Avaliação genômica Nelore: O truque para prever a fertilidade
Para quem tem pressa:
A avaliação genômica Nelore está mais precisa do que nunca graças à inclusão de estratégias como grupos de pais desconhecidos (UPG), metafundadores (MF) e ajuste por frequência alélica específica. Esses métodos ajudam a corrigir a falta de pedigree completo, melhoram a acurácia da seleção para características como circunferência escrotal, idade ao primeiro parto e produtividade acumulada da vaca. Um avanço que promete evitar erros caros na escolha dos melhores reprodutores.
Acredite ou não, muitos animais Nelore usados em programas de melhoramento não têm a árvore genealógica completa. Isso pode parecer inofensivo, mas na prática distorce os valores genéticos preditos. Quando se assume que esses animais são “fundadores não relacionados”, perde-se a chance de capturar a verdadeira relação genética e, com isso, a avaliação genômica Nelore sofre.
Para lidar com isso, os pesquisadores testaram diferentes abordagens usando UPG, MF e matrizes genômicas centradas em frequências alélicas específicas (sim, isso parece nome de mágica genética — e quase é).
Três características reprodutivas essenciais foram avaliadas:
Essas características têm herdabilidades diferentes (SC365: 0,40; AFC: 0,07; ACP: 0,12), o que significa que algumas são mais sensíveis à genética, enquanto outras dependem mais do ambiente — ou do capricho das vacas, por assim dizer.
Os cientistas compararam quatro modelos principais:
Spoiler: usar MF e UPG ajudou, mas nem sempre do jeito esperado.
A inclusão dos MF e UPG mostrou benefícios modestos, especialmente para AFC e ACP, que são mais difíceis de prever. O modelo G1S2, por exemplo, aumentou a acurácia da avaliação genômica Nelore para AFC (de 0,49 para 0,50) e ACP (de 0,67 para 0,70).
Já para SC365, a acurácia se manteve praticamente igual em todos os modelos — ou seja, um exemplo de “não mexe no que está ganhando”.
Curiosamente, o uso de frequências alélicas dos patriarcas (modelo G3) aumentou a acurácia de ACP (0,68), mas também trouxe o maior viés — especialmente para SC365 (-0,20) e ACP (0,40). Ou seja, mais precisão… e mais erro. Um clássico exemplo de “ganha-se de um lado, perde-se do outro”.
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Se você quer entender melhor os modelos ou deseja implementar a avaliação genômica na sua fazenda, veja também:
🔄 Leia também: Novilhas Nelore: O que a genética revela sobre partos, O gene do lucro? Estudo revela segredo da rentabilidade no Nelore e também Frame Score Nelore: 5 impactos no crescimento e fertilidade
Depende. A avaliação genômica Nelore com MF e UPG mostrou-se útil especialmente em características de baixa herdabilidade, como a produtividade acumulada. No entanto, o ganho de precisão pode ser limitado se o número de animais genotipados conectados aos metafundadores for pequeno — e é exatamente isso que ainda acontece na base de dados brasileira.
Além disso, a definição dos MF baseada em patriarcas famosos (tipo Kavardi e Golias) pode parecer épica, mas não foi tão eficiente para reduzir viés.
Sim — com ressalvas. Os modelos que incluem MF ou UPG oferecem valores genéticos menos enviesados e com boa correlação com os dados reais. Isso ajuda a selecionar melhor, mesmo quando há falhas na genealogia.
Como bem sugerem os dados, é possível melhorar ainda mais essa avaliação genômica Nelore se aumentarmos o número de genótipos e dados conectados às linhagens de referência. Até lá, a recomendação é usar esses modelos com moderação e olhar com cuidado para o tipo de informação disponível.
A avaliação genômica Nelore evolui com o uso de MF e UPG, mas os efeitos dependem fortemente da estrutura de dados. Para características como AFC e ACP, os benefícios são claros. Já para SC365, o modelo tradicional ainda se mantém firme. Em resumo: não existe modelo mágico, mas boas escolhas estatísticas podem poupar muitos erros (e reais) na sua seleção genética.
É o processo de prever o valor genético de um animal usando seu DNA e/ou dados do seu pedigree. Isso permite tomar decisões de seleção (quais animais cruzar ou multiplicar) antes de observar seu desempenho completo, acelerando o melhoramento genético do rebanho.
