cevada
|

Desafios da produção de cevada no Brasil

Compartilhar

Cevada precisa atingir qualidade para produção de malte cervejeiro.

Veja também: Índice de preços de alimentos recua em julho

Acompanhe o Portal Agron no Facebook

Pesquisadores da Embrapa discutem como superar desafios da produção de cevada no Brasil.

As lavouras brasileiras de cevada apresentam altos rendimentos, comparáveis aos grandes países produtores do cereal. O problema está na estabilidade na oferta de grãos com qualidade para abastecer a indústria de malte instalada no País. Este foi o apontamento da 33ª Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada, realizada nos dias 2 e 3, em Passo Fundo, RS.

Anuncio congado imagem

O painel de avaliação de safra contemplou os resultados da cevada no Brasil nos anos de 2019, 2020 e 2021. De forma geral, a produtividade média das lavouras ficou acima de 3,6 toneladas por hectare (dados Conab). Contudo, segundo análises da Ambev, o percentual de grãos de cevada aproveitados pela indústria malteira no Rio Grande do Sul foi de 50% em 2019, caiu para 41% em 2020 e chegou a 72% em 2021. A qualidade da cevada cervejeira variou em função do clima, principalmente estiagem na implantação da cultura ou excesso de umidade na floração e colheita. “Olhando apenas para 2021, num ano de clima favorável nós perdemos 30% da produção por falta de qualidade. Não é uma margem aceitável. Nem tudo é culpa do clima, precisamos aperfeiçoar etapas do sistema, desde a implantação das lavouras, passando pelo manejo até o recebimento na indústria”, lamenta o pesquisador da Ambev, Mauri Botini.

A indústria cervejeira precisa de grãos de cevada que apresentem um teor mínimo de 9,5% e um máximo de 12% de proteína bruta, além de 95% de taxa de germinação, atributos que permitem fazer malte com qualidade que atende o mercado. Também são desejáveis grãos de maior tamanho e livres da contaminação por micotoxinas.

Em função do nível de exigência com relação a atributos físicos e químicos dos grãos de cevada para fins cervejeiros, muitos produtores do RS estão trocando a cevada pelo trigo. A área de cevada que chegou a 90 mil hectares (ha) em 2015, caiu para 38 mil ha na última safra. Atualmente, entre os cultivos de inverno em solo gaúcho, a cevada representa apenas 2% da área, enquanto o trigo cobre 74% e a aveia 21%. “A redução na área foi uma estratégia da empresa em busca de estabilidade e melhor eficiência no cultivo de cevada na região”, conta Botini, destacando que a cevada requer um pacote tecnológico superior ao trigo, num sistema de produção que está sendo aprimorado junto aos produtores parceiros. Ele avalia que, com o avanço de novas cultivares, a área deverá voltar a crescer, especialmente na metade norte do Rio Grande do Sul onde os rendimentos são superiores.

Em caminho contrário ao RS, no estado do Paraná a área de cultivo vem crescendo nos últimos cinco anos e chegou a 73 mil ha em 2021, aumento diretamente relacionado ao trabalho de fomento à cevada. Entre as 214 famílias cooperadas da Cooperativa Agrária, o crescimento tem sido acima de 10% ao ano. “A área de cevada tem avançado sobre o trigo, principalmente pela vantagem de sair mais cedo da lavoura e permitir a semeadura antecipada da soja”, explica o pesquisador da FAPA/Agrária, Noemir Antoniazzi, lembrando que o fomento ao cultivo da cevada também é estratégico para a cooperativa, que conta com uma maltaria no Sul do PR e faz parte do grupo de cinco cooperativas que vai instalar uma segunda maltaria nos Campos Gerais do PR em 2023.

“Verificamos que é mais fácil comprar trigo no mercado para abastecer o moinho do que conseguir cevada de qualidade para a malteação”, conclui ele. Para garantir o abastecimento de cevada, já que entre os cooperados da Agrária o crescimento da área chegou ao limite, a equipe de fomento foi em busca produtores não cooperados e prevê um crescimento de 23% de área contratada nesta safra. “Nós temos dificuldade para identificar produtores com capacidade técnica para produzir cevada. Muito produtores ainda não dominam particularidades na adubação e manejo de doenças, por exemplo”, avalia o responsável pelo fomento Marcelo Marochio.

