Foto ilustrativa
Na planície onde o rio Brahmaputra ruge durante as monções, parecia impossível que algo voltasse a nascer. Mas um homem decidiu não aceitar o destino imposto pela erosão.
Sem maquinário, sem equipe e sem aplausos, Jadav Payeng — hoje conhecido como Forest Man of India — transformou um deserto de areia em uma floresta viva que cobre mais de 550 hectares, maior que o Central Park de Nova York.
Em 1979, uma enchente devastou parte da ilha de Majuli, no nordeste da Índia. Quando as águas baixaram, Payeng encontrou dezenas de cobras mortas, queimadas pelo sol no solo estéril. “Se tivessem árvores aqui, elas teriam sobrevivido”, pensou o adolescente de 16 anos.
A partir daquele dia, decidiu plantar uma árvore por vez. Sozinho. Todos os dias.
Começou com bambus, porque crescem rápido e protegem o solo. Depois vieram as espécies maiores, como arjun, valcol e ejar — todas nativas, escolhidas com cuidado.
Décadas depois, a Floresta Molai cobre mais de cinco milhões de metros quadrados. O que antes era terra rachada hoje é um corredor de vida. Elefantes, rinocerontes e tigres-de-bengala voltaram à região, e até os abutres, ausentes há anos, reapareceram.
O mais curioso é que tudo começou sem planejamento técnico, sem doações e sem governo. Apenas um homem e a natureza, em diálogo diário.
Payeng costuma dizer que o segredo é a paciência:
“As árvores são como filhos. Crescem devagar, mas quando florescem, te protegem de volta.”
Por quase três décadas, ninguém fora da ilha sabia da floresta.
Até que, em 2009, o fotógrafo Jitu Kalita explorava as margens do Brahmaputra e avistou uma mancha verde no horizonte. Quando chegou, encontrou Payeng sozinho, entre árvores altíssimas e animais selvagens.
Kalita publicou uma reportagem local. Em pouco tempo, o nome de Jadav Payeng ecoava por toda a Índia. Ele passou de agricultor anônimo a símbolo mundial de restauração ambiental.
Majuli era uma das maiores ilhas fluviais do mundo — e também uma das mais ameaçadas. A erosão já havia engolido mais da metade de sua área desde 1917. As monções arrastavam solo e esperança, deixando centenas de famílias sem terra.
Com o crescimento da Floresta Molai, o cenário começou a mudar. O novo ecossistema ajudou a conter o avanço do rio, restaurando lençóis freáticos e devolvendo fertilidade à terra. A comunidade local passou a ter sombra, frutos e até pequenos recursos econômicos obtidos de forma sustentável.
Quando sua história viralizou, Payeng recebeu prêmios nacionais, incluindo o Padma Shri — uma das maiores honrarias civis da Índia.
Mas ele confessa incômodo com o excesso de cerimônias e a falta de ação real.
“Eles me dão medalhas, mas não me dão gente para plantar”, costuma dizer com ironia.
Mesmo com o título de Forest Man of India, Payeng continua levando uma vida simples em sua casa na ilha, onde acorda ao nascer do sol e caminha até o bosque para cuidar das árvores.
O que mais o preocupa hoje é a continuidade. Payeng acredita que reflorestar não é apenas plantar árvores — é reconstruir relações entre humanos e natureza.
Ele defende o cultivo de coqueiros e outras espécies resistentes para conter a erosão e gerar renda às comunidades ribeirinhas. O método, segundo ele, poderia transformar o vale inteiro do Brahmaputra em uma barreira natural contra enchentes.
Sua filha, Munmuni Payeng, assumiu parte da missão. Conhecida como “Forest Queen”, ela lidera um projeto que pretende plantar um milhão de árvores em Majuli. O legado da família começa a ganhar escala.
A história de Jadav Payeng se tornou inspiração global porque rompe o paradigma da dependência institucional. Mostra que a restauração ambiental não precisa começar com bilhões, mas com um gesto contínuo.
Em uma época em que o mundo discute metas de carbono e sustentabilidade, ele prova que o ato mais revolucionário ainda é plantar uma árvore.
“Se uma pessoa pode mudar o destino de uma ilha”, diz Payeng,
“imagine o que mil pessoas poderiam fazer pelo planeta.”
Num tempo de urgências e catástrofes, Payeng lembra que regenerar é um verbo paciente. Sua floresta não é apenas um feito ambiental — é um lembrete de que o tempo, quando cultivado, devolve vida.
Ao caminhar entre as sombras que ele mesmo plantou, Payeng já não luta contra o rio. Ele aprendeu a fluir com ele.
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