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Clima Extremo Força Produtores a Adotar Irrigação para Evitar Colapso nas Safras

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Com o clima extremo ameaçando as safras, a irrigação vira item obrigatório no campo. Descubra como a tecnologia evita prejuízos e garante a produção.

Para Quem Tem Pressa

A adoção da irrigação no Brasil deixou de ser um mero diferencial competitivo e passou a ser uma exigência direta das mudanças climáticas. Durante o Fórum Mais Milho em Brasília, pesquisadores destacaram que a tradicional agricultura de sequeiro enfrenta riscos crescentes por estresse hídrico, a principal causa do endividamento rural. O país possui potencial para expandir sua área irrigada em 53,4 milhões de hectares no longo prazo, exigindo até R$ 150 bilhões em investimentos privados. No entanto, entraves históricos como burocracia no licenciamento ambiental, outorga de água e infraestrutura de energia elétrica ainda travam o setor, que hoje aproveita menos de 1% da reserva nacional de água doce.

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Mudanças climáticas pressionam o modelo tradicional de sequeiro

O avanço e a intensificação dos eventos meteorológicos extremos transformaram a gestão hídrica no campo. O que antes era visto pelo produtor rural como uma escolha estratégica de investimento tornou-se uma necessidade operacional indispensável para garantir a estabilidade da oferta de alimentos e a continuidade das safras.

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No Fórum Mais Milho, evento promovido em Brasília (DF) pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) na última quarta-feira (12/8), especialistas foram categóricos: a produção agrícola dependente exclusivamente das chuvas perdeu o fôlego de outrora.

Lineu Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados e um dos