Manteiga de carbono: Risco à saúde e ao campo

A manteiga de carbono, feita de CO₂ e hidrogênio, promete ser sustentável, mas levanta alertas sobre saúde, economia rural e monopólios alimentares.

Para quem tem pressa:

A manteiga de carbono, desenvolvida pela startup Savor e apoiada por Bill Gates, é criada em laboratório a partir de dióxido de carbono e hidrogênio. Vendida como “verde” e “inovadora”, esconde riscos à saúde, ameaça a pecuária leiteira e concentra poder na indústria alimentícia.


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O que é a manteiga de carbono?

A manteiga de carbono é uma gordura artificial, produzida sem leite, sem plantas e sem óleos tradicionais. Criada pela Savor, fundada em 2022, utiliza um processo que combina CO₂ capturado e hidrogênio para montar moléculas semelhantes às gorduras naturais. O objetivo declarado é reduzir as emissões da produção tradicional de manteiga, associada à pecuária leiteira.


Como funciona o processo

1. Captura de CO₂

O dióxido de carbono é retirado do ar ou de fontes industriais.

2. Produção de hidrogênio

Obtido por eletrólise ou outros métodos que demandam muita energia.

3. Síntese termoquímica

Em reatores, CO₂ e hidrogênio se combinam para formar ácidos graxos sintéticos.

4. Formulação alimentar

A gordura resultante é processada para imitar o sabor e a textura da manteiga.


Por que esse alimento é polêmico

Segurança alimentar incerta

Não existem estudos conclusivos sobre os efeitos do consumo contínuo dessa gordura sintética. Semelhante não significa igual: o corpo pode reagir de maneira diferente às moléculas artificiais.

Monopólio tecnológico

Pequenos produtores não conseguem competir. O controle da produção fica nas mãos de poucas empresas com alta tecnologia, aumentando a dependência do consumidor.

“Marketing verde” questionável

Embora capture CO₂, o processo consome energia — e, se ela vier de fontes fósseis, a pegada de carbono pode ser maior do que a divulgada.

Perda nutricional

Gorduras naturais oferecem vitaminas lipossolúveis essenciais (A, D, E, K). A versão sintética precisa ser enriquecida artificialmente.


Impactos econômicos e sociais

A substituição da manteiga natural pela manteiga de carbono ameaça milhões de famílias ligadas à pecuária leiteira. No Brasil, onde o setor é vital para a economia rural, isso poderia gerar desemprego e concentração de renda em empresas de biotecnologia.


O discurso ambiental vs. a realidade

Apesar do apelo “climático”, há pontos ignorados:

O real impacto depende da matriz energética usada.

A captura de CO₂ em pequena escala é irrelevante diante do total global.

Soluções alimentares artificiais podem gerar novos problemas ambientais e de saúde.


Conclusão: Cautela antes da adoção

A chamada “manteiga de carbono” é apresentada como uma inovação sustentável por ser feita de CO₂ e hidrogênio em laboratório, mas o contexto revela que seu impacto é mais complexo e incerto do que o marketing sugere. Apesar da promessa de reduzir emissões da pecuária, o produto ainda carece de estudos robustos sobre segurança alimentar e possíveis efeitos à saúde humana, já que gorduras sintéticas não reproduzem integralmente o perfil nutricional das naturais.

Do ponto de vista econômico e social, a adoção em larga escala poderia enfraquecer a pecuária leiteira, afetando milhões de famílias, especialmente em países como o Brasil, e concentrando o poder de produção nas mãos de poucas empresas de biotecnologia. Ambientalmente, a pegada real depende da fonte de energia utilizada e da escala de captura de CO₂, que pode ser insuficiente para gerar impacto global significativo.

Portanto, a conclusão é que a manteiga de carbono deve ser encarada com cautela: é preciso transparência sobre o processo, avaliação independente dos riscos, e garantia de que consumidores mantenham alternativas naturais. Sem isso, o que hoje é vendido como “solução climática” pode se tornar mais um fator de desequilíbrio econômico, nutricional e ambiental.

Douglas Carreson

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