Encontrei um jabuti andando no quintal: posso ficar com ele? Veja o que diz a lei
Era fim de tarde quando o barulho entre as folhas secas chamou atenção. No meio do jardim, um jabuti caminhava lentamente, como se fosse o verdadeiro dono da casa. A cena, que pode parecer inofensiva ou até encantadora, levanta uma dúvida que muitos brasileiros enfrentam: será que posso ficar com um jabuti que apareceu no meu quintal? A resposta envolve mais do que bom senso — envolve a legislação ambiental brasileira.
Posso ficar com o jabuti? Veja o que diz a lei
A palavra-chave aqui é “silvestre”. Mesmo domesticados por séculos em algumas regiões, jabutis são animais silvestres nativos da fauna brasileira. Isso significa que, por lei, eles não podem ser mantidos em cativeiro por qualquer pessoa, a menos que haja autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98), manter animal silvestre sem autorização é infração passível de multa e detenção. Ou seja, encontrar um jabuti não lhe dá o direito automático de adotá-lo. Mesmo que a intenção seja proteger o bichinho, a posse irregular configura crime ambiental.
Mas e se ele estiver ferido ou abandonado?
Se o jabuti parecer machucado, desidratado ou em risco, o ideal é recolhê-lo temporariamente para protegê-lo — mas nunca com a intenção de ficar com ele. O passo seguinte é acionar os órgãos ambientais responsáveis. Em áreas urbanas, a Polícia Ambiental, o IBAMA ou até o corpo de bombeiros podem ser contatados para orientar sobre o resgate.
É importante lembrar que manter o animal, mesmo com boas intenções, pode prejudicá-lo. Jabutis exigem alimentação específica, exposição ao sol e um ambiente que respeite seu ritmo e necessidades fisiológicas. Um manejo inadequado pode levá-lo ao estresse, doenças ou morte.
O que fazer até o resgate chegar
Enquanto o órgão responsável não chega, mantenha o jabuti em local seguro, com sombra e acesso a água. Você pode oferecer folhas verdes como alface, rúcula ou dente-de-leão, mas evite alimentos industrializados ou ricos em açúcar. Não o molhe nem tente forçá-lo a andar ou interagir — ele precisa de calma.
Evite que crianças ou animais domésticos fiquem próximos, pois o jabuti pode se assustar com facilidade. Lembre-se: apesar da aparência tranquila, ele ainda é um animal silvestre, com comportamentos próprios e instintos naturais.
Jabuti pode ser pet? Só se for legalizado
Quem deseja ter um jabuti legalmente como animal de estimação precisa comprá-lo em criadouros legalizados, registrados no IBAMA. Esses criadouros fornecem nota fiscal e microchipagem do animal, garantindo sua procedência e o cumprimento das exigências ambientais.
Além disso, o tutor precisa manter o animal em condições adequadas, com acompanhamento veterinário especializado em silvestres. Ainda assim, é importante refletir: jabutis vivem décadas e exigem cuidados contínuos. A posse deve ser sempre consciente e responsável.
Soltar o animal na natureza é uma boa ideia?
Jamais. Soltar um jabuti em qualquer área verde, achando que ele “vai se virar”, pode ser ainda mais danoso do que mantê-lo preso. Se o animal não é da região, ele pode desequilibrar o ecossistema local ou não sobreviver em um habitat inadequado. Apenas os centros de triagem e reabilitação da fauna silvestre têm estrutura para reintegrar o animal com segurança.
O encontro com um jabuti pode ser um presente da natureza — mas ele também traz uma responsabilidade. Em vez de pensar em ficar com o animal, a melhor forma de ajudar é encaminhá-lo para quem tem estrutura para isso. Respeitar a legislação ambiental é, antes de tudo, uma forma de cuidar da vida silvestre e garantir que outros também possam ter o privilégio de encontros assim no futuro.
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