Etanol de Milho: O futuro sustentável da energia

Como o etanol de milho impulsiona a economia circular no Cerrado.

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Veja também: Milho vai tirar o pódio da cana-de-açúcar na produção de etanol?

Na vasta região do Cerrado, conhecida por suas lavouras cada vez mais produtivas, uma tendência está ganhando força e impulsionando a economia local: o etanol de milho. O Brasil já conta com 20 usinas operacionais de produção de etanol de milho, das quais 11 estão localizadas em Mato Grosso, seis em Goiás, e uma distribuída entre Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Além disso, outras nove usinas estão em fase de planejamento ou já possuem cronogramas de implantação aprovados nos estados de Mato Grosso, Tocantins, Bahia, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, com a capacidade de produzir não apenas etanol de milho, mas também de outros cereais.

“Depois do plantio direto e da rotação de culturas, a próxima onda de crescimento econômico e desenvolvimento no Cerrado é a agroindustrialização”, afirma Guilherme Nolasco, presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), uma entidade criada em 2017, com sede em Cuiabá (MT), que reúne o setor privado e entidades representativas do setor agrícola. “Temos enormes excedentes exportáveis e podemos transformar grãos em riquezas, empregos, valorização ao produtor para que ele tenha capacidade de investimento e impostos para manter os serviços básicos e a infraestrutura, além de criar grandes oportunidades de negócios na economia circular”, acrescentou Nolasco durante o Encontro de Pesquisa e Inovação da Embrapa Agroenergia realizado em Brasília.

O Cerrado concentra cerca de 70% da produção nacional de milho, alcançando 4,39 milhões de m³ na safra 2022/2023, com previsões de chegar a 10,88 milhões de m³ na safra 2031/2032, de acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Nolasco destaca que, somente em 2023, o Brasil deverá produzir 6 milhões de m³ de etanol de milho, o que já representa impressionantes 22% da produção total de etanol do país. Essa produção maciça é possível sem comprometer a oferta de milho para alimentação, retirando cerca de 16 milhões de toneladas de milho para a produção de etanol.

Cada tonelada de milho tem o potencial de gerar 440 litros de etanol, 221,9 kg de grãos de destilaria (conhecidos como DDGs, utilizados na dieta animal), 16,9 kg de óleo de milho e ainda co-gerar 42,2 KWh de bioeletricidade, usando 424 kg de cavaco de madeira de eucalipto. Nolasco enfatiza que essa cadeia de produção promove uma economia circular que beneficia a pecuária, agricultura e suinocultura, aproveitando os excedentes exportáveis.

Um desenvolvimento inovador que merece destaque é o primeiro projeto brasileiro para a captura e armazenamento de CO2 resultante da fermentação do milho durante a produção de etanol, conduzido pela FS Bioenergia na unidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. “Conseguimos extrair um CO2 com 98% de pureza, que será injetado a 2 mil metros de profundidade, em solos com características esponjosas. O etanol de milho brasileiro passará a ter uma pegada de carbono negativa, alinhando-se com as metas de descarbonização do país”, destaca Nolasco.

De acordo com o IMEA, as previsões de setembro apontavam para uma safra atual de 133,13 milhões de toneladas de milho, cultivadas em 22,26 milhões de hectares. Esses números impressionantes representam um aumento significativo em comparação com a safra de 2005/06, que produziu 42,51 milhões de toneladas em 12,96 milhões de hectares. Com a expansão da área de segunda safra e ganhos de produtividade, Nolasco acredita que o país pode atingir facilmente a marca de 200 milhões de toneladas de milho.

O milho de segunda safra, cultivado após a soja, atingiu 45,5 milhões de toneladas na safra 2022/2023, impulsionando o aumento da produtividade. Nolasco destaca a importância de construir narrativas que mostrem ao mundo que o etanol de milho brasileiro não é uma competição entre alimentos e combustível, mas sim um modelo que incentiva o aumento do cultivo de milho de segunda safra e o aumento da produtividade.

Um estudo publicado na revista Nature sobre os impactos socioambientais do etanol de milho de segunda safra no Brasil aponta que a pegada de carbono do biocombustível é de apenas 20 g CO2 eq/MJ, em comparação com 87,4 g CO2 eq/MJ da gasolina. Incorporando todo o ciclo de vida do etanol de milho de segunda safra, a pegada de carbono pode chegar a apenas 9,5 g CO2 eq/MJ. Isso destaca o enorme potencial do etanol de milho na estratégia de transição energética e descarbonização da matriz de mobilidade do país, com projeções do setor energético indicando que a produção de etanol de milho pode evitar a emissão de até 10 milhões de toneladas de carbono até 2030.

A produção em escala do etanol de milho em Mato Grosso está transformando a dinâmica de uso do solo na região. As áreas de pastagens destinadas à pecuária extensiva estão sendo substituídas por lavouras de grãos e florestas plantadas. Embora a área de pastagem tenha diminuído, o uso se tornou mais intensificado, com a proporção de bovinos abatidos com menos de 36 meses aumentando de 48,9% em 2005 para 72% em 2023. Isso se deve, em parte, ao uso dos DDGs como ração animal, reduzindo o ciclo de crescimento do gado e liberando áreas de pastagem de baixa produtividade para o cultivo de grãos.

O etanol de milho, portanto, está desempenhando um papel fundamental na economia circular do Cerrado, estimulando o crescimento econômico, a descarbonização e a otimização do uso da terra, contribuindo para uma transformação sustentável na região.

Fonte: Texto gerado por ChatGPT, um modelo de linguagem desenvolvido pela OpenAI, com contribuições e correções adicionais do autor. Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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