Conheça os sinais clínicos da febre aftosa, como o vírus é transmitido, os procedimentos obrigatórios ao identificar suspeita e as regras de vacinação e trânsito animal conforme normas do MAPA.
PARA QUEM TEM PRESSA
- A febre aftosa apresenta como sinais principais febre alta, vesículas/aftas na boca e nos cascos, salivação intensa, claudicação e queda brusca na produção de leite
- O vírus transmite-se por contato direto, secreções, fômites contaminados e, em condições favoráveis, por via aérea
- Qualquer suspeita de doença vesicular deve ser notificada imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial (SVO) do estado
- O Brasil avança no reconhecimento de áreas livres sem vacinação; o cumprimento das normas de trânsito e vigilância permanece obrigatório em todo o território
- A vacinação segue conforme cronograma do MAPA — em áreas que suspenderam a imunização, o uso e a comercialização de vacinas estão proibidos
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Febre aftosa no rebanho bovino — sinais clínicos, formas de contágio e normas sanitárias obrigatórias
A febre aftosa é uma das doenças de maior relevância sanitária e econômica para a pecuária brasileira, classificada como doença vesicular de notificação obrigatória internacional. Reconhecê-la precocemente, adotar medidas de biossegurança e cumprir as determinações oficiais são essenciais para proteger o rebanho e manter os mercados acessíveis. Abaixo, informações técnicas fundamentadas no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e na Embrapa.
O que é e quais são os sintomas clínicos
A febre aftosa é causada por um vírus que afeta animais de casco fendido, com manifestações mais evidentes em bovinos. Os sinais clínicos característicos são:
✅ Febre alta (até 41 °C), surgindo de forma súbita
✅ Vesículas e bolhas na língua, gengivas, lábios, palato, focinho e narinas — ao romperem, formam úlceras avermelhadas
✅ Aftas na região interdigital e na coroa dos cascos, causando dor intensa e claudicação (“marchar sobre brasas”)
✅ Salivação abundante (sialorreia), perda de apetite e prostração
✅ Queda brusca na produção de leite, que pode anteceder os sinais visíveis
✅ Vesículas também podem aparecer nos tetos e úbere
✅ Em animais jovens, pode ocorrer morte súbita por comprometimento do músculo cardíaco (miocardite)
✅ Nos casos sem complicações, a recuperação dos animais adultos ocorre em 2 a 3 semanas, embora infecções secundárias possam prolongar o quadro
Formas de transmissão
O vírus está presente em todas as secreções e excreções do animal infectado e dissemina-se por:
- Contato direto entre animal infectado e animal saudável — via secreções orais, nasais, lacrimais, leite, urina e fezes
- Veículos, equipamentos, calçados, roupas, instalações, alimentos e águas contaminadas (fômites)
- Via respiratória/aérea, em condições climáticas favoráveis, permitindo alcance de propriedades vizinhas
- Leite, sêmen e produtos de origem animal que não tenham passado por processos de descontaminação
- A contagiosidade é elevada — em rebanhos sensíveis, quase todos os animais podem apresentar sinais em 24 a 48 horas
Procedimentos ao identificar suspeita
A febre aftosa é doença de notificação obrigatória (Anexo da IN MAPA nº 50/2013). Ao observar qualquer sinal sugestivo de doença vesicular, o produtor deve:
- Isolar imediatamente os animais doentes ou com suspeita — não movimentar para fora da propriedade nem receber novos animais
- Notificar no mesmo dia o Serviço Veterinário Oficial (SVO) do estado — não aguardar confirmação
- Restringir acesso de pessoas, veículos e equipamentos ao local; adotar procedimentos de desinfecção na entrada e saída
- Não aplicar medicação nem deslocar animais sem orientação oficial, pois isso pode dificultar o diagnóstico e espalhar o vírus
- Manter registros de movimentação de animais nos 15 dias anteriores ao aparecimento dos sinais para auxiliar na investigação
⚠️ ATENÇÃO: A notificação é dever legal e o primeiro passo para proteger seu rebanho e a pecuária da região. O não cumprimento pode acarretar sanções administrativas e penais.
Vacinação e cronograma de retirada
O Brasil avança no reconhecimento de áreas livres de febre aftosa sem vacinação, coordenado pelo Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA — IN MAPA nº 48/2020).
- Em estados reconhecidos como livres sem vacinação (incluindo Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia, e posteriormente Bloco IV com MT, MS, MG, SP, GO, DF, TO, entre outros), fica proibida a comercialização, armazenamento e aplicação de vacina
- Em estados que mantêm a vacinação obrigatória, os criadores devem cumprir rigorosamente o calendário oficial, imunizando todos os animais da espécie
- Após cada etapa, é obrigatório registrar a vacinação no SVO dentro dos prazos estabelecidos
- A movimentação interestadual segue restrições específicas entre blocos sanitários, conforme atualização do MAPA
Medidas permanentes de biossegurança
Independentemente do status da unidade federativa, as práticas que protegem o rebanho incluem:
- Manter cadastro atualizado da propriedade e do rebanho no SVO
- Exigir Guia de Trânsito Animal (GTA) em qualquer entrada ou saída de animais
- Higienizar e desinfetar veículos e equipamentos antes e após o transporte
- Isolar animais recém-adquiridos por período de observação
- Controlar acesso de pessoas ao rebanho, com uso de calçados e roupas exclusivos
- Participar de campanhas de vigilância e comunicar qualquer alteração sanitária ao técnico responsável ou ao serviço oficial
Fechamento
A erradicação e a manutenção do status sanitário brasileiro dependem da ação conjunta: notificação rápida, vacinação conforme calendário, controle rigoroso do trânsito e cumprimento das normas oficiais. O reconhecimento internacional de área livre sem vacinação amplia oportunidades de mercado, mas exige vigilância contínua — nenhuma medida pode ser relaxada.
Fontes
- Ministério da Agricultura e Pecuária — Ficha Técnica Febre Aftosa https://sistemasweb.agricultura.gov.br/pages/fichas_tecnicas/Ficha%20Tecnica_Febre%20Aftosa.pdf — dados clínicos, transmissão, notificação
- MAPA — Manual de Investigação de Doença Vesicular / PNEFA https://wikisda.agricultura.gov.br/Sa%C3%BAde-Animal/Manual-de-investiga%C3%A7%C3%A3o-de-doen%C3%A7a-vesicular — sinais complementares
- MAPA / Portarias e reconhecimento de áreas livres https://programaleiloes.com/noticia/1049-mapa-reconhece-16-estados-e-o-df-como-areas-livres-de-aftosa-sem-vacinacao — status sanitário e cronograma
- CNA — Perguntas e respostas e trânsito animal https://cnabrasil.org.br/noticias/aftosa-perguntas-e-respostas-sobre-o-novo-status-sanitario-do-brasil — histórico e blocos sanitários
- Embrapa — orientações de sanidade animal e biossegurança https://www.embrapa.br/ — diretrizes gerais de saúde no rebanho
- OMSA — referências internacionais complementares https://www.woah.org/es/enfermedad/fiebre-aftosa — confirmação de quadro clínico e vias de transmissão
- Imagem principal: IA.
