Dólar em alta no Brasil: impactos da guerra tarifária global

Dólar em alta no Brasil com incertezas sobre a guerra tarifária entre EUA e China. Entenda os impactos no real e na economia nacional.

Para Quem Tem Pressa:

O dólar voltou a subir no Brasil, ultrapassando os R$5,90, em meio às tensões provocadas pela guerra tarifária entre Estados Unidos e China. A instabilidade global e medidas internas contribuem para a valorização da moeda americana frente ao real.


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Dólar em alta no Brasil: impactos da guerra tarifária global

O que está impulsionando a alta do dólar?

A recente valorização do dólar frente ao real reflete um cenário de incerteza econômica global, impulsionado principalmente pela intensificação da guerra tarifária entre Estados Unidos e China. Mesmo após o adiamento da imposição de novas tarifas pelos EUA, o mercado financeiro brasileiro reagiu negativamente, demonstrando desconfiança quanto ao desfecho das tensões comerciais.

Influência da política americana nas moedas emergentes

A política comercial agressiva do governo americano, especialmente sob a liderança de Trump, tem causado volatilidade nas moedas emergentes, incluindo o real. A percepção de risco aumentou significativamente, elevando a procura por ativos considerados mais seguros, como o dólar. Essa movimentação pressiona a taxa de câmbio e impacta diretamente a economia brasileira.

“A volatilidade da política comercial de Trump deve continuar sendo um fator de pressão negativo para as moedas emergentes”, destaca Bruno Shahini, especialista da Nomad.

Mercado brasileiro reage com cautela

A moeda americana fechou a quinta-feira em alta de 0,89%, cotada a R$5,8990, revertendo parte das perdas da sessão anterior, quando havia caído 2,53%. No acumulado de abril, o dólar já sobe 3,37%, evidenciando a instabilidade do mercado cambial.

Durante o dia, o dólar oscilou entre R$5,8256 e R$5,9561, mostrando a sensibilidade dos investidores a qualquer sinal externo, especialmente relacionado às negociações entre as maiores economias do mundo.

Desempenho das commodities e efeito no Brasil

A queda nos preços de commodities estratégicas, como o petróleo e o farelo de soja, também contribuiu para a pressão sobre o real. Ambos os produtos têm peso relevante na balança comercial brasileira, e sua desvalorização afeta a expectativa de entrada de dólares no país.

Impactos internos agravam a pressão cambial

Internamente, a possível reestruturação do setor elétrico proposta pelo governo Lula adicionou um novo fator de incerteza. A possibilidade de ampliação da gratuidade da conta de energia, sem clareza sobre o impacto fiscal, elevou as preocupações com a responsabilidade fiscal do governo.

O ministro Fernando Haddad tentou acalmar o mercado afirmando que não há estudos em andamento sobre a ampliação do programa Tarifa Social, mas a dúvida persiste entre os investidores.

A atuação do Banco Central no câmbio

Para conter parte da pressão, o Banco Central realizou a venda de 20 mil contratos de swap cambial tradicional, voltados à rolagem de vencimentos. A medida, no entanto, teve efeito limitado diante das incertezas externas mais amplas.

Panorama internacional do dólar

No cenário global, o dólar se valorizava frente a moedas de países emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano, mas perdia força frente ao iene, euro e libra, que são vistos como ativos de proteção em tempos de crise.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis moedas fortes, caía 1,82%, a 101,080, indicando movimentos de ajuste no mercado internacional.


Conclusão

O cenário atual revela um contexto delicado para o Brasil, com o dólar em alta no Brasil refletindo tanto fatores externos, como a guerra tarifária, quanto questões internas ligadas à política fiscal. A combinação desses elementos mantém o mercado cambial sob pressão, e novas oscilações podem ocorrer à medida que o panorama global evolui.

Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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