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Gavião-asa-de-telha – Habitat, alimentação e curiosidades

Para quem tem pressa

O gavião-asa-de-telha é uma ave de rapina da família Accipitridae, conhecida por sua inteligência e caça em grupo, um comportamento raro entre aves predadoras. Presente em diversos biomas brasileiros, como cerrado e caatinga, destaca-se pela estratégia, força e adaptação às áreas urbanas.

Gavião-asa-de-telha: características e identificação

O gavião-asa-de-telha mede entre 48 e 56 centímetros e possui envergadura de até 115 cm. O macho pesa cerca de 725 g, enquanto a fêmea chega a mais de 1 kg, sendo ligeiramente maior. Sua plumagem é castanho-escura com asas de tonalidade avermelhada, detalhe que inspira seu nome popular. Outra característica marcante é a cauda com extremidade branca, facilmente visível em voo.

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Apesar de imponente, é uma espécie arisca e evita a aproximação de humanos. Essa ave pode ser confundida com águias, devido à semelhança no rosto e porte robusto.

Subespécies do gavião-asa-de-telha

Atualmente, são reconhecidas duas subespécies:

  • Parabuteo unicinctus unicinctus – encontrada do leste da Colômbia ao sul do Brasil, Argentina e Chile.
  • Parabuteo unicinctus harrisi – presente do sudoeste dos EUA até a costa pacífica da Colômbia, Equador e Peru.

As aves brasileiras, em geral, apresentam coloração mais clara, enquanto as norte-americanas têm plumagem castanha escura e porte maior.

Alimentação e técnicas de caça

O gavião-asa-de-telha é um caçador extremamente inteligente. Utiliza as asas abertas para encobrir a presa, evitando reações perigosas, como picadas de cobras. Essa estratégia aumenta suas chances de sucesso.

Alimenta-se de pequenos vertebrados, aves de médio porte, roedores e até coelhos. Também consome grandes insetos, de acordo com a disponibilidade local. Um comportamento notável é a caça em grupo, que pode reunir até seis indivíduos. Nessa dinâmica, conseguem capturar animais maiores e dividir a refeição, algo raro entre aves de rapina.

Reprodução e ciclo de vida

A reprodução envolve a postura de dois a quatro ovos, com incubação de 33 a 36 dias. Os filhotes permanecem no ninho por cerca de 40 dias, mas continuam próximos por até quatro meses. Durante esse período, dependem totalmente dos pais para alimentação e proteção.

Esse cuidado parental reforça a importância do vínculo familiar na sobrevivência da espécie, que cresce aprendendo estratégias de caça e cooperação.

Habitat e hábitos comportamentais

O gavião-asa-de-telha habita áreas campestres, manguezais, cerrados, caatingas e até ambientes urbanos. No Brasil, tornou-se cada vez mais comum em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, desde que encontre alimento disponível.

Sua habilidade de caçar em bandos mostra um comportamento social raro entre aves predadoras. Essa cooperação evidencia sua inteligência e capacidade de adaptação.

Distribuição geográfica

Essa ave ocorre em ampla faixa do continente americano, desde o Texas e Califórnia até o sul do Chile e Argentina. No Brasil, está presente em várias regiões, incluindo cerrado, caatinga e áreas de várzea.

Um marco importante foi sua redescoberta no Vale do Paraíba (SP) após 115 anos sem registros, evidenciando a resiliência da espécie.

Curiosidades sobre o gavião-asa-de-telha

  • É uma das poucas aves de rapina que caçam cooperativamente.
  • Também é conhecido pelos nomes: gavião-de-asa-castanha, urubiúna e caçador-do-cerradão.
  • Pode capturar presas até do porte de uma galinha ou coelho.
  • Sua adaptação a ambientes urbanos o torna cada vez mais visível no Brasil.

Conclusão

O gavião-asa-de-telha é uma ave de rapina fascinante, que combina força, inteligência e sociabilidade. Diferente de outras espécies solitárias, caça em grupo, aumentando suas chances de sucesso. Essa característica, somada à capacidade de se adaptar a diferentes habitats, garante sua sobrevivência em áreas rurais, naturais e urbanas. Além disso, sua presença crescente em ambientes urbanos mostra a impressionante habilidade de adaptação desse predador. Conhecer sua biologia e papel ecológico é fundamental para a preservação dessa espécie, que desempenha função essencial no controle populacional de presas e no equilíbrio dos ecossistemas brasileiros, contribuindo também para a manutenção da biodiversidade.

imagem: wikimedia

Carlos Eduardo Adoryan

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Carlos Eduardo Adoryan

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