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Exportação de carne bovina cai 31,5% em volume diário em setembro, mas preço sobe 12,1% e ameniza receita

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Dados preliminares da Secex/MDIC mostram queda de 31,5% no volume diário exportado de carne bovina em setembro de 2026, mas preço sobe 12,1% e reduz recuo da receita para 23,3%.

PARA QUEM TEM PRESSA

  • O Brasil exportou 176,3 mil toneladas de carne bovina in natura nos primeiros 18 dias úteis de setembro de 2026
  • Média diária de 9,79 mil toneladas: recuo de 31,5% frente a setembro de 2025
  • Preço médio por tonelada alcançou US$ 6.296,87, alta de 12,1% no período
  • Receita diária caiu 23,3% — bem abaixo da queda em volume — graças à valorização do produto
  • Os dados são parciais: setembro de 2026 ainda em andamento tem 18 dias úteis registrados, contra 22 no mesmo mês de 2025

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Balanço de setembro: Preço da tonelada de carne bovina exportada sobe e reduz impacto da queda no volume

Os embarques brasileiros de carne bovina in natura mostraram recuo expressivo em volume nos primeiros 18 dias úteis de setembro de 2026, conforme dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A média diária caiu 31,5% na comparação com setembro do ano passado. No entanto, a valorização do produto no mercado internacional amorteceu o impacto sobre o faturamento: o preço médio por tonelada subiu 12,1%, e a receita recuou em proporção bem menor que o volume.

A comparação por dia útil é adotada como referência mais confiável, pois o mês ainda não havia encerrado quando os dados foram coletados — 18 dias úteis registrados em 2026, ante 22 em setembro de 2025. O número final será divulgado após o encerramento do mês.


Volume embarcado: Média diária recua 31,5%

Entre 1º e os primeiros 18 dias úteis de setembro de 2026, o total exportado somou 176,3 mil toneladas. Isso equivale a uma média de 9,79 mil toneladas por dia útil. No mesmo período de referência de 2025, a média diária foi de 14,3 mil toneladas — portanto, 31,5% superior.

A diferença no número de dias úteis entre os períodos comparados torna enganosa a simples comparação de totais acumulados. Setembro de 2025 teve 22 dias úteis completos, enquanto o levantamento de 2026 abrangeu apenas 18. Por isso, a média diária é o indicador mais preciso para identificar a tendência.


Preço mais alto reduz impacto na receita

O fator que mudou o cenário foi o preço praticado. A tonelada de carne bovina exportada foi negociada em média a US$ 6.296,87 em setembro de 2026, contra US$ 5.617,87 no mesmo período de 2025 — acréscimo de 12,1%.

Na prática, o mercado comprou menos quantidade, mas pagou mais por cada tonelada. Esse movimento sustentou o faturamento: a receita diária passou de US$ 80,34 milhões em 2025 para US$ 61,66 milhões em 2026, queda de 23,3%. Ou seja, o recuo da receita ficou 8,2 pontos percentuais abaixo da queda registrada no volume.


Balanço comparativo — Setembro/2025 × Setembro/2026 (dados parciais)

IndicadorSetembro/2025 (18 dias úteis correspondentes)Setembro/2026 (18 dias úteis)Variação
Volume médio diário14,3 mil t9,79 mil t-31,5%
Preço médio por toneladaUS$ 5.617,87US$ 6.296,87+12,1%
Faturamento médio diárioUS$ 80,34 milhõesUS$ 61,66 milhões-23,3%

Fontes: Secex/MDIC; dados referentes aos primeiros 18 dias úteis de cada mês; valores de 2025 recalculados para base equivalente de 18 dias úteis


O que isso significa para o produtor

A queda no volume exportado não se transfere automaticamente para o preço da arroba. O impacto sobre o preço pago na porteira depende de pelo menos dois outros fatores, além do cenário externo:

  • Oferta de animais para abate: se o número de cabeças disponíveis estiver restrito, a pressão baixista tende a ser menor.
  • Desempenho do mercado interno: o consumo doméstico aquecido pode absorver parte da carne que deixaria de ser enviada ao exterior, sustentando os preços.

Em outras palavras, o mercado externo pesa, mas não decide sozinho. A combinação entre oferta de gado e comportamento do preço no mercado interno é determinante para o reflexo sobre a cotação da arroba.


Atenção: Dados parciais e cenário externo

Os números apresentados referem-se ao período parcial de 18 dias úteis. O ritmo de embarques pode mudar nos dias restantes do mês, e o fechamento definitivo pode alterar o quadro.

Além disso, um fator de atenção para os próximos meses: a China, principal destino da carne bovina brasileira, esgotou a cota anual de importação com tarifa reduzida. A partir de outubro de 2026, remessas que ultrapassarem o contingente passam a pagar tarifa adicional de 55%, totalizando 67%. A expectativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) é de retomada do ritmo de compras chinesas entre meados de outubro e novembro, já voltada para a cota de 2027.

Para o produtor, recomenda-se: acompanhar os dados por dia útil e não por total bruto; cruzar o preço médio de exportação com a cotação da arroba na região; observar a oferta de animais; e comparar com o mesmo período do ano anterior, e não com o mês imediatamente anterior, para evitar distorções sazonais.


Fechamento

Os dados parciais de setembro mostram um mercado externo comprando menos em quantidade, mas pagando preços mais altos — o que amortece a queda da receita. O fechamento completo do mês e a evolução das compras da China serão decisivos para o quadro do quarto trimestre. Acompanhar a oferta de animais e o mercado interno continua sendo essencial para entender o impacto sobre os preços pagos ao produtor.


Fontes

  • Secretaria de Comércio Exterior (Secex) / Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) — dados preliminares de setembro de 2026
  • Portal da Agroindústria / Notícias Agrícolas — reportagem de 30/09/2026
  • Agência Brasil — tarifa na China, 01/10/2026
  • Prensa Mercosul — retomada de compras pela China, 19/09/2026
  • Imagem principal: Depositphotos

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