Milho fecha a R$ 69,82 no físico e março/2027 chega a R$ 81,66 na B3. Entenda o prêmio de até 17% e o que a curva futura realmente mostra.
PARA QUEM TEM PRESSA
· O indicador físico usado na comparação fechou a R$ 69,82 por saca em 23/09.
· Janeiro/2027 terminou a R$ 79,69 e março/2027 a R$ 81,66 na B3.
· Março/2027 ficou R$ 11,84 por saca, ou cerca de 17%, acima da referência física.
· A curva futura mostra preços negociados para outros vencimentos; não é garantia de valorização do mercado à vista.
· Conab estima produção brasileira de milho de 144 milhões de toneladas em 2025/26.
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Milho: B3 negocia até 17% acima do físico
O milho encerrou 23 de setembro com uma diferença expressiva entre a referência do mercado físico e os contratos futuros negociados na B3. O indicador Cepea estava em R$ 69,82 por saca de 60 quilos, enquanto janeiro de 2027 fechou a R$ 79,69 e março a R$ 81,66.
A distância entre os dois mercados pode ajudar o produtor a comparar venda imediata, proteção de preço e oportunidades para períodos futuros. Mas há uma regra importante: preço futuro não é uma promessa de que o mercado físico chegará ao mesmo valor.
Quanto os contratos estavam acima do físico
Referência em 23/09/2026 R$/sc 60 kg Diferença para o físico Diferença %
Cepea — físico 69,82 — —
B3 — jan/2027 79,69 +9,87 +14,1%
B3 — mar/2027 81,66 +11,84 +17,0%
B3 — mai/2027 80,00 +10,18 +14,6%
B3 — jul/2027 78,60 +8,78 +12,6%
B3 — set/2027 78,62 +8,80 +12,6%
Fontes: Cepea/Esalq e B3. Elaboração: Agron.
O maior prêmio entre os vencimentos comparados aparecia em março de 2027: R$ 11,84 por saca acima da referência física usada no cálculo. Em termos percentuais, a diferença era de aproximadamente 17%.
Por que a curva futura pode ficar acima do mercado físico
Contratos com vencimentos diferentes refletem condições específicas para cada período. Expectativas de oferta e demanda, câmbio, custos de carregamento, disponibilidade do cereal, logística e informações novas podem alterar diariamente esses preços.
Por isso, dizer que março está 17% acima do físico não significa que o milho disponível subirá 17% até lá. Significa apenas que, em 23 de setembro, aquele vencimento estava sendo negociado em patamar superior à referência física escolhida para comparação.
Mercado físico reagiu na segunda quinzena
O indicador físico havia tocado R$ 69,20 por saca em 16 de setembro. Depois, passou a R$ 69,25 no dia 17, R$ 69,29 no dia 18, R$ 69,62 no dia 21, R$ 69,74 no dia 22 e R$ 69,82 no dia 23.
Da mínima do dia 16 ao fechamento do dia 23, a recuperação foi de R$ 0,62 por saca, equivalente a aproximadamente 0,9%.
Oferta brasileira segue elevada
No 12º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, a Conab estimou a produção total de milho em 144 milhões de toneladas, crescimento de 2% em relação à temporada anterior. A segunda safra responde por 112,1 milhões de toneladas.
Esse volume elevado é uma das peças do cenário que o mercado acompanha. No exterior, revisões de estoques e produção também entram na formação das expectativas refletidas na B3.
Como o produtor pode usar essa informação
A leitura mais útil da curva futura é compará-la com a cotação efetivamente disponível na própria praça, os custos de entrega e o vencimento escolhido. Essa comparação pode ajudar na avaliação de travas e proteção de preço, mas decisões comerciais exigem considerar risco, liquidez, custos e estratégia individual.
Fontes
Cepea/Esalq-USP — Indicador do Milho Esalq/B3.
B3 — Boletins e dados históricos de negociação de derivativos.
Conab — 12º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, publicado em 15/09/2026.
Imagem principal: Depositphotos.

