Documentário O Nó: O bioterrorismo que destruiu o cacau
Para Quem Tem Pressa:
O Documentário O Nó, vídeo abaixo, dirigido por Dilson Araújo, expõe uma verdade chocante: a praga da vassoura-de-bruxa, que devastou o cacau na Bahia em 1989, não foi um acidente. Este artigo analisa como o filme desvenda um ato deliberado de bioterrorismo, detalhando a confissão dos culpados e o colapso social e econômico que se seguiu.c
O que revela o Documentário O Nó sobre a crise?
No coração da Bahia, o cacau reinava. Ilhéus, Itabuna e Uruçuca eram o epicentro econômico. No final dos 80, o Brasil era o segundo maior exportador, sustentando 800 mil almas. Em 1989, a vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) irrompeu. Não por acaso, mas por mãos humanas. O Documentário O Nó – Ato Humano Deliberado”, de Dilson Araújo, desvela essa ferida com precisão de autópsia, tecendo um relato de bioterrorismo.
O Início da Praga: Um Ato de Sabotagem
O filme inicia com uma fábula irônica: o cacau como rei. A Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), de 1961, surge como guardiã. Mas o nó se aperta aos 2 minutos do Documentário O Nó: em Uruçuca e Camacã, focos da doença brotam simultaneamente, a 100 km de distância. Especialistas como Paulo Alvim explicam o impossível: o fungo não “pula”. Sua dispersão natural depende de vento e água. Aqui, galhos infectados foram amarrados deliberadamente às árvores com plásticos. “Quem fez isso sabia o que estava fazendo”, testemunha um agricultor. É o indício de sabotagem.
O Colapso Humano e Social da Lavoura Cacaueira
A devastação humana é o coração do documentário (exposta entre 5 e 15 minutos). Noela Gomes narra o colapso do marido Deodato: “Meu marido ficou triste… Em janeiro de 95… Acordei às 7, e ele já estava pendurado, morto.” Deodato, como milhares, via sua roça murchar. A praga impede a frutificação, matando árvores lentamente. Em uma década, 600 mil hectares viraram cinzas – 92% das propriedades eram pequenas. 200 mil empregos evaporaram, forçando 800 mil pessoas a migrar. Itabuna afundou em violência. O Documentário O Nó mostra imagens de satélite chocantes: onde havia Mata Atlântica, restou um deserto.
A Falha da Ceplac: Negligência ou Conivência?
A Ceplac é dissecada dos 15 aos 35 minutos. Responsável pelo combate, o órgão prescreveu podas drásticas e enxertos incompatíveis em seu programa de 1995, agravando o caos. Empréstimos para replantio endividaram produtores sem retorno; uma nota interna de 2004 admite a “inutilidade” da tecnologia, sem perdão de dívidas. José Gerardo Fontes, ex-secretário, confessa aos 45 minutos: “A recuperação foi um fracasso.” O golpe vem aos 53 minutos, com Alvim: “Há forte contribuição criminal… Encontramos galhos pendurados maliciosamente.” A instituição falhou. Esta falha é um ponto central que o Documentário O Nó explora.
A Confissão: Quem e Por Que Introduziu o Fungo
O clímax irrompe aos 60 minutos: a confissão de Luís Henrique Franco Timóteo, técnico da Ceplac. Aos 1:00:00, ele se apresenta: “Meu nome é Luís Henrique Franco Timóteo, e eu fui um dos idealizadores da introdução da vassoura-de-bruxa na Bahia.” Militante petista nos 80, Timóteo admite trazer 250-300 galhos infectados de Rondônia. Inicialmente, à PF em 2006, alegou minar “coronéis cacaueiros”. Mas no Documentário O Nó, seis anos depois, reescreve o roteiro: “A intenção era provar a necessidade da Ceplac… Mostrar que ela ainda tinha função.” Um “limited hangout”, sugere o filme, uma meia-verdade para encobrir motivos mais sombrios – talvez interesses corporativos estrangeiros por patentes (como da Mars) ávidas pelo controle global.
Um Crime sem Punição e o Futuro do Cacau
O Documentário O Nó não é mero registro; é um réquiem pela justiça negada. Apesar de provas – galhos amarrados, confissão gravada –, ninguém foi punido. Documentos sumiram. O Brasil, de terceiro produtor, despencou ao 13º, importando o que plantava. O documentário clama por accountability. Aos 1:05:00, uma canção ecoa: “Brasil, acorda!” A Bahia clama por reparação. O cacau pode renascer, como vemos em novas técnicas de cultivo, mas o Documentário O Nó prova que só desataremos o crime humano que o matou.
imagem: IA
Outras fontes:
Vídeo Documentário O Nó

