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Acordo entre EUA e China ameaça o agro brasileiro

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O acordo entre EUA e China pode reduzir exportações de soja e afetar diretamente o agro brasileiro, segundo especialistas e produtores do setor.

Para Quem Tem Pressa

O acordo entre EUA e China para retomar a compra de soja americana pode ter impacto mais severo sobre o agro brasileiro do que o próprio tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Analistas apontam que a reaproximação entre as duas maiores economias do mundo ameaça um dos pilares das exportações do Brasil: a soja destinada ao mercado chinês.


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Entenda o novo acordo entre EUA e China

O anúncio, feito nesta quinta-feira (30), marcou uma reviravolta na disputa comercial entre as potências. Segundo o presidente norte-americano Donald Trump, “quantidades enormes de soja” dos Estados Unidos voltarão a ser compradas pela China.
A declaração foi dada durante voo no Air Force One, após o encontro de Trump com o líder chinês Xi Jinping em Busan, na Coreia do Sul. O acerto prevê a retomada imediata de embarques de soja e outros produtos agrícolas para o país asiático.

A medida encerra um período de suspensão total das compras chinesas da soja americana, que havia sido imposta como retaliação no auge da guerra comercial entre os dois países. Essa pausa beneficiou diretamente o Brasil, que se consolidou como principal fornecedor da oleaginosa para o gigante asiático.

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O impacto sobre o agro brasileiro

Com o fim do bloqueio, o agro brasileiro pode perder o impulso conquistado nos últimos anos. As exportações recordes da soja nacional foram sustentadas justamente pela demanda chinesa, que agora tende a se redistribuir entre os fornecedores norte e sul-americanos.

O pesquisador Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, avalia que a reaproximação entre os dois países pode afetar mais o setor do que o chamado tarifaço — a sobretaxa imposta por Trump sobre produtos importados do Brasil.
Segundo ele, a tarifa de até 40%, somada aos 10% já existentes, “não teve impacto tão grande como se esperava”. Jank lembra que produtos como celulose e suco de laranja ficaram fora da lista, e outros segmentos, como carne bovina e café, vivem um bom momento de preços e exportações.


Dados da balança comercial

Os números reforçam a análise. Em 2024, as exportações do agro brasileiro para os Estados Unidos somaram US$ 12,1 bilhões, o equivalente a 7% das vendas totais do setor. Já a soja enviada para a China rendeu US$ 31,5 bilhões, representando 19,2% do total.
Com a retomada das compras chinesas da soja americana, essa fatia tende a diminuir, reduzindo o fluxo de receitas do agronegócio nacional.

Jank alerta que o cenário precisa ser acompanhado de perto:

“Se os acordos se expandirem para Europa, Índia e outros países, o impacto sobre o agro brasileiro pode ser relevante.”


O risco de perder espaço no mercado chinês

Historicamente, a China divide suas compras de soja entre fornecedores do norte e do sul do continente americano, aproveitando as safras em épocas diferentes. Caso o novo acordo crie preferências comerciais para os EUA, o Brasil pode perder competitividade e precisar ajustar seus preços e logística.

“Se surgir algum mecanismo que privilegie a soja americana em detrimento da nossa, aí é muito ruim”, alerta Jank.


A visão dos produtores brasileiros

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Beber, confirma que a guerra tarifária anterior beneficiou fortemente o Brasil:

“A primeira guerra tarifária entre Estados Unidos e China foi muito favorável a nós. Tivemos um grande boom de demanda pela soja brasileira.”

Segundo Beber, a especulação em torno de um novo acordo já vinha causando oscilações no mercado e incertezas entre produtores.
O Mato Grosso, responsável por mais de 30% da safra nacional e 25% das exportações brasileiras, sentiu o impacto direto das variações de preço e crédito rural. Com custos crescentes e redução do uso de fertilizantes, o estado vinha se apoiando na forte demanda chinesa.


Recordes e nova tendência

Nos últimos meses, a China vinha quebrando recordes de importação mensal de soja brasileira, devido à ausência dos EUA no mercado. Essa situação aumentou o prêmio pago pela soja nacional e impulsionou a rentabilidade dos produtores.
Com a reabertura do comércio entre Washington e Pequim, a tendência é de correção nos preços e possível queda no ritmo das exportações brasileiras.


Conclusão

O acordo entre EUA e China representa uma mudança de cenário para o agronegócio brasileiro. Embora o impacto ainda dependa da execução do pacto e de eventuais cláusulas preferenciais, a expectativa é de redução do protagonismo do Brasil nas vendas de soja ao mercado chinês.
Mais do que o tarifaço, o movimento diplomático pode redefinir as rotas do comércio agrícola global e exigir uma nova estratégia do agro nacional para manter sua competitividade.

Imagem: IA.


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