Mercado de reposição em São Paulo: Alta ou ilusão de pasto verde?

Preços sobem, oferta cai e o bezerro dispara. Será que o mercado de reposição em São Paulo está firme ou vivendo uma alta passageira?

🐄 Para Quem Tem Pressa

O mercado de reposição em São Paulo encerrou outubro em alta generalizada, com destaque para o bezerro de desmama, cujo ágio sobre o boi gordo chegou a 35,6%, o maior do ano. A demanda firme e a oferta restrita sustentaram o avanço nas cotações, deixando os produtores atentos às margens e às estratégias de compra fora do estado.


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O mercado de reposição em São Paulo em forte ascensão

O mês de outubro foi de otimismo no mercado de reposição em São Paulo, que registrou aumento nas cotações de todas as oito categorias monitoradas pela Scot Consultoria. A valorização ocorreu de forma consistente, impulsionada por um desequilíbrio clássico entre demanda aquecida e oferta contida — combinação que costuma resultar em preços firmes e margens mais apertadas para quem precisa repor o rebanho.

Segundo a consultoria, o boi magro apresentou valorização de 2,3%, o garrote subiu 2,5%, o bezerro de ano teve alta de 3,6%, e o bezerro de desmama alcançou 3,3% de valorização em relação a setembro. No conjunto, foi um mês de fôlego para os vendedores e de atenção redobrada para os invernistas.


O poder da demanda e o papel dos invernistas

O mercado de reposição em São Paulo viveu um outubro de intensa movimentação, reflexo da recuperação da arroba do boi gordo, que trouxe otimismo e estimulou a reposição. No entanto, a escassez de animais prontos dentro do estado levou muitos invernistas paulistas a buscarem alternativas em outros estados, especialmente Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás.

Essa movimentação interestadual é um dos sinais mais claros de que a oferta local não está acompanhando o ritmo da demanda. O resultado é um ambiente de preços firmes e, em alguns casos, negociações mais demoradas — um cenário que favorece os vendedores, mas exige cautela dos compradores para não comprometer as margens.


O ágio do bezerro: Um termômetro das margens

Entre os números mais marcantes de outubro está o ágio de 35,6% entre a arroba do bezerro de desmama e a do boi gordo, o maior percentual do ano. Na prática, isso significa que o mercado de reposição em São Paulo valorizou fortemente o animal jovem, refletindo o interesse dos recriadores em garantir genética e desempenho futuro — mesmo que isso custe mais caro no curto prazo.

Esse ágio elevado serve como um termômetro das margens da atividade pecuária. Quando o bezerro fica proporcionalmente mais caro, o lucro do recriador tende a se estreitar. Portanto, o atual cenário exige estratégias inteligentes de compra, planejamento de longo prazo e, claro, acompanhamento atento das cotações regionais.


As fêmeas também sobem e reforçam o ciclo de valorização

O comportamento de alta não ficou restrito aos machos. Entre as fêmeas, o mercado de reposição em São Paulo também registrou avanço expressivo. Em relação a setembro, as cotações subiram 3,5% para a vaca magra, 3,0% para a novilha, 3,8% para a bezerra de ano e 5,1% para a bezerra de desmama.

Essa valorização indica um mercado mais equilibrado e uma recomposição gradual dos plantéis de cria, especialmente em propriedades que haviam reduzido a participação de matrizes durante o período de preços baixos. O movimento reforça o sinal de confiança no ciclo pecuário de recuperação.


Figura 1.
Variação mensal de preços (outubro / setembro) da reposição, em São Paulo.


Perspectivas para novembro: Firmeza e cautela

O horizonte de novembro traz boas notícias, mas também alguns desafios. A expectativa é de que o mercado de reposição em São Paulo continue firme, sustentado pela valorização da arroba do boi gordo. No entanto, a tendência é de oscilações pontuais ao longo do mês, especialmente se o clima interferir na oferta de pastagem ou se houver mudanças no apetite do mercado externo.

Para os invernistas, o desafio será calibrar o momento de compra. Com o ágio do bezerro ainda alto e o custo da reposição pressionando as margens, o ideal é manter o foco em eficiência produtiva e na gestão de custos. Já para os criadores, o cenário segue favorável: a firmeza do mercado reforça a valorização dos animais de reposição, garantindo liquidez e bons preços.


O que explica a alta generalizada?

A explicação para o desempenho do mercado de reposição em São Paulo em outubro está em uma combinação de fatores econômicos e sazonais.

  1. Oferta restrita: a retenção de fêmeas e o menor volume de desmama reduziram o número de animais disponíveis.
  2. Demanda firme: com o boi gordo em recuperação, os invernistas voltaram a investir na reposição.
  3. Custo de oportunidade: muitos pecuaristas preferiram manter os animais no pasto, apostando em valorização futura.
  4. Condições climáticas favoráveis: as chuvas retornaram em boa parte do estado, melhorando a oferta de pastagens e sustentando a capacidade de retenção.

Esses elementos explicam por que o mercado paulista registrou um dos melhores desempenhos do ano e reforçam a tendência de firmeza no curto prazo.


Conclusão: Um outubro para ficar na história da reposição

O mercado de reposição em São Paulo viveu um outubro de alta histórica, com todas as categorias valorizadas e um ágio recorde de 35,6% no bezerro de desmama. A força da demanda, somada à limitação de oferta e ao otimismo com o boi gordo, desenhou um cenário robusto, ainda que desafiador para os invernistas.

Em novembro, o equilíbrio entre custo e oportunidade continuará sendo a chave. A tendência é de mercado firme, com possíveis oscilações pontuais — um ambiente que favorece quem planeja, monitora e investe de forma estratégica.

Douglas Carreson

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Douglas Carreson

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