Exportação de gado vivo: Recorde histórico paga 63% a mais que mercado interno
O Brasil registra o melhor mês da história na exportação de gado vivo com ágio de até 63%. Veja os números da Turquia, Pará e RS neste recorde de 2026.
Para Quem Tem Pressa
O ano de 2026 começou com um marco histórico para a exportação de gado vivo no Brasil. Em janeiro, o país embarcou 170,4 mil cabeças, gerando uma receita recorde de US$ 208,7 milhões. A Turquia lidera as compras, enquanto estados como Pará e Rio Grande do Sul veem produtores receberem até 63% de ágio sobre os preços do mercado interno. Com a oferta global em queda, o cenário para o gado em pé nunca foi tão lucrativo.
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Exportação de gado vivo: Recorde histórico paga 63% a mais
O ano de 2026 iniciou com um ritmo avassalador para a pecuária nacional. Em janeiro, a exportação de gado vivo brasileira não apenas cresceu, mas atingiu o maior volume mensal já registrado em toda a série histórica, iniciada em 2004. Esse movimento consolida o Brasil como um player imbatível no fornecimento de animais vivos, oferecendo uma alternativa de escoamento que faz os olhos do produtor brilharem — especialmente quando olham para a conta bancária.
De acordo com o levantamento da Secex, compilado pela Scot Consultoria, o embarque de 170,4 mil cabeças de bovinos gerou um faturamento de US$ 208,7 milhões. Para quem gosta de recordes, este é o “padrão ouro”: nunca se vendeu tanto gado em pé em um único mês, tanto em quantidade quanto em dólares.
Turquia lidera o apetite mundial por bovinos
A Turquia continua sendo a “melhor amiga” do pecuarista brasileiro. O país foi o destino de 67,3 mil cabeças apenas em janeiro. Logo atrás, aparecem o Iraque (47,4 mil) e o Marrocos (40,4 mil). A lista de compradores ainda inclui Arábia Saudita, Líbano, Guiana e até a vizinha Bolívia.
A fome turca por proteína brasileira parece longe de acabar. O Ministério da Agricultura da Turquia já autorizou a importação de até 500 mil bovinos machos para engorda em 2026. Se você achava que o ritmo ia cair, os números sugerem que o navio do lucro continuará ancorando em nossos portos com frequência.
Pará e Rio Grande do Sul: Os gigantes do embarque
No mapa da exportação de gado vivo, dois estados se destacam como os grandes motores dessa engrenagem:
- Pará: Liderou o ranking com 77,2 mil cabeças.
- Rio Grande do Sul: Garantiu o segundo lugar com 53,2 mil cabeças.
Curiosamente, o Porto de São Sebastião (SP) também registrou volumes significativos, classificados como “Não Declarados”, o que indica que a origem do gado brasileiro está se diversificando para além do eixo tradicional Norte-Sul. Além disso, rotas terrestres de Roraima para a Guiana e do Mato Grosso do Sul para a Bolívia mostram que, seja por mar ou por terra, o gado brasileiro está em movimento.
O lucro que o mercado interno não consegue cobrir
A grande pergunta do produtor é: vale a pena exportar? Os números dizem que sim, e com folga. O diferencial de preço entre o mercado interno e o valor FOB (Free on Board) da exportação de gado vivo atingiu patamares impressionantes em janeiro.
No Pará, o boi gordo destinado ao exterior teve um ágio médio de 38%. Enquanto a arroba no mercado interno estava em R$ 302,73, o valor de exportação chegou a R$ 417,80. É quase como se o gado ganhasse um “upgrade” de luxo só por atravessar a alfândega.
Mas o destaque absoluto vem do Rio Grande do Sul:
- Boi Magro: 45,7% de ágio.
- Garrote: Incríveis 63% de ágio, com a arroba de exportação a R$ 467,61 contra os R$ 286,80 pagos internamente.
Essa “camada extra” de preço funciona como um amortecedor para o pecuarista, permitindo margens que o frigorífico da esquina raramente consegue igualar em tempos de oferta alta.
Por que a demanda global continua firme?
Não é apenas sorte; é fundamento de mercado. O rebanho bovino global está em retração, especialmente nos EUA e em outros grandes produtores, conforme apontado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Com menos carne disponível no mundo e a arroba brasileira sendo uma das mais competitivas do planeta, a exportação de gado vivo se torna a solução lógica para países que precisam garantir a segurança alimentar e processar a proteína localmente.
A exportação como válvula de escape estratégica
Para o pecuarista, ter a opção de vender o animal vivo é uma ferramenta de negociação poderosa. Ela reduz a dependência exclusiva dos frigoríficos nacionais e força uma regulação de preços mais justa no mercado doméstico. Em regiões onde a exportação de gado vivo é intensa, o produtor tem mais voz e o mercado ganha dinamismo.
Se janeiro de 2026 serve como um “spoiler” para o restante do ano, o recado é claro: o mundo quer o gado brasileiro e está disposto a pagar muito bem por ele. Resta ao produtor aproveitar as janelas de oportunidade e manter a produtividade em dia para atender a essa demanda que não para de crescer.
imagem principal: Depositphotos.

