crise da carne
A crise da carne bovina nos EUA atingiu um nível histórico: preços recordes ao consumidor, rebanho no menor patamar em mais de 70 anos e uma resposta emergencial do governo, que ampliou importações de carne da Argentina. A medida tenta conter a inflação, mas gera forte reação dos pecuaristas e aprofunda o debate sobre clima, custos, concentração do setor e futuro da produção americana.
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A crise da carne bovina nos EUA é resultado de uma combinação rara e preocupante de fatores que afetam toda a cadeia produtiva, da fazenda ao supermercado.
Entre os principais elementos estão:
Esse cenário levou o governo do presidente Donald Trump a adotar uma medida emergencial: ampliar temporariamente as importações de carne bovina da Argentina.
A decisão foi formalizada por meio de uma ordem executiva que amplia em 80 mil toneladas métricas a quota tarifária para importação de aparas magras de carne bovina ao longo de 2026.
O volume:
Segundo o governo, o objetivo é aumentar a oferta doméstica e tornar a carne moída mais acessível em meio à crise da carne bovina nos EUA.
Os dados reforçam a gravidade da situação.
Segundo o Bureau of Labor Statistics, o preço médio da carne moída atingiu US$ 6,69 por libra em dezembro de 2025 — o maior valor desde o início da série histórica, nos anos 1980.
Já informações do USDA mostram que:
Esse movimento reforça a percepção de escassez ligada diretamente à crise da carne bovina nos EUA.
O próprio decreto presidencial reconhece que a crise atual decorre da diminuição prolongada do rebanho bovino, hoje no menor nível em mais de sete décadas.
Entre os principais fatores estão:
Sem pasto suficiente e com ração mais cara, muitos produtores foram obrigados a reduzir plantéis e vender animais precocemente — inclusive vacas matrizes, essenciais para a reposição futura.
Especialistas concordam que não existe solução imediata para a crise da carne bovina nos EUA.
Esse ciclo produtivo longo torna a recuperação lenta e vulnerável a novos choques climáticos.
Um levantamento do Federal Reserve de Kansas City mostra que o agravamento da seca provoca efeitos diretos:
Outro estudo, conduzido pela Farm Bureau, revelou que dois em cada três pecuaristas venderam parte do gado, passando a operar com cerca de um terço menos animais.
Em algumas regiões tradicionais, propriedades enfrentaram quase três meses sem chuva, evidenciando como eventos climáticos extremos remodelam a pecuária americana.
Apesar de apresentada como solução emergencial, a ampliação das importações enfrenta resistência da indústria pecuária.
A principal associação do setor afirma que:
Também há preocupações sanitárias, com a defesa de protocolos de inspeção mais rigorosos e auditorias atualizadas para evitar riscos ao rebanho e aos consumidores.
Outro ponto sensível da crise da carne bovina nos EUA é a concentração do processamento.
As chamadas “Quatro Grandes”:
Respondem por cerca de 85% do gado terminado que chega ao mercado.
Embora os pecuaristas recebam um pouco mais pelo gado vivo, os maiores aumentos de preço ocorrem nas etapas seguintes da cadeia — abate, processamento, logística e varejo.
Mesmo com a inflação, o consumo segue robusto.
Segundo a Beef Research:
O resultado é um cenário desafiador: demanda aquecida + oferta restrita, combinação que mantém a crise da carne bovina nos EUA longe de uma solução rápida.
A Casa Branca afirma que a ampliação das importações é temporária, mas a decisão reacende um debate estratégico sobre o futuro da pecuária.
Analistas apontam que:
Com o fornecimento no menor nível em 70 anos e recuperação lenta, cresce a percepção de que os EUA entraram em uma nova fase da pecuária, marcada por volatilidade, riscos climáticos e disputas sobre o papel das importações.
Enquanto isso, a pressão segue forte nas fazendas e nos supermercados — sinal de que a crise da carne bovina nos EUA ainda está longe de acabar.
Imagem principal: IA.
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