drone
A GrazeMate é uma startup criada pelo jovem Sam Rogers, de apenas 19 anos, que desenvolveu um sistema em que o produtor escolhe o pasto no celular e envia um drone para mover o gado sozinho. A empresa já fechou compromissos para atuar em 687.965 hectares na Austrália, está expandindo para a Califórnia (EUA) e captou 1,2 milhão de dólares australianos (R$ 4,35 milhões) em rodada liderada pela Y Combinator, com apoio da NextGen Ventures.
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Quem vive a pecuária sabe: mover rebanho no campo não é só “tocar o gado”. É logística, esforço físico, tempo, risco e, muitas vezes, uma operação que exige equipe, motos e até helicópteros dependendo do tamanho da propriedade.
E foi exatamente vivendo isso de perto que o australiano Sam Rogers teve a ideia de modernizar uma das tarefas mais tradicionais — e mais cansativas — do mundo rural.
Criado em uma fazenda em Bowen, no norte de Queensland, Sam acompanhava o pai durante o manejo de 6.000 bovinos, realizado com apoio de cavalos e motocicletas. Para quem vê de fora, isso pode parecer quase “romântico”. Para quem está dentro, é trabalho pesado com relógio correndo — porque ninguém quer terminar o dia no escuro.
Sam, entusiasta de robótica desde cedo, enxergou o que muitos produtores também sentem: deve existir um jeito mais eficiente de fazer isso. E melhor ainda: um jeito de fazer o pai voltar para casa antes do pôr do sol.
A solução criada por Sam se transformou na startup GrazeMate, formalizada como empresa em 2025. Ele assumiu o cargo de CEO e, em menos de um ano, já tinha algo que muita empresa “adulta” não consegue: resultados concretos no campo e contratos em escala.
O funcionamento é simples no conceito — e poderoso na prática:
Ou seja: em vez de reunir pessoas, motos, cavalos ou helicópteros, o manejo simplesmente acontece.
E aí entra o detalhe que muda tudo: não é um drone “controlado”, é um drone que executa o serviço de forma autônoma.
Um dos pontos mais relevantes do projeto é que o produtor não precisa pilotar o equipamento.
Isso parece pequeno… até você lembrar da realidade da pecuária:
A proposta da GrazeMate é justamente colocar o manejo no mesmo nível de praticidade de um aplicativo: o produtor define o que precisa, o sistema faz o restante.
De forma indireta, é como se a empresa dissesse: “se o escritório já ganhou produtividade com tecnologia, o campo também merece esse salto.”
Muita gente fala em inovação rural, mas entrega só um “painel bonito”. A GrazeMate foi por outro caminho: ela automatiza a execução no mundo real.
O drone opera de forma autônoma, tomando decisões em tempo real conforme o comportamento do rebanho. Em vez de o humano ficar controlando, o produtor apenas define a tarefa e acompanha o resultado.
Isso dá escala. E escala, no agro, vira dinheiro.
Além disso, o sistema reporta tudo o que identifica durante a operação. O drone não está apenas “levando gado”: ele está mapeando o campo enquanto trabalha.
Outro ponto forte da solução está nos dados coletados durante o manejo. Enquanto o drone realiza o deslocamento do rebanho, ele também consegue fornecer informações úteis como:
Isso melhora o planejamento e reduz a tomada de decisão “no chute”, algo que custa caro quando o produtor está lidando com centenas (ou milhares) de animais.
O objetivo é claro: ajudar produtores a ver e fazer mais do que conseguiriam sozinhos.
E sim… o drone trabalhando e dando relatório parece coisa de filme. Mas é só o agro chegando onde sempre deveria ter chegado.
Em menos de um ano após ser formalizada, a empresa firmou compromissos para realizar manejo em 687.965 hectares de terra em regiões entre Queensland e Nova Gales do Sul.
E agora, a operação vai além da Austrália: a GrazeMate está expandindo para a Califórnia, nos Estados Unidos.
Esse detalhe é importante porque mostra duas coisas:
E se funciona em áreas gigantes e com realidades diferentes, a tendência é ganhar espaço rápido.
A inovação chamou atenção de investidores de peso.
A empresa recebeu um aporte pré-seed de 1,2 milhão de dólares australianos (R$ 4,35 milhões), rodada liderada pela Y Combinator, uma das aceleradoras mais prestigiadas do mundo, sediada no Vale do Silício.
A NextGen Ventures também participou da rodada e conheceu Sam quando ele ainda era estudante de Engenharia Mecatrônica na Universidade de Sydney, em 2025.
Para quem está no agro, esse tipo de movimento é um sinal claro: o mercado global está colocando dinheiro na autonomia rural, porque o problema é real — e urgente.
Se a idade de Sam Rogers já chama atenção, a trajetória dele deixa tudo ainda mais surpreendente.
Ele aprendeu sozinho a programar em chinês, usando drones alternativos, porque não tinha condições financeiras de comprar os modelos de alta especificação que mais tarde produziria.
E a história não para aí:
Sim: o garoto não é exatamente o tipo que “desiste fácil”.
Essa experiência, inclusive, foi decisiva para convencer Sam de que ele precisava construir algo que unisse os desafios do campo com tecnologia avançada.
O impulso final veio no Nepal, após ele se recuperar de um tumor na coluna e de uma fratura nas costas.
Lá, ele observou como os sherpas manejam os yaks: sobem uma colina, tocam um sino e o som ecoa pelo vale. O rebanho entende o sinal e se desloca naturalmente.
A partir disso, a empresa passou a trabalhar em como replicar esse tipo de sinalização natural em uma escala muito maior.
Ou seja: a tecnologia não veio só de laboratório. Veio também de observação prática e respeito ao comportamento animal — algo que muita “inovação” ignora e depois não entende por que não funciona.
A GrazeMate só se tornou possível por causa de três avanços tecnológicos recentes, que convergiram no mesmo período:
Nos últimos 10 anos, investimentos em defesa aceleraram melhorias na vida útil das baterias, permitindo maior autonomia e alcance.
O avanço da IA tornou a computação de borda poderosa e acessível, ou seja: o drone consegue “pensar” e agir sem depender de conexão constante.
As regulamentações passaram a abrir espaço para autonomia real, algo essencial para operações consistentes e seguras.
Esse cenário se conecta a uma dor central do produtor: escassez de mão de obra e aumento dos custos.
Ferramentas digitais multiplicaram produtividade no mundo corporativo. E a GrazeMate quer levar essa mesma alavancagem para o campo.
A história de Sam Rogers não é só sobre um CEO jovem. É sobre alguém que viu um problema real no próprio dia a dia e decidiu resolver com tecnologia aplicada.
A GrazeMate surge como uma resposta direta aos desafios de quem vive a pecuária na prática:
E se o drone autônomo vai virar padrão? Ainda cedo para cravar. Mas se depender do ritmo de expansão e do interesse de investidores, essa transformação já começou.
A única dúvida é: quem vai adotar primeiro… e quem vai ficar pra trás tentando manejar o futuro com as mesmas ferramentas de 1980.
Imagem principal: IA.
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