Lagarto teiú, o réptil brasileiro troca de pele com uma frequência impressionante
Você já viu um animal literalmente se desfazer da própria pele para seguir crescendo? No Brasil, existe um réptil que faz isso tantas vezes ao longo da vida que parece estar sempre se renovando. Estamos falando do teiú, um lagarto nativo de diversas regiões do país e dono de um comportamento fascinante: ele troca de pele com uma frequência impressionante, em um verdadeiro espetáculo da natureza.
O teiú e seu ciclo constante de renovação
O teiú (Salvator merianae) é um dos maiores lagartos da América do Sul e habita boa parte do território brasileiro, incluindo áreas de Mata Atlântica, Cerrado, Pampas e até zonas urbanas. Com corpo robusto, cauda longa e coloração que mescla o preto e branco em padrões únicos, o teiú se destaca não só pela aparência — mas pela forma como se regenera.
Durante o crescimento, especialmente nos primeiros anos de vida, o lagarto realiza a ecdise (troca de pele) com grande frequência. Filhotes podem renovar sua epiderme a cada duas semanas, um intervalo muito menor do que em outros répteis. Mesmo os adultos continuam trocando de pele, embora em ritmos mais espaçados.
Por que o teiú troca de pele com tanta frequência?
O principal motivo é fisiológico: a pele dos répteis não cresce junto com o corpo. No caso do teiú, que pode atingir até 1,5 metro de comprimento, o crescimento acelerado exige que ele se livre constantemente da camada antiga para dar espaço à nova. Esse processo garante que o animal continue se desenvolvendo sem restrições físicas.
Mas não é só isso. A troca de pele frequente ajuda a:
- Reduzir a carga de parasitas externos;
- Rejuvenecer sua aparência, renovando a coloração para camuflagem;
- Melhorar a eficiência da regulação térmica;
- Evitar infecções por fungos e bactérias acumuladas na pele velha.
Como o teiú realiza esse processo?
A ecdise no lagarto acontece por etapas. Diferente das cobras, que trocam a pele inteira de uma só vez, o teiú se desfaz da pele em pedaços. O processo começa com uma secreção natural que separa a pele antiga da nova, deixando os olhos opacos e a cor do corpo esbranquiçada. Em seguida, o lagarto esfrega-se em troncos, pedras ou o solo para acelerar a liberação da pele.
Durante esse período, ele tende a ficar mais recluso. Sua sensibilidade aumenta, o que o torna menos ativo e mais arisco. Em alguns casos, ele reduz o ritmo de alimentação para concentrar energia na renovação epidérmica.
Um símbolo de transformação na natureza brasileira
Além do aspecto biológico, o teiú também carrega um simbolismo forte. Sua constante renovação faz dele um ícone de transformação. Algumas culturas indígenas brasileiras enxergam nesse réptil um sinal de resistência e renascimento. Há quem diga que observar um teiú trocando de pele é como assistir a uma lição viva de superação — uma metáfora para as mudanças inevitáveis da vida.
Importância ecológica do teiú nos biomas brasileiros
O teiú não é apenas impressionante por sua biologia. Ele cumpre um papel fundamental nos ecossistemas onde vive. Onívoro, alimenta-se de frutas, insetos, pequenos vertebrados e até ovos de aves. Com isso, contribui tanto para o controle de pragas quanto para a dispersão de sementes.
Esse equilíbrio, no entanto, vem sendo ameaçado. O avanço urbano e agrícola reduz seus habitats naturais, e o teiú frequentemente é atropelado ou caçado. Em algumas regiões, ainda é alvo da caça ilegal, tanto por sua carne quanto por ser vendido como animal de estimação.
O teiú em áreas urbanas: um desafio de convivência
Com a diminuição das florestas e matas nativas, o teiú tem se aproximado cada vez mais dos centros urbanos. Não é raro encontrar esse réptil em chácaras, terrenos baldios ou até quintais. Apesar de causar certo medo em algumas pessoas por seu tamanho e aparência, o teiú não representa perigo direto para humanos.
Por ser um animal territorialista e de hábitos diurnos, sua presença pode ser facilmente notada. Quando em época de troca de pele, fica mais vulnerável e precisa de tranquilidade para completar o processo. Respeitar esse momento é essencial para garantir a saúde do animal e a segurança das pessoas.
Preservar é garantir o ciclo da natureza
Conhecer o teiú é também entender um pedaço da biodiversidade brasileira que está sob constante ameaça. Sua impressionante frequência de troca de pele é apenas uma das muitas adaptações que fazem desse lagarto uma peça-chave no equilíbrio ambiental. Proteger sua existência é proteger todo um ciclo natural que beneficia o solo, as plantas, outros animais — e, por tabela, o próprio ser humano.
Que tal, então, ao encontrar um teiú por aí, observar de longe, aprender com ele e se lembrar que às vezes, para seguir em frente, tudo o que precisamos é trocar de pele.
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