Estudo revela impacto das mudanças climáticas na produtividade da soja no Brasil: Desafios e soluções para a agricultura sustentável.
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Um estudo recente realizado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam) revelou que as altas temperaturas e secas estão tendo um impacto negativo na produtividade da soja no Brasil. Publicado no International Journal of Agricultural Sustainability em janeiro deste ano, o estudo destacou que o cerrado brasileiro está enfrentando um declínio na produtividade da soja devido a esses fatores climáticos. De acordo com os pesquisadores, a cada aumento de 1°C na temperatura acima da média histórica entre 1980 e 2018, a produtividade da soja diminui em 6%. Embora esse número possa parecer pequeno, as secas causadas pelo fenômeno El Niño em 2015 e 2016 resultaram em um aumento de mais de 3°C em algumas áreas do cerrado, levando a perdas de produtividade de até 18%, sem considerar outros fatores como manejo do solo, irrigação e pragas.
Daniel Silva, líder da pesquisa do Ipam e estudante de doutorado na Universidade do Texas, EUA, alertou para os riscos significativos que a recorrência do El Niño em 2023 pode representar para a produção de soja. Um estudo conduzido pela UnB e publicado em 2022 também revelou que os solos expostos no cerrado retêm menos umidade, afetando o ciclo da água. Esse estudo constatou uma redução de 10% na água reciclada para a atmosfera e um aumento médio de 0,9°C na temperatura do bioma, exatamente o que a soja evita, de acordo com estudos da Embrapa.
O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) prevê que as temperaturas nas regiões centrais do Brasil continuarão subindo acima da média global. Entre 2011 e 2019, secas extremas afetaram quase todo o território brasileiro, principalmente as regiões Nordeste e Sudeste, estabelecendo recordes de 60 anos, de acordo com um estudo do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI) publicado em 2019.
É importante ressaltar que a produção de soja desempenha um papel fundamental na economia brasileira e global. O Brasil é responsável por 40% da produção mundial de soja, ultrapassando os Estados Unidos, que detêm uma fatia de 30%. Além disso, a expansão das áreas de cultivo de soja para regiões como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) tem permitido o aproveitamento de terras anteriormente não utilizadas para a agricultura, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar.
O cerrado desempenha um papel fundamental na produção de alimentos no Brasil, ocupando 25% do território do país. Metade dessa região é dedicada à agricultura, enquanto a outra metade é preservada. No entanto, políticas europeias que proíbem a compra de produtos provenientes de áreas convertidas para agricultura no cerrado após 2020 têm congelado cerca de 35 milhões de hectares de reservas legais que poderiam ser incorporados à agricultura. É essencial embasar o debate em dados científicos sólidos para promover a sustentabilidade e garantir a proteção dos biomas.
Apesar dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, é crucial reconhecer os esforços da ciência e da tecnologia na busca por soluções e adaptação. Pesquisas científicas realizadas pela Embrapa e pelo Ipam têm contribuído para o desenvolvimento de sementes adaptadas e práticas de manejo do solo que aumentam a produtividade da soja, mesmo em condições climáticas adversas. Além disso, os investimentos em tecnologia têm possibilitado a implementação de sistemas de plantio direto e rotação de culturas, que ajudam a mitigar os impactos negativos das variações climáticas.
Estudos científicos continuam a desafiar a noção de que a agricultura é a vilã do uso da água. Há um debate constante sobre o impacto da agricultura no uso da água e a suposta escassez hídrica causada por essa atividade. No entanto, pesquisas realizadas pela Embrapa Cerrados têm desmistificado essas afirmações e fornecido uma visão diferente.
Uma pesquisa coordenada por Lineu Rodrigues, especialista em engenharia de irrigação e manejo de água da Embrapa, concluiu que a agricultura, na verdade, contribui para a reciclagem da água de boa qualidade. As áreas de cultivo agrícola funcionam como esponjas, retendo a água da chuva e liberando-a gradualmente para a infiltração nos lençóis freáticos. Essas plantações são mais eficientes nessa reciclagem em comparação com as árvores da vegetação nativa, uma vez que as árvores com raízes mais profundas acabam consumindo mais água do subsolo. Dessa forma, a agricultura contribui para uma maior recarga dos lençóis freáticos e impede que os rios sequem durante períodos de estiagem.
A pesquisa da Embrapa também demonstra que, se hipoteticamente todo o bioma do Cerrado fosse convertido para o plantio de soja, a recarga de água nos lençóis freáticos seria estimada em apenas 46% da quantidade resultante das chuvas. Em contraste, se todo o bioma voltasse à sua cobertura nativa de cerrado, apenas cerca de 26% da recarga original ocorreria. Isso enfatiza a importância da agricultura na recarga de água subterrânea e sua contribuição para o abastecimento dos rios e mananciais, mesmo durante períodos de seca. No entanto, é fundamental encontrar um equilíbrio entre a agricultura e a preservação do cerrado, adotando práticas agrícolas sustentáveis que minimizem os impactos ambientais e maximizem a conservação dos recursos hídricos. Além disso, a proteção das áreas de cerrado remanescentes é essencial para a recarga dos aquíferos e a manutenção dos cursos d’água. O desenvolvimento de técnicas de manejo do solo e sistemas de irrigação eficientes são cruciais para garantir a disponibilidade de água tanto para a agricultura quanto para os ecossistemas naturais.
A pesquisa da Embrapa também desmistifica alguns mitos comuns. É equivocado afirmar que a agricultura rouba ou dissipa a água do cerrado. Além disso, não é verdade que o Brasil exporta água para a China na forma de grãos de soja. A irrigação, muitas vezes apontada como vilã dos recursos hídricos, na verdade, utiliza apenas 0,7% da vazão média dos rios brasileiros. Em conclusão, estudos científicos realizados pela Embrapa Cerrados mostram que a agricultura desempenha um papel crucial na reciclagem e recarga de água nos lençóis freáticos. A atividade agrícola contribui para a infiltração da água da chuva, evitando o esgotamento dos rios durante períodos de estiagem. É importante embasar o debate em dados científicos sólidos para promover a sustentabilidade e garantir a proteção dos biomas, como o cerrado, que desempenham um papel vital na produção de alimentos no Brasil.
Embora a escassez de água seja um desafio para a agricultura, é importante lembrar que a soja não é a única cultura que depende de irrigação no cerrado. Metade da água captada no Brasil destina-se à irrigação, e o cerrado tem visto um aumento nas áreas irrigadas nos últimos anos. No entanto, é essencial que a gestão da água seja realizada de forma sustentável, levando em consideração a disponibilidade hídrica e os impactos ambientais.
Em conclusão, embora as mudanças climáticas e as variações climáticas extremas apresentem desafios para a produtividade da soja, é crucial reconhecer os esforços da ciência e da tecnologia na busca por soluções e adaptação. A produção sustentável de soja, aliada a práticas de manejo do solo e gestão da água, pode contribuir para a segurança alimentar, o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. É fundamental promover a conscientização e a adoção de práticas agrícolas sustentáveis que respeitem a biodiversidade e a disponibilidade de água, garantindo assim a segurança alimentar e a conservação do meio ambiente.
Fonte: Texto gerado por ChatGPT, um modelo de linguagem desenvolvido pela OpenAI, com contribuições e correções adicionais do autor. Imagem principal: Depositphotos.
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