Para Quem Tem Pressa:
- Um esquilo usando pequenos esquis de espuma e puxado por um barco de brinquedo chamou a atenção na Feira Estadual do Alasca, em Palmer.
- O animal atende pelo nome artístico de “Twiggy #11” (apelidado de “Baby”) e faz parte de uma linhagem de apresentações criada há mais de 40 anos nos Estados Unidos.
- O número, que começou por acaso em 1979 após o resgate de um filhote órfão, tornou-se atração itinerante voltada à conscientização sobre segurança aquática.
Uma cena inusitada reuniu dezenas de visitantes na Feira Estadual do Alasca, realizada no município de Palmer: um esquilo equilibrado sobre duas pequenas pranchas deslizando pela água. Equipado com colete salva-vidas em miniatura, o roedor cruzou uma piscina rasa puxado por uma lancha de controle remoto.
O animal em questão é Twiggy #11, carinhosamente chamado de “Baby”. Ele é o integrante mais recente de uma linhagem que começou no fim dos anos 1970 e transformou o “Twiggy Show” em uma das atrações itinerantes mais duradouras dos eventos rurais e feiras comunitárias norte-americanas.
A origem improvável: uma brincadeira que virou espetáculo
A trajetória do espetáculo remonta a 1978, no município de Sanford, no estado da Flórida. Naquele período, o casal Chuck e Lou Ann Best recebeu um filhote de esquilo-cinzento (Sciurus carolinensis) que havia caído do ninho em decorrência de uma forte tempestade. O casal acolheu o animal órfão, que passou a viver como bicho de estimação na residência da família. O roedor ganhou o nome de Twiggy por causa do hábito de roer folhas das plantas ornamentais da casa, restando apenas os galhos secos (twigs, em inglês).
A ideia de colocar o esquilo sobre a água nasceu de forma quase acidental. Chuck comprou uma lancha de brinquedo movida a controle remoto para presentear a filha e passou a ser alvo de piadas de amigos, que diziam que ele havia adquirido o brinquedo para si mesmo. Bem-humorado, respondeu dizendo que estava apenas aprendendo a pilotar o minibarco para ensinar seu esquilo a esquiar.
A brincadeira foi levada a sério. Em uma banheira residencial, Chuck adaptou pequenos pedaços de isopor no formato de esquis aquáticos. Recompensado com porções de pasta de amendoim e sementes a cada avanço no equilíbrio, o animal se adaptou rapidamente à superfície flutuante. Pouco tempo depois, os treinos migraram para as águas calmas do lago Monroe. O registro fotográfico daquela proeza alcançou a imprensa regional, chegou à televisão aberta norte-americana e gerou uma onda ininterrupta de convites para exibições públicas.
Tragédia pessoal e virada para a conscientização
Com a grande demanda popular, a família Best transformou a curiosidade em ocupação principal, viajando em um veículo recreativo para atender feiras e festivais. No entanto, em novembro de 1997, a família sofreu um duro golpe: Chuck Best faleceu afogado após sofrer uma parada cardíaca enquanto tentava resgatar seu padrasto em um acidente náutico.
O luto quase encerrou as turnês em definitivo. Contudo, Lou Ann decidiu retomar as atividades atribuindo um propósito educativo à visibilidade da atração. Ela mesma costurou pequenos coletes salva-vidas de náilon sob medida para os roedores e passou a condicionar a presença do animal na água ao uso rigoroso do acessório.
A partir daquele momento, cada show passou a ser estruturado em torno da segurança aquática, reforçando a importância do uso de coletes para crianças e adultos que praticam esportes em lagos e rios. O animal tornou-se mascote de campanhas do Conselho Nacional de Segurança Náutica dos Estados Unidos (National Safe Boating Council).
Linhagem e cuidados com o bem-estar animal
Por terem uma expectativa média de vida de aproximadamente seis anos em cativeiro, diferentes animais deram continuidade ao papel principal ao longo de quatro décadas e meia. Em 2018, Lou Ann anunciou sua aposentadoria oficial dos palcos, mas o legado foi assumido por seu filho, Chuck Best Jr., que assumiu o gerenciamento das turnês ao lado da noiva, Toni Tedesco.
A equipe explica que os animais utilizados nas exibições são resgatados por reabilitadores licenciados da vida selvagem quando filhotes e jamais capturados diretamente no habitat na fase adulta. O treinamento ocorre exclusivamente por métodos de reforço positivo, sem restrição de alimento e sem qualquer fixação das patas nas pranchas. Caso o roedor se desequilibre durante uma curva da lancha, ele flutua imediatamente com seu colete e nada pequenas distâncias até as mãos do treinador.
Mesmo atraindo ocasionalmente debates e restrições legais sobre a manutenção de roedores silvestres em recintos urbanos em algumas jurisdições estrangeiras, a presença de Twiggy na Feira Estadual do Alasca manteve o apelo popular. Entre o espanto da plateia e aplausos dos visitantes, a atração continua combinando entretenimento rural com a promoção contínua do cuidado nas águas.
imagem: IA

