Setembro traz ritmo firme nas exportações de soja e início do plantio da safra 2026/27 com chuvas irregulares no Centro-Oeste. Confira projeções da Conab, USDA e os prêmios nos portos.
PARA QUEM TEM PRESSA
- Os embarques de soja em setembro de 2026 seguem em ritmo superior ao mesmo período de 2025, com projeção da Anec entre 7,24 e 8,02 milhões de toneladas no mês
- A Conab estima a produção da safra 2026/27 em 181,64 milhões de toneladas, expansão de 0,7% sobre 2025/26; USDA projeta 186 milhões
- O plantio começou de forma gradual: até 25 de setembro, a área semeada atingiu cerca de 4,39% do total nacional
- Chuvas irregulares no Centro-Oeste abrem janelas de plantio, mas volume insuficiente gera cautela; excesso de umidade atrapalha no Sul
- Prêmios de embarque em Paranaguá permanecem elevados frente à CBOT, sustentados pela demanda chinesa
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Exportações de soja e plantio da safra 2026/27: Ritmo de embarques e clima definem preços
O mercado brasileiro de soja vive, neste final de setembro de 2026, a transição entre o escoamento da safra 2025/26 — que deverá fechar com cerca de 180,5 milhões de toneladas colhidas — e o início do plantio do ciclo 2026/27. O ritmo das exportações e a distribuição das chuvas nas principais regiões produtoras ditaram a formação de preços e prêmios nos portos de Paranaguá e Santos, com impactos diretos na receita exportadora esperada para o último trimestre do ano.
Ritmo das exportações: Sustentação no encerramento da safra velha
Os embarques de soja continuam aquecidos. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), a projeção para setembro de 2026 recuou na última semana para 7,24 milhões de toneladas, mas ainda assim representa crescimento de 3,8% ante os 6,97 milhões embarcados em setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, os embarques somam aproximadamente 101,5 milhões de toneladas, alta de 6,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
O volume diário médio de exportação em setembro tem se mantido acima do registrado no mesmo mês de 2025, reflexo de uma safra 2025/26 recorde e de compras ainda ativas da China, principal destino do grão brasileiro.
Plantio da safra 2026/27: Início gradual e clima divide atenção
A primeira estimativa oficial da Conab, divulgada em 18 de setembro, projeta a produção de soja na safra 2026/27 em 181,64 milhões de toneladas, crescimento de 0,7% em relação à safra recém-encerrada. A área cultivada deverá atingir 49,3 milhões de hectares, expansão de 1,4% — considerada o menor crescimento percentual dos últimos 20 anos. Já o USDA, em relatório de setembro, projeta produção de 186 milhões de toneladas para o Brasil, metodologia distinta que resulta em diferença de 4,36 milhões de toneladas em relação à Conab.
O plantio começou de forma desigual pelo território nacional:
| Estado | Avanço do plantio (área) | Período de referência | Fonte |
|---|---|---|---|
| Paraná | ~2% | até 18/09/2026 | Conab |
| Mato Grosso do Sul | ~1% | até 18/09/2026 | Conab |
| Mato Grosso | 0,6% a 0,8% | até 22/09/2026 | Conab / Gigante 163 |
| Brasil (total) | ~4,39% | até 25/09/2026 | Pátria AgroNegócios |
No Centro-Oeste, as primeiras chuvas abriram janelas para semeadura, mas o volume acumulado até meados de setembro — entre 10 mm e 15 mm em partes de Mato Grosso — é insuficiente para sustentar todo o ciclo vegetativo. O Inmet alerta que o trimestre outubro-dezembro pode trazer chuvas abaixo da média no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás, o que exigirá atenção contínua dos produtores. No Sul, o quadro é inverso: excesso de umidade reduz as janelas de operação no Paraná.
Importante: atrasos pontuais no início do plantio não equivalem a perda definitiva de produtividade. O resultado final dependerá da distribuição de chuvas ao longo de todo o ciclo, especialmente nas fases de floração e enchimento de grãos.
Prêmio nos portos e relação com a Bolsa de Chicago
A combinação de oferta da safra velha em fase de escoamento e demanda externa sustentada mantém os prêmios de embarque elevados nos portos brasileiros. Em Paranaguá, o prêmio sobre a CBOT (contrato novembro) foi cotado em +US$ 1,85 por bushel em 21 de setembro. Esse diferencial reflete a preferência de compradores, notadamente chineses, pelo grão brasileiro em momentos em que a safra norte-americana ainda não está totalmente disponível para embarque imediato.
A partir de meados de setembro, porém, houve sinalização de arrefecimento nas compras chinesas, com redução no ritmo de aquisições — fator que pode pressionar os prêmios no último trimestre de 2026.
Perspectiva para o produtor
O cenário atual indica:
- Manutenção de preços internos sustentados pelos prêmios de exportação, ainda que a CBOT apresente volatilidade;
- Necessidade de planejamento de plantio com atenção às janelas de chuva, especialmente no Centro-Oeste;
- Cautela na venda antecipada: a diferença entre Conab e USDA nas projeções de produção gera incerteza no balanço global, o que pode manter volatilidade nos preços.
Fechamento
O quarto trimestre de 2026 será decisivo para a definição do ritmo de plantio e da receita de exportação de soja. O mercado acompanha simultaneamente o volume restante da safra 2025/26 ainda disponível para embarque e a evolução climática nas lavouras recém-semeadas. Não há, até o momento, indicação de que o início lento do plantio resulte em perdas de produção, mas a regularidade das chuvas em outubro e novembro será o fator determinante.
Fontes
- Conab — Boletim de Perspectivas Safra 2026/27, 18/09/2026
- USDA — Relatório WASDE, setembro/2026
- Anec — Estimativas de embarques, 29/09/2026
- Inmet — Painel El Niño 2026-2027, 01/10/2026
- Cepea / Notícias Agrícolas — Cotações e prêmios, 21/09/2026
- AgRural / Exame — Avanço do plantio, 27/09/2026
- Pátria AgroNegócios / Assistec — Plantio por região, 25/09/2026
- Imagem principal: Depositphotos.
