Drones e IA calculam estoque de carbono árvore por árvore

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Para Quem Tem Pressa

  • Pesquisadores integraram imagens ópticas (RGB) e dados tridimensionais a laser (LiDAR) captados por drones com um modelo inédito de inteligência artificial chamado SAMFormer.
  • O sistema identifica espécies arbóreas individualmente e estima parâmetros como altura, diâmetro e biomassa para calcular estoques de carbono com 86,3% de pontuação F1.
  • Os dados revelaram que a competição excessiva entre árvores reduz o acúmulo de carbono e que certas composições de florestas mistas armazenam mais carbono do que plantios homogêneos.
  • A metodologia oferece uma alternativa não destrutiva e em larga escala aos custosos inventários florestais de solo, auxiliando no manejo adaptativo e na auditoria de créditos de carbono.

Determinar a quantidade exata de carbono retida em florestas é um dos pilares mais estratégicos no combate às mudanças climáticas e no mercado de créditos ambientais. No entanto, calcular esse volume sempre envolveu um dilema operacional: inventários de solo tradicionais exigem alto custo de mão de obra e cobrem áreas restritas, enquanto levantamentos aéreos com um drone comum enfrentam dificuldades para distinguir espécies de copas sobrepostas ou muito semelhantes.

Drones e IA calculam estoque de carbono árvore por árvore

Para superar essa barreira, uma equipe de cientistas do Instituto de Técnicas de Informação de Recursos Florestais, vinculado à Academia Chinesa de Silvicultura, em conjunto com colaboradores do Parque Nacional das Montanhas Qilian, desenvolveu uma estrutura que combina dados aéreos multimodais coletados por drones e aprendizado profundo (deep learning).

O estudo foi publicado em 2026 na revista científica Plant Phenomics, periódico associado à Universidade Agrícola de Nanjing e à Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).

Como funciona a arquitetura SAMFormer

A inovação central do projeto recebeu o nome de SAMFormer (Self-Attention-guided Spectral-Structural Multimodal Fusion Transformer). O modelo atua como um sistema automatizado de inventário individualizado, processando simultaneamente dois fluxos de informação obtidos a partir dos sensores acoplados aos drones:

  1. Fotografias RGB de ultra-alta resolução: Imagens captadas pelas câmeras do drone fornecem os detalhes espectrais e visuais das copas.
  2. Dados LiDAR (Detecção e Telemetria por Luz): O sensor laser transportado pelo drone captura a estrutura geométrica tridimensional da vegetação, gerando modelos de altura de copa (Canopy Height Model – CHM).

A integração entre as informações visuais em 2D e os dados estruturais em 3D levantados pelo drone ocorre por meio de dois mecanismos internos:

  • Módulo de Aprimoramento Adaptativo de Recursos (AFEM): Aplica mecanismos de atenção espacial e de canais para evidenciar os limites das copas nos dados do drone e mitigar ruídos de fundo.
  • Módulo de Fusão Transmodal (CMFM): Funciona como um articulador entre os dois fluxos de sensores do drone, fazendo com que as propriedades ópticas e as métricas de profundidade se complementem no treinamento da rede.

Nos testes de segmentação de instâncias a partir dos voos, o SAMFormer alcançou uma pontuação F1 de 86,3% e uma precisão média (mAP@0.5) de 88,0%, superando redes amplamente empregadas no setor, como o Mask R-CNN, e abordagens que utilizavam apenas dados monomodais coletados por drone.

Da identificação botânica ao cálculo de biomassa pelo ar

Mais do que apontar a localização de uma planta na imagem aérea do drone, o sistema automatizado permite mensurar individualmente parâmetros biométricos essenciais para a silvicultura: diâmetro à altura do peito (DAP), altura total, biomassa acumulada e a espécie botânica de cada indivíduo mapeado pelo drone.

Com a extração desses parâmetros em grande escala através do monitoramento com drones, os pesquisadores conseguiram gerar mapas detalhados da distribuição de carbono e observar dinâmicas ecológicas diretamente no dossel:

  • Impacto da competição florestal: Os dados gerados pelo drone demonstraram uma correlação negativa estatisticamente significativa entre o nível de competição de uma árvore e seu estoque individual de carbono. Árvores submetidas a competição intensa limitaram a expansão de suas copas, reduziram a taxa de crescimento e estocaram volumes sensivelmente menores.
  • Florestas mistas versus monocultivos: Povoamentos florestais identificados nos mapeamentos de drones que mesclavam coníferas e folhosas (árvores de folhas largas) apresentaram armazenamento total de carbono superior ao de plantios monoespecíficos. Por outro lado, a combinação inadequada de certas espécies provocou o efeito oposto, evidenciando a necessidade de planejamento florístico criterioso.

Aplicações práticas na silvicultura e em créditos de carbono

A metodologia viabiliza um manejo florestal de alta precisão orientado para a adaptação climática com o suporte operacional de drones. Com mapas contínuos e detalhados de parâmetros estruturais gerados a partir do sobrevoo de cada drone, técnicos e gestores podem identificar zonas de adensamento excessivo e otimizar desbastes e cortes seletivos, reduzindo o estresse entre árvores e promovendo a resiliência das áreas florestadas.

No campo da economia verde, a possibilidade de quantificar biomassa e classificar espécies individualmente por meio de drones introduz um método escalável, objetivo e auditável para inventários de estoques de carbono, facilitando a verificação de projetos de mitigação climática sem a necessidade de intervenções destrutivas na mata.

fonte/crédito: Imagem destacada ilustrativa gerada por IA.


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