Raça de bovinos zebuínos originária da Índia e muito usada no Brasil na produção de carne. São adaptados ao calor, resistentes a parasitas e representam a maior parte do rebanho nacional.
Medida do perímetro dos testículos do touro com 12 meses. Ela está associada à precocidade sexual, ou seja, à capacidade do animal (e de suas filhas) de iniciar a reprodução mais cedo. Também está relacionada ao crescimento corporal.
Implicação econômica: Touros com SC365 mais altos tendem a produzir filhas que emprenham mais cedo e têm intervalos menores entre partos, aumentando a produtividade do rebanho.
Idade, em meses, em que a fêmea tem seu primeiro bezerro. Quanto mais cedo isso ocorre, maior será o número de crias ao longo da vida útil da vaca.
Implicação econômica: Vacas que demoram a emprenhar pela primeira vez causam prejuízo, pois consomem recursos sem gerar receita (bezerro vendido).
Indicador que combina a quantidade de bezerros desmamados com o tempo de permanência da vaca no rebanho. Expressa quantos quilos de bezerro a vaca produziu por ano.
Implicação econômica: É uma das medidas mais práticas para identificar vacas realmente lucrativas.
É a proporção da variação de uma característica que é explicada pela genética. Varia de 0 (quase tudo é influenciado pelo ambiente) até 1 (tudo é genético).
Implicação econômica: Características com alta herdabilidade permitem resultados mais rápidos e seguros na seleção. Já as de baixa herdabilidade exigem mais dados e tempo.
Informações do DNA de cada animal, obtidas por meio de testes genéticos. Com elas, é possível prever características como fertilidade, peso, resistência a doenças, etc.
Histórico genealógico do animal (pais, avós, etc.). Ajuda a entender quais genes ele pode ter herdado e como se relaciona com outros animais da população.
Quando o pedigree de um animal está incompleto, ele é alocado a um grupo baseado em características gerais (rebanho, ano de nascimento, etc.). Esses grupos evitam que o modelo assuma erroneamente que o animal veio do “nada”.
Indivíduos fictícios criados para representar as origens genéticas da população. Ajudam a corrigir falhas ou faltas no pedigree, ajustando as relações genéticas entre os animais com base nos dados genômicos.
Touros influentes do passado que deram origem a muitas linhagens no Brasil. São usados como referência para entender as origens do rebanho atual.
Exemplo prático: Se um animal tem genes muito semelhantes aos de um desses patriarcas, pode-se ajustar os cálculos genéticos para refletir melhor essa conexão.
É a taxa de ocorrência de um determinado gene (alelo) dentro da população. Serve para construir matrizes genômicas mais ajustadas à realidade do rebanho.
Indica o quanto o valor genético previsto está próximo do real. Quanto maior a acurácia, mais confiável é a previsão. É fundamental para evitar erros de seleção.
É a diferença entre o valor previsto e o valor real. Quando o viés é alto, a previsão está “deslocada” — para mais ou para menos — e pode induzir a erros.
G0 – Modelo tradicional:
Usa dados genômicos e de pedigree, mas não corrige falhas no pedigree. É a base de comparação.
G1 – Com Metafundadores (MF):
Corrige a matriz genética com indivíduos fictícios baseados em linhagens. Tenta dar mais consistência às relações genéticas.
G2 – Com UPG:
Adiciona grupos de animais com pedigree incompleto. Ajuda a reduzir viés causado por pais desconhecidos.
G3 – Genômica com Frequência Alélica dos Patriarcas:
Ajusta os dados genéticos considerando a frequência dos genes nos patriarcas. Pode aumentar a acurácia, mas também gerar viés se os dados forem escassos ou mal conectados.
Modelo estatístico que combina dados do pedigree, genótipos e desempenho em um único sistema. É amplamente usado em programas de melhoramento genético por sua eficiência em prever valores genéticos mesmo com dados incompletos.
📚 Fonte: Temp et al. (2025), publicado na Journal of Animal Breeding and Genetics – em parceria com UNESP, Embrapa Cerrados, Universidade da Geórgia e ANCP.
🔗 https://doi.org/10.1111/jbg.12947
Imagem principal: IA.
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