Produção de etanol de milho em MS cresce 33,9% na safra 2025/26 e pode sustentar preços locais do cereal; confira dados, comparação com etanol de cana e cotações em Dourados e região.
PARA QUEM TEM PRESSA
- A produção de etanol de milho em Mato Grosso do Sul deve atingir 2,13 bilhões de litros na safra 2025/26, crescimento de 33,9% em relação ao ciclo anterior.
- O etanol total do Estado chega a 4,93 bilhões de litros (+12%), enquanto o etanol de cana praticamente não varia (-0,33%).
- O milho seco no mercado físico estadual é cotado entre R$ 21,50 (Campo Grande)** e **R$ 23,50 (Dourados).
- A ampliação da capacidade de processamento deve absorver volume maior da produção local de milho, especialmente da safrinha.
- Resultados dependem de operação contínua das usinas e da evolução dos preços do petróleo e do açúcar.
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Produção de etanol de milho avança em Mato Grosso do Sul: Capacidade e impacto sobre cotações do milho
Mato Grosso do Sul consolida-se como um dos principais polos de produção de biocombustíveis do país, com o etanol de milho liderando a expansão. Na safra 2025/26, a produção estadual deve crescer 12% no total, impulsionada principalmente pelo salto de quase um terço no uso do cereal como matéria-prima. Essa trajetória amplia a demanda interna pelo milho e passa a influenciar diretamente a formação de preços no mercado local, em um cenário de oferta abundante no Brasil. Os dados são do Sistema Famasul, com informações complementares da Cepea/Esalq e da Conab, referentes ao consolidado de safra em setembro/outubro de 2026.
Expansão do etanol de milho e comparação com a cana
A produção total de etanol em Mato Grosso do Sul está projetada em 4,93 bilhões de litros na safra 2025/26, alta de 12% em relação ao ciclo anterior. O destaque é o etanol de milho, que deve passar de 1,59 bilhão para 2,13 bilhões de litros — variação de +33,9%. Enquanto isso, a produção de etanol de cana permanece praticamente estável, com recuo de apenas 0,33%.
A tabela abaixo apresenta a evolução estimada dos dois tipos de etanol no Estado:
| Tipo de etanol | Safra anterior (bilhões de L) | Safra 2025/26 projetada (bilhões de L) | Variação | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| De milho | 1,59 | 2,13 | +33,9% | Sistema Famasul / consolidado set 2026 |
| De cana | —* | —* | -0,33% | Sistema Famasul / consolidado set 2026 |
| Total | —* | 4,93 | +12% | Sistema Famasul / consolidado set 2026 |
*Valores exatos do total de cana e do total anterior não foram detalhados na fonte; a variação percentual é a informação disponível.
A ampliação da capacidade de processamento confirma a tendência nacional de crescimento do etanol de milho: segundo a Cepea/CNA, o valor da produção de biocombustíveis no Brasil deve avançar 9,67% em 2026, com aumento de 8,49% no volume produzido, sustentado pela instalação e ampliação de unidades industriais.
Impacto sobre os preços do milho no mercado estadual
O aumento da capacidade de processamento no Estado cria um canal de escoamento adicional para a produção de milho, em especial da safrinha — cultura que ganha área e relevância no sistema de produção sul-mato-grossense.
No mercado físico, o milho seco é negociado em R$ 21,50 a saca na Capital** e **R$ 23,50 em Dourados, conforme dados referentes a setembro/outubro de 2026. A diferença entre as praças reflete logística, proximidade com centros consumidores e concentração de unidades processadoras.
A demanda das usinas locais pode atuar como um suporte às cotações diante da ampla oferta nacional do cereal. Não há garantia de manutenção dos preços em níveis atuais, mas a absorção de volume crescente pelo setor de biocombustíveis reduz a pressão de venda sobre o mercado local.
Perspectivas e fatores de risco
A continuidade da trajetória de expansão depende de três elementos principais:
- Operação plena das unidades instaladas: a capacidade de processamento precisa ser mantida em níveis elevados ao longo da safra.
- Preços internacionais: a cotação do petróleo define a competitividade do etanol no mercado de combustíveis.
- Mercado de açúcar: preços mais altos podem incentivar a destinação de cana para produção de açúcar em detrimento do etanol, embora isso afete menos a cadeia do milho.
O avanço do etanol de milho coloca Mato Grosso do Sul em posição estratégica no cenário nacional de transição energética, integrando a produção agrícola à indústria de biocombustíveis e gerando demanda estrutural para o cereal.
Fechamento
Com crescimento de 33,9% na produção de etanol de milho, Mato Grosso do Sul reforça seu papel como polo de biocombustíveis. A demanda crescente por matéria-prima deve continuar a influenciar o mercado interno de milho, com efeitos sobre a remuneração dos produtores e a dinâmica de comercialização da safrinha. A confirmação dos resultados ao longo da safra dependerá de fatores de mercado e da operação das unidades industriais.
Fontes
- Sistema Famasul. Agro de MS amplia exportações em 12,4% com destaque para soja e carne bovina. 06/08/2026 — consolidado de safra setembro/outubro 2026. Disponível em: https://portal.sistemafamasul.com.br/noticias/agro-de-ms-amplia-exporta%C3%A7%C3%B5es-em-124-com-destaque-para-soja-e-carne-bovina
- Cepea/Esalq-USP / CNA — dados de biocombustíveis e PIB do agronegócio, citados no mesmo material.
- Conab — dados de produção de soja, citados no mesmo material.
- Imagem principal: Depositphotos
