Preço médio da carne bovina exportada pelo Brasil atingiu US$ 6.296,87/t em setembro de 2026 — alta de 12,1% sobre 2025. Volume embarcado recuou, mas valorização sustenta receita.
PARA QUEM TEM PRESSA
- Preço médio por tonelada passou de US$ 5.617,87 (setembro/2025) para US$ 6.296,87 (setembro/2026): alta de 12,1%
- Volume médio diário embarcado recuou 32% na comparação anual, mas avançou 5% ante agosto
- Receita total do mês somou aproximadamente US$ 1,11 bilhão, com queda menor que o volume
- Estados líderes nas exportações: MT, SP, GO, MS e RS, segundo dados de janeiro a agosto de 2026
- Demanda por cortes de maior valor e diversificação de mercados explicam parte da valorização
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Receita de exportação da carne bovina recua menos graças à alta do preço médio internacional
O Brasil exportou menos carne bovina em setembro de 2026 do que no mesmo mês do ano passado, mas o preço internacional pago pela tonelada embarcada subiu o suficiente para evitar um recuo ainda mais acentuado na receita cambial. Os dados preliminares consolidados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), acessíveis via sistema Comex Stat, referem-se a carne bovina fresca, refrigerada ou congelada e foram divulgados na primeira semana de outubro.
O preço médio saltou de US$ 5.617,87 por tonelada em setembro de 2025 para US$ 6.296,87/t no mesmo mês de 2026 — elevação de 12,1%. Já o volume médio diário ficou em 9,79 mil toneladas, recuo de 32% frente às 14,37 mil t/dia de setembro de 2025, mas com avanço de 5% sobre a média de agosto de 2026 (9,32 mil t/dia).
Valorização do preço sustenta receita
A receita total de exportação de carne bovina in natura em setembro de 2026 somou US$ 1,11 bilhão, contra US$ 1,77 bilhão no mesmo período de 2025 — queda de 37,3%. Como referência de intensidade, o recuo do volume foi ainda maior: 35% a 38%, conforme a fonte consultada.
A receita média diária passou de US$ 80,34 milhões/dia em 2025 para US$ 61,66 milhões/dia em 2026 — recuo de 23,3%, percentual menor que a redução de volume, justamente por causa do preço mais alto pago no mercado internacional.
Em moeda nacional, a valorização é percebida com clareza: em reais, o preço médio está cerca de 7% acima da média de setembro de 2025, conforme cálculo do Cepea/Esalq.
Estados líderes nas exportações
Os dados consolidados de janeiro a agosto de 2026 mostram a seguinte ordem de protagonismo entre os estados brasileiros:
| Estado | Volume embarcado (jan-ago/2026) | Participação nacional |
|---|---|---|
| Mato Grosso | 564,1 mil toneladas | 25,6% |
| São Paulo | 409,5 mil toneladas | — |
| Goiás | 266,0 mil toneladas | — |
| Mato Grosso do Sul* | Dados mensais disponíveis, consolidação estadual para setembro em processamento | — |
| Rio Grande do Sul | Expansão de 44,8% no valor exportado no 1º trimestre | — |
*Fonte: Abiec / Comex Stat / Imac — dados de MS referentes a agosto/2026: US$ 140,3 milhões em receita e 21,9 mil toneladas
O que explica o comportamento dos preços
A valorização média reflete, entre outros fatores:
- Diversificação de destinos: com a cota de importação da China praticamente esgotada desde agosto, os embarques redirecionaram-se para mercados que pagam preços médios mais elevados por cortes selecionados
- Demanda aquecida nos Estados Unidos, que registraram o maior volume de importação de carne bovina brasileira da história em setembro (44,44 mil toneladas de carne in natura)
- Menor disponibilidade de animais prontos para abate no mercado interno, reduzindo a oferta exportável e pressionando os preços médios para cima
Perspectiva para o produtor
O cenário mostra resiliência da demanda externa pela carne bovina brasileira, mas também sinaliza que a rentabilidade por cabeça embarcada depende cada vez mais de mercados alternativos à China e de produtos com maior valor agregado. A diferença entre a variação de volume (-32% a -38%) e de preço (+12,1%) confirma que a estratégia de buscar compradores dispostos a pagar mais tem funcionado para compensar embarques menores.
Fechamento
Os dados de setembro de 2026 confirmam um padrão em consolidação: volumes menores, mas preços médios mais altos. O balanço final do terceiro trimestre e os números de outubro dirão se essa valorização se mantém ou se novos reajustes de demanda e oferta redefinirão a tendência. Os relatórios consolidados da Secex/MDIC são atualizados no sistema Comex Stat até o 5º dia útil de cada mês.
Fontes
- Comex Stat / MDIC — https://comexstat.mdic.gov.br/ (dados até 08/2026, atualizado em 04/09/2026; balança preliminar de setembro divulgada 27/09/2026)
- Secex/MDIC — dados de exportação de carne bovina, setembro de 2026
- Cepea/Esalq — análise de preços médios de exportação
- Abiec / Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) — participação estadual
- Sistema Famasul — dados de Mato Grosso do Sul
- Imagem principal: Depositphotos
