Você sabia que o macho da ema choca ovos de várias fêmeas? Conheça a rotina da maior ave brasileira nos campos

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A postura coletiva reúne diferentes mães no mesmo ninho, enquanto o pai assume a incubação e conduz os filhotes depois do nascimento

A ema (Rhea americana) tem uma divisão de tarefas que surpreende quem encontra um adulto cercado de filhotes no campo: é o macho que prepara o ninho, choca ovos postos por várias fêmeas e depois acompanha as crias. As fêmeas podem seguir para outros parceiros e realizar novas posturas, enquanto ele permanece responsável pela incubação.

Ema macho incuba ovos no Cerrado_11zon

Esse comportamento faz parte do sistema reprodutivo da espécie Rhea americana, a maior ave brasileira. Portanto, aquele adulto conduzindo um grupo de pequenos entre a vegetação não deve ser automaticamente identificado como a mãe. No caso da ema, o cuidado paterno começa antes do nascimento e continua quando os filhotes já conseguem caminhar.

Como o macho da ema reúne ovos de várias fêmeas

O ninho da ema fica no chão. Segundo a Embrapa, o macho prepara uma depressão rasa, cercada por ramos e vegetação, onde diferentes fêmeas depositam seus ovos. A estrutura recebe uma postura coletiva, em vez de abrigar apenas os ovos de uma única parceira.

A reprodução da ema combina dois comportamentos: um macho acasala com várias fêmeas, e elas podem se reproduzir com outros machos ao longo da estação. Isso explica como diferentes mães contribuem para o mesmo ninho, sem que exista um revezamento feminino para chocá-lo.

O calendário varia conforme a região. A Embrapa situa a atividade reprodutiva entre agosto e janeiro e informa que um macho pode incubar de dez a sessenta ovos. Essa amplitude não significa que todos os ninhos tenham dezenas de filhotes: quantidade de ovos e número de nascimentos são medidas diferentes.

Semanas no ninho e uma mudança de rotina

A ficha do Parque Ecológico de Americana apresenta uma incubação de 27 a 41 dias para a ema. É uma referência de duração, não uma contagem invariável para qualquer ninho. Durante esse período, o desenvolvimento dos embriões depende das condições mantidas pela incubação.

A postura no solo também deixa essa etapa ligada ao que acontece na paisagem. O Guia de Aves do Parque Nacional de Brasília destaca que o fogo nos campos pode coincidir com a época de postura. A publicação alerta que a perda dos ovos da ema, diante de um período longo de incubação, dificulta uma reposição naquela temporada.

Assim, proteger os locais usados pela ema para reproduzir-se tem importância além da presença dos adultos. Uma ave grande e capaz de correr continua dependendo de um ponto fixo do terreno enquanto seus ovos se desenvolvem.

Os filhotes andam cedo, mas continuam precisando do pai

Os filhotes da ema conseguem andar e correr em menos de um dia após a eclosão. Eles também buscam alimento por conta própria. Essa autonomia inicial, porém, não elimina a função do adulto: ele reúne o grupo, vigia o ambiente e conduz as crias até áreas favoráveis à alimentação.

Uma pesquisa da Universidade de Passo Fundo, publicada em 2005 na Revista de Etologia, acompanhou três machos em uma propriedade agropecuária de Coxilha, no Rio Grande do Sul. Conduzir os filhotes da ema foi o comportamento de cuidado registrado com maior frequência.

O estudo observou diferenças entre os pais e, no grupo acompanhado em duas faixas etárias, redução do cuidado conforme as crias cresciam. Como foram poucos animais observados, os resultados descrevem aquela amostra; não estabelecem um roteiro rígido para toda ema na natureza.

Ainda assim, o trabalho ajuda a entender uma cena comum aos registros da espécie: o adulto não está apenas caminhando ao lado dos pequenos. Seus deslocamentos e respostas a ameaças fazem parte do cuidado parental.

Uma ave dos campos que precisa de espaço

A ema é uma ave sul-americana e não voa. Sua presença está associada a ambientes abertos, incluindo campos e Cerrado. O Parque Ecológico de Americana registra sua distribuição também em países vizinhos, como Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai.

Na alimentação das aves silvestres, ela representa um exemplo de dieta variada: consome folhas, frutos, sementes, insetos e pequenos vertebrados. O guia do ICMBio registra hábitos diurnos e a formação de bandos com adultos e jovens fora da época reprodutiva.

Para quem observa a fauna brasileira no campo, a consequência prática é manter distância de ninhos e grupos com filhotes, sem tentar separá-los ou provocar uma reação do adulto. Reconhecer o papel do macho da ema permite enxergar, naquela caminhada pela vegetação, uma família em plena rotina de alimentação e proteção.


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