Extinção dos Jumentos no Brasil: O Drama Oculto Que Ameaça o Semiárido

A extinção dos jumentos no Brasil ameaça a biodiversidade e comunidades rurais. Entenda causas, impactos e soluções sustentáveis para evitar essa perda.

Para Quem Tem Pressa

A Extinção dos Jumentos no Brasil está prestes a se tornar realidade, com 94% da população desaparecida em apenas três décadas. A demanda por ejiao na China, o abate intenso na Bahia e a falta de políticas eficazes empurram a espécie para o abismo. Sem eles, o semiárido brasileiro perde biodiversidade e comunidades rurais ficam vulneráveis. Ainda há esperança — projetos de lei e novas tecnologias podem salvar o jumento nordestino. Mas o tempo está acabando.


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A Tragédia Silenciosa no Semiárido

Nos últimos 30 anos, o Brasil viu sumir 94% da população de jumentos, num processo tão rápido quanto invisível para a maioria das pessoas. O rebanho, que em 1999 somava 1,37 milhão de animais, encolheu para cerca de 78 mil em 2025, segundo dados da FAO, IBGE e Agrostat. Ou seja, restam apenas 6 jumentos para cada 100 que existiam há três décadas.

A principal causa está no comércio internacional: a indústria chinesa de ejiao, um suplemento feito a partir do colágeno extraído da pele dos jumentos, alimenta uma cadeia global bilionária — e extremamente cruel.


O Centro do Problema: Bahia e o Abate Legalizado

Entre 2018 e 2024, foram abatidos 248 mil jumentos no Brasil. A maioria caiu sob o cutelo dos três frigoríficos localizados na Bahia, autorizados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). É lá que o abate de jumentos no Brasil se transformou em negócio lucrativo, mesmo diante de protestos de ONGs e pesquisadores.

Para Patricia Tatemoto, coordenadora da campanha da The Donkey Sanctuary no Brasil, o risco é gravíssimo:

“O jumento nordestino possui um perfil genético único, adaptado ao semiárido brasileiro. Sua extinção seria uma perda irreparável para nossa biodiversidade e para as comunidades rurais que dependem dele.”


Consequências Para a Biodiversidade e Para as Comunidades

A extinção dos jumentos no Brasil não é apenas um drama animalista. O semiárido brasileiro pode perder um de seus principais agentes de equilíbrio ambiental. Além disso, pequenos agricultores que ainda usam os jumentos como transporte, tração ou até mesmo companhia, ficariam ainda mais vulneráveis.

E há também a dimensão cultural. O jumento faz parte da história, da iconografia nordestina, das músicas, do folclore. Perdê-lo seria, literalmente, arrancar uma página da identidade do Brasil.


Caminhos Sustentáveis e Tecnologias Promissoras

A boa notícia? Há alternativas reais para evitar essa tragédia. Patricia Tatemoto aponta três saídas:

  • deixar os jumentos livres na natureza
  • mantê-los como apoio à agricultura familiar
  • promovê-los como animais de companhia

Além disso, há avanços tecnológicos. O agrônomo e doutor em economia aplicada pela USP, Roberto Arruda, destaca a fermentação de precisão:

“Já existem soluções viáveis, como a fermentação de precisão, que permite produzir colágeno em laboratório sem recorrer à exploração animal. É uma oportunidade para o Brasil liderar um modelo mais sustentável e ético.”


Pressão Política e Mobilização Internacional

Atualmente, há dois projetos de lei em tramitação no Brasil:

  • PL nº 2.387/2022, no Congresso Nacional, que já passou pela CCJ da Câmara
  • PL nº 24.465/2022, na Assembleia Legislativa da Bahia, aguardando votação em plenário

A mobilização não está isolada. Em 2023, a União Africana aprovou uma moratória contra o abate de jumentos para exportação. Países como Quênia, Nigéria e Tanzânia já proíbem a prática.

Pierre Barnabé Escodro, professor da UFAL, é taxativo:

Não podemos continuar sendo o elo frágil de uma cadeia internacional que lucra com a morte de um animal essencial para comunidades vulneráveis. O Brasil precisa alinhar sua legislação às boas práticas já adotadas por outros países do Sul Global.


O Que Está em Jogo

A extinção dos jumentos no Brasil é um daqueles problemas que parecem distantes, mas cujas consequências podem atingir economia, meio ambiente e cultura de forma devastadora.

Com humor, mas também com seriedade: quem imaginaria que um animal muitas vezes tratado com piadas em programas de humor seria, hoje, peça-chave em discussões globais sobre sustentabilidade, justiça social e biotecnologia?

Pois é. Parece que quem chamava o jumento de “bicho burro” não estava prestando atenção. A burrice, neste caso, seria nossa, se deixássemos que ele sumisse do mapa.

Imagem principal: YouTube.

Douglas Carreson

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