de comportamento revela a incrível capacidade de sobrevivência da espécie, mas também traz riscos. Os quatis podem transmitir doenças como raiva e leptospirose, além de provocar acidentes em contato direto com humanos. Por isso, o Ibama alerta para que nunca sejam alimentados, mesmo em áreas de turismo.
Entre as recomendações dos especialistas estão: manter lixeiras bem fechadas, não oferecer alimentos diretamente e respeitar a distância segura. A convivência pode ser pacífica desde que as pessoas entendam que esses animais, apesar de curiosos, continuam sendo silvestres.
Ver um quati de perto pode ser fascinante, principalmente para crianças e turistas que nunca tiveram contato com a fauna silvestre. Mas é fundamental entender que essa aproximação é um reflexo da pressão humana sobre os habitats naturais. A adaptação é prova da resiliência da espécie, mas também um sinal de alerta para a necessidade de políticas que conciliem preservação ambiental e urbanização.
No fim das contas, cada avistamento de quatis em áreas urbanas deve certamente servir como um lembrete de que nossa relação com a natureza precisa ser equilibrada. A cidade pode até se tornar palco para esses encontros inesperados, mas o respeito ao espaço e às necessidades dos animais é o que garante uma convivência saudável e sustentável.
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