Morcegos: 6 curiosidades sobre o mamífero citado na Bíblia
Ele é pequeno, voador, mamífero e, para muitos, um símbolo de medo ou mistério. Mas você sabia que os morcegos é citado na Bíblia e desempenha um papel fundamental nos ecossistemas? Esquecido por uns e mal interpretado por outros, o morcego é muito mais fascinante do que parece à primeira vista. Vamos explorar seis curiosidades que mostram como esse animal é, ao mesmo tempo, protagonista das noites e personagem de antigos textos sagrados.
Morcegos na Bíblia: símbolo de impureza ou alerta?
Pouca gente sabe, mas os morcegos são mencionados diretamente na Bíblia. No Antigo Testamento, mais especificamente em Levítico 11:19 e Deuteronômio 14:18, eles são listados entre os animais considerados impuros para alimentação. Na tradição judaica, isso significa que deviam ser evitados, assim como outras aves de rapina.
A associação com a escuridão, a noite e cavernas contribuiu para que o morcego fosse visto com certo temor. No entanto, essa visão cultural não corresponde à sua verdadeira natureza — e é aí que entra a ciência para corrigir certos estigmas.
Eles não são aves — e sim mamíferos voadores
Apesar de serem mencionados junto a aves na Bíblia, os morcegos são os únicos mamíferos capazes de voo ativo. Eles pertencem à ordem Chiroptera, que em grego significa “mãos com asas”. E isso não é figura de linguagem: suas asas são formadas por membranas de pele esticadas sobre dedos alongados.
É como se tivéssemos mãos com dedos muito compridos unidos por um tecido que nos permitisse voar. Essa anatomia única faz dos morcegos verdadeiros acrobatas noturnos, capazes de manobras que rivalizam com as de qualquer pássaro.
Existem mais de 1.400 espécies de morcegos no mundo
Do tamanho de um polegar até quase a envergadura de uma águia, os morcegos compõem uma das ordens mais diversas entre os mamíferos, perdendo apenas para os roedores. No Brasil, estima-se que existam mais de 180 espécies catalogadas.
Alguns se alimentam de frutas, outros de insetos, néctar e até pequenos vertebrados. E sim, existem espécies hematófagas, como o famoso morcego-vampiro, mas representam uma minoria (apenas três espécies) e geralmente não atacam humanos.
Morcegos são essenciais para o equilíbrio ecológico
Se você aprecia o sabor de uma banana, manga ou até tequila, agradeça a um morcego. Muitas espécies frugívoras e nectarívoras atuam como importantes polinizadores e dispersores de sementes. Já os insetívoros ajudam a controlar populações de pragas em lavouras, o que beneficia diretamente a agricultura.
Em média, um único morcego pode comer milhares de insetos por noite, incluindo mosquitos e besouros. Sem esses pequenos voadores, os surtos de pragas poderiam ser bem mais intensos.
Eles se orientam por ecolocalização, como submarinos vivos
Já imaginou “ver” com os ouvidos? Morcegos desenvolveram um sistema incrível de ecolocalização. Eles emitem sons de alta frequência (inaudíveis para humanos) que ricocheteiam nos objetos ao redor e retornam como eco. Com base no tempo e na intensidade do retorno, eles conseguem formar uma espécie de “mapa sonoro” do ambiente.
Esse mecanismo permite que eles voem com precisão milimétrica, mesmo no breu total. É uma adaptação tão eficiente que vem sendo estudada por engenheiros e desenvolvedores de tecnologia para criar sensores e robôs autônomos.

Nem todo morcego vive em caverna
A imagem clássica de morcegos pendurados de cabeça para baixo em cavernas é real — mas incompleta. Algumas espécies vivem em ocas de árvores, sob folhas largas, em telhados abandonados e até em construções urbanas. Muitas vezes, passam despercebidos por estarem ativos apenas à noite.
Por serem discretos, os morcegos acabam sofrendo com destruição de habitats e perseguições injustas. No entanto, convivem pacificamente com os humanos quando não são ameaçados ou expulsos.
A visão negativa sobre os morcegos tem raízes religiosas, culturais e até cinematográficas. Mas a ciência e a observação cuidadosa mostram que esses animais são peças-chave no equilíbrio do planeta. Citado na Bíblia como impuro, o morcego hoje nos ensina que o valor de uma criatura vai muito além da aparência ou da tradição. É hora de olhar para ele com outros olhos — ouvidos, no caso — e perceber que, entre sombras e voos silenciosos, há um mundo inteiro de sabedoria camuflada em asas de couro.
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