O mercado do boi gordo sofre forte pressão de baixa com o avanço das escalas de abate e o consumo lento. Veja os preços da arroba e o que esperar para maio.
Para Quem Tem Pressa
O mercado do boi gordo registrou novas quedas em diversas regiões do Brasil devido ao auge da safra, que aumentou a oferta de animais a pasto e alongou as escalas de abate dos frigoríficos (hoje entre 7 e 9 dias). Para completar o cenário indigesto, o consumo interno de carne bovina pisou no freio na segunda quinzena de maio, forçando o consumidor a migrar para o frango e o ovo. No front externo, barreiras iminentes na Europa e tarifas na China deixam a indústria em alerta máximo.
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Safra e pastagens secas aceleram a pressão sobre a arroba
O mercado do boi gordo voltou a testar a paciência do pecuarista brasileiro. No auge da safra de capim, a perda gradual da qualidade das pastagens tirou o poder de barganha do produtor, que agora se vê obrigado a desovar os animais terminados. Como o frigorífico não é bobo e nem faz caridade, a indústria aproveitou a porteira aberta para alongar suas escalas de abate, que hoje operam confortavelmente entre sete e nove dias úteis na média nacional.
Com a escala garantida para a semana inteira, a necessidade de compras agressivas evaporou. O resultado prático disso? O mercado do boi gordo perdeu sustentação até mesmo em praças que vinham demonstrando uma resistência invejável, como o estado de Mato Grosso.
Preços despencam nas principais praças pecuárias
A calmaria nas mesas de compras dos frigoríficos redesenhou o mapa de cotações pelo país. De acordo com os dados mais recentes de consultorias como Scot e Safras & Mercado, a desvalorização foi geral e não poupou nem o padrão exportação.
Na praça de São Paulo, a Agrifatto apontou o boi comum cotado a R$ 345/@, enquanto o cobiçado “boi-China” recuou para R$ 355/@. Veja como ficou a média para o mercado do boi gordo em outros estados:
| Estado | Preço Médio da Arroba (R$/@) |
| Mato Grosso | R$ 353,31 |
| São Paulo | R$ 346,67 |
| Mato Grosso do Sul | R$ 345,91 |
| Goiás | R$ 329,89 |
| Minas Gerais | R$ 328,24 |
Analistas apontam que a tendência de baixa deve persistir ao longo da segunda quinzena de maio, já que o volume de gado pronto para o gancho continua elevado.
O bolso do brasileiro e a “ressaca” do Dia das Mães
Se no campo tem muito boi, na cidade falta apetite — ou melhor, dinheiro. Após o pico de vendas do Dia das Mães, o mercado interno de carne bovina entrou em uma espécie de “ressaca” comercial. Com a entrada da segunda metade do mês, o poder de compra da população murchou, e os relatos de carne encalhada no varejo e devoluções de mercadorias aos frigoríficos dispararam.
Nota do Analista: Diante do preço da picanha, o consumidor doméstico ativou o modo de sobrevivência econômica e migrou sem remorso para proteínas concorrentes mais baratas, transformando o frango e os ovos nos grandes protagonistas do prato brasileiro.
No atacado, os cortes desossados lideram as quedas. O quarto traseiro está cotado na casa dos R$ 27,50/kg, enquanto o dianteiro e a ponta de agulha são negociados a R$ 21,50/kg e R$ 20,00/kg, respectivamente.
Nuances globais: O fantasma europeu e as taxas da China
Para deixar o cenário do mercado do boi gordo ainda mais temperado com incertezas, o tabuleiro do comércio exterior acendeu o sinal amarelo. Os exportadores acompanham com os olhos bem abertos os movimentos geopolíticos que prometem redesenhar os fluxos de embarque.
A União Europeia já sinalizou que pretende retirar o Brasil da sua lista de fornecedores de carne bovina a partir de setembro de 2026. Paralelamente, o mecanismo de salvaguarda da China ameaça taxar em pesados 55% as exportações brasileiras que ultrapassarem as cotas permitidas. Com medo de acumular estoques caros em um momento de calmaria global, os frigoríficos preferem pisar no freio e adotar uma postura extremamente cautelosa.
Futuros na B3 acompanham o tombo do físico
Como o desânimo é contagioso, o mau humor do mercado físico do boi gordo cruzou as fronteiras das fazendas e desembarcou direto na bolsa de mercadorias e futuros (B3). Os contratos futuros também fecharam as últimas sessões tingidos de vermelho.
O contrato com vencimento para maio de 2026 encerrou cotado a R$ 340,70/@, registrando uma retração de 0,93%. No curto prazo, a leitura dos especialistas é unânime: enquanto as escalas de abate continuarem confortáveis e o consumo doméstico patinar, o mercado do boi gordo continuará operando sob forte pressão de baixa. Ao pecuarista, resta fazer as contas na ponta do lápis e calibrar a estratégia de venda.
Imagem principal: Meramente ilustrativa gerada por IA.

