Gir Leiteiro: O superpoder brasileiro no leite tropical
O Gir Leiteiro colocou o Brasil no topo do leite tropical com genética, ciência e impacto social. Descubra por que o mundo quer essa raça.
Para Quem Tem Pressa
O Gir Leiteiro é a prova de que genética, ciência e persistência podem transformar a pecuária. De um encontro simples no interior de São Paulo à liderança global no leite tropical, a raça reúne mais de 60 mil animais genotipados e exporta soluções para países quentes. Uma história que mistura avanço tecnológico e impacto social direto no campo.
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Gir Leiteiro: O segredo genético que o mundo quer copiar
Da fazenda ao topo: A gênese de um projeto único
Tudo começou há 40 anos, numa reunião quase informal entre criadores na fazenda Tabarana, interior de São Paulo. Ali nasceu a semente da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL). A ideia, proposta pelo médico e pecuarista Antônio José Lúcio de Oliveira Costa, era ousada: aplicar ciência e tecnologia no melhoramento genético da raça.
Três anos depois, a parceria com a Embrapa Gado de Leite daria forma ao Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (PNMGL). Sem recursos no início, os próprios criadores financiaram os testes de progênie. O fornecimento gratuito de sêmen de touros selecionados, iniciado em 1985, foi um divisor de águas.
Resultados que falam por si
A primeira prova de touros, em 1993, já mostrava que a aposta tinha valido a pena: vacas mais produtivas, leite de melhor qualidade e maior interesse de criadores de todo o Brasil. A adesão à ABCGIL cresceu e o Gir Leiteiro ganhou protagonismo no cenário nacional.
A ciência entra em campo
Em 1996, o pesquisador Rui Verneque assumiu a coordenação do programa, ampliando seu alcance técnico. Em 1999, nasceu o laboratório de qualidade do leite da Embrapa, que trouxe análises precisas de gordura, proteína e contagem de células somáticas.
Mas a verdadeira revolução viria em 2016: o Gir Leiteiro tornou-se a primeira raça zebuína leiteira do mundo a adotar a seleção genômica como rotina. Agora, dados moleculares de milhares de animais orientavam a escolha dos melhores reprodutores, aumentando a precisão e reduzindo o tempo de progresso genético.
O mundo abre as porteiras
O sucesso não ficou restrito ao Brasil. A partir de 2016, dados de rebanhos da Bolívia foram incorporados, fruto de parceria com a Asocebu. Em 2024, começou a avaliação genômica internacional, consolidando a raça como referência global.
Hoje, mais de 60 mil animais estão genotipados, e a genética brasileira já desperta interesse em países da África e da Ásia, regiões onde clima quente e desafios sanitários exigem exatamente o que o Gir Leiteiro oferece: rusticidade e produtividade.
Impacto social que muda vidas
Mais de 800 mil pequenos produtores brasileiros podem se beneficiar das tecnologias geradas pelo programa. O PRONAF, por exemplo, financia a compra de embriões de Girolando F1, cruzamento entre Gir Leiteiro e Holandês, garantindo mais leite e resistência ao calor em sistemas de baixa tecnologia.
Além disso, a democratização do acesso é uma meta clara. Em 2020, uma ferramenta digital para seleção de fazendas colaboradoras aumentou em 40% o número de rebanhos participantes. Isso significa mais dados, mais precisão e mais famílias beneficiadas.
O futuro está no DNA
Hoje, o PNMGL entrega sumários genômicos completos, listando as Top 10% vacas jovens e adultas em produção e precocidade reprodutiva. As informações são abertas aos criadores, permitindo que até pequenos produtores tomem decisões estratégicas de acasalamento.
O próximo passo, segundo Evandro Guimarães, diretor da ABCGIL, é levar esse modelo a milhares de outros produtores. “Temos uma condição inédita para expandir o sucesso e consolidar o Brasil como referência mundial em genética leiteira tropical”, afirma.
Mais que um gado, um símbolo de inovação
O Gir Leiteiro não é só uma raça. É um caso de política pública bem articulada, ciência aplicada e engajamento da base produtiva. Ele mostra que o Brasil pode liderar cadeias globais com soluções pensadas para o nosso clima e exportáveis para o mundo.
Imagem principal: YouTube.