Alimentação animal

Historicamente, os grãos de cevada que não atingem o padrão para malteação são destinados à ração animal com valor equiparado ao milho, com defasagem que chegou a representar 50% no passado. Porém, com a alta no preço de grãos em geral e o mercado de alimentação animal aquecido, muito produtores tendem a investir menos na lavoura de cevada, especialmente baixa adubação, deixando os grãos com menor PH, focando apenas em volume de rendimento e não em proteína e germinação, ou seja, visando colheita de grãos fora dos padrões cervejeiros mas aptos à indústria de ração. “Toda cevada cervejeira pode ser forrageira, mas nem toda cevada pode ser utilizada para malteação dados os requisitos mínimos de qualidade”, explica o Gerente Regional Agro da Ambev, Caio Batista. Segundo ele, no mundo, do volume de 145 milhões de cevada produzidos anualmente, apenas entre 10 e 15% é utilizado para fins cervejeiros.

De olho neste mercado feed (termo utilizado para indicar destinação da produção à alimentação animal), a Argentina está substituindo o trigo – que além de desafios de mercado conta com diversas barreiras governamentais à exportação – pela cevada. Hoje há cerca de 1 milhão de hectares de cevada no país vizinho que potencialmente podem ter fins cervejeiros, e essa área deverá continuar crescendo. “Nos últimos anos, o destino de grande parte da safra argentina de cevada foi Oriente e Ásia, visando uso na ração animal. Como a relação entre oferta e demanda de cevada no mercado internacional sempre foi apertada, qualquer mudança pode causar instabilidade na dinâmica de mercado”, explica Caio.

Para o pesquisador da Embrapa Trigo, Aloísio Vilarinho, o mercado de cevada na alimentação animal está apenas começando no Brasil, mas deverá se consolidar rapidamente: “A escassez de milho frente à crescente produção de proteína animal abre a oportunidade para o uso dos cereais de inverno na alimentação animal. A Região Sul tem área e conhecimento para suprir esse mercado e a cevada tem se mostrado excelente alternativa para alimentar bovinos, suínos e aves”, afirma o pesquisador, destacando que, em pouco tempo, o valor pago pelos grãos de cevada cervejeira deverá estar equiparado à cevada forrageira.

A 33ª Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada reuniu mais de 120 pesquisadores no auditório da Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS, nos dias 2 e 3 de agosto. A realização foi da Ambev, em parceria com a FAPA/Agrária e a Embrapa. Ao final da Reunião, os participantes fizeram uma visita às instalações da Maltaria Passo Fundo, administrada pela Ambev.

O principal resultado do evento é a atualização da publicação “Indicações técnicas para a produção de cevada cervejeira nas safras 2023 e 2024”, que deverá estar disponível até o final deste ano. Entre as principais alterações previstas, está a inclusão de duas novas cultivares desenvolvidas pela equipe de pesquisa da Ambev: ABI Rubi e ABI Valente. A próxima edição da Reunião de Pesquisa está marcada para o mês de abril de 2024, com realizada da FAPA/Agrária.

Fonte: Datagro. Imagem principal: Depositphotos.

*Se o artigo ou imagem foi publicado com base no conteúdo de outro site, e se houver algum problema em relação ao conteúdo ou imagem, direitos autorais por exemplo, por favor, deixe um comentário abaixo do artigo. Tentaremos resolver o mais rápido possível para proteger os direitos do autor. Muito obrigado!

*Queremos apenas que os leitores acessem informações de forma mais rápida e fácil com outros conteúdos multilíngues, em vez de informações disponíveis apenas em um determinado idioma.

*Sempre respeitamos os direitos autorais do conteúdo do autor e sempre incluímos o link original do artigo fonte. Caso o autor discorde, basta deixar o relato abaixo do artigo, o artigo e a imagem será editado ou apagado a pedido do autor. Muito obrigado! Atenciosamente!

*If the article or image was published based on content from another site, and if there are any issues regarding the content or image, the copyright for example, please leave a comment below the article. We will try to resolve it as soon as possible to protect the copyright. Thank you very much!

*We just want readers to access information more quickly and easily with other multilingual content, instead of information only available in a certain language.

*We always respect the copyright of the content and image of the author and always include the original link of the source article. If the author disagrees, just leave the report below the article, the article and the image will be edited or deleted at the request of the author. Thanks very much! Best regards!


Compartilhar

Posts Similares

2 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *