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Como tornar o cultivo em terras baixas mais eficiente e lucrativo. Existem grandes áreas de várzeas disponíveis para o cultivo de culturas de sequeiro, em rotação com o arroz irrigado.
Através da técnica de sulcos-camalhões, grandes produtividades em terras baixas têm sido alcançadas.
Entenda como funciona essa técnica em culturas de sequeiro e como melhorar a produtividade.
O que são terras baixas
As terras baixas são áreas de várzea, com relevo plano e altitude próxima ao nível do mar.
Essas áreas apresentam algumas características limitantes para o cultivo de culturas de sequeiro. Isso porque apresentam drenagem deficiente do solo.
A drenagem do solo é uma premissa básica para iniciar o cultivo de culturas de sequeiro nessas áreas.
Quando essas limitações em terras baixas são solucionadas, a rotação de culturas de sequeiro com arroz irrigado pode proporcionar benefícios como:
manutenção do potencial produtivo do arroz;
quebra do ciclo de pragas;
melhoria da qualidade química e física do solo;
redução da competição por nutrientes.
Diversas culturas de sequeiro podem ser utilizadas em rotação com o arroz irrigado:
trigo;
centeio;
sorgo;
soja;
milho;
feijão.
A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz em terras baixas.
Como tornar eficiente o cultivo em terras baixas
O cultivo em terras baixas é eficiente após a correção das suas limitações.
Após a correção, as culturas de sequeiro são produtivas e rentáveis nas áreas de várzea. Veja quais são os principais fatores limitantes:
a deficiente drenagem natural do solo;
a ocorrência frequente de períodos de estiagem;
a alternância entre o excesso e o déficit de umidade no solo;
a compactação do solo.
O solo precisa ter um ambiente radicular favorável e sem limitações físicas para o crescimento das plantas. Essas características tornam o cultivo em terras baixas eficiente e lucrativo.
Nesse ambiente, a planta expressa o seu máximo potencial produtivo.
Como contornar as dificuldades do cultivo em terras baixas
É importante se atentar a essas limitações. Assim, você poderá realizar uma implantação e manejo da lavoura adequados.
Nessas áreas, são necessárias técnicas de manejo que proporcionem um ambiente melhor drenado.
Uma alternativa eficiente para investir em áreas de várzea é o sistema de sulco-camalhão. Conheça melhor essa técnica!
Técnica de sulco-camalhão
O sistema de sulco-camalhão é uma técnica de irrigação e drenagem. Ela é indicada para áreas de relevo pouco declivoso e com solo de baixa permeabilidade.
A técnica é baseada na construção de um “canteiro”. Na parte alta, ou camalhão, são cultivadas as culturas de sequeiro.
Entre os camalhões, são formados os sulcos laterais. Eles servem para o escoamento da água de drenagem e irrigação.
Entre eles, transitam os rodados das máquinas agrícolas.
A utilização da técnica melhora a drenagem superficial do solo e, ao mesmo tempo, permite irrigação suplementar pelos sulcos. Ou seja, o mesmo sulco que irriga também drena o solo.
O principal objetivo da técnica é atingir níveis altos e estáveis de produtividade, com rentabilidade. Ela já gerou bons resultados na produtividade da soja sequeiro.
Como aplicar a técnica de sulco-camalhão?
Para construir os sulcos-camalhões, você precisa realizar a:
suavização da área (se for necessário);
descompactação do solo;
correção da acidez e fertilidade do solo;
construção dos camalhões;
semeadura da cultura de sequeiro.
Para a construção, você pode utilizar os equipamentos disponíveis na propriedade. Os sulcos-camalhões podem ser adotados por pequenos, médios e grandes produtores.
Em propriedades pequenas, é possível utilizar o arado de aiveca para construção dos camalhões, no sentido da declividade da área.
Já para médias e grandes propriedades, existem no mercado implementos específicos para a construção dos camalhões.
Na figura abaixo, você pode verificar como eles são construídos.
Após a construção dos camalhões, são semeadas duas linhas da cultura de sequeiro na parte mais alta. Faça isso com auxílio da semeadora disponível na propriedade, com o espaçamento recomendado para a cultura.
Resultados do cultivo de soja em terras baixas e outras vantagens
Em culturas de sequeiro em áreas de terras baixas, têm surgido resultados positivos do emprego da técnica de sulco-camalhão.
Veja algumas vantagens:
Evita problemas relacionados ao excesso ou deficiência hídrica;
Os sulcos fazem drenagem e irrigação;
Os camalhões podem ser construídos antes ou no momento da semeadura;
O uso do sistema é essencial para a obtenção de renda e estabilidade produtiva da soja em terras baixas.
A safra 2019/2020 foi extremamente seca, com perdas de produtividade nas áreas não irrigadas.
Nas áreas irrigadas por meio dessa técnica, os ganhos de produtividade chegaram a 20 sacas/ha em comparação às não irrigadas.
A safra 2020/2021 apresentou chuvas adequadas. Apesar disso, as áreas irrigadas com sulco-camalhão produziram, em média, 26 sacas/ha a mais que as áreas não irrigadas.
Os custos adicionais para a implantação e execução do sistema sulco-camalhão na safra 2019/2020 foram de 3,5 sacas/ha.
Na safra 2020/2021, os custos foram um pouco maiores, atingindo 4,0 sacas/ha. A técnica proporciona ótimo retorno econômico.
Na soja cultivada em áreas de várzea e em rotação com o arroz irrigado, a técnica soluciona problemas de drenagem nos períodos de encharcamento.
Esses períodos são comuns no ciclo vegetativo da soja.
Desvantagens do cultivo em terras baixas
Essa técnica também apresenta algumas desvantagens, como:
baixo rendimento operacional;
maior consumo de combustível;
dificuldade de uso em áreas de relevo irregular;
necessário o preparo do solo para implantação da cultura seguinte (arroz irrigado).
Conclusão
A drenagem do solo é a premissa básica para o cultivo de culturas de sequeiro em terras baixas. A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz irrigado nessas terras.
A técnica de sulco-camalhão é uma alternativa para solucionar o problema de drenagem nessas áreas. A técnica é capaz de, ao mesmo tempo, drenar e irrigar o solo.
Invista nesse sistema em terras baixas para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura.
Você tem investido ou pensa em investir em técnicas de cultivo em terras baixas? Adoraria ler seu comentário abaixo!
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Fonte: Lavoura. Por: Denise Prevedel. Imagem Pirncipal: DepositPhotos.
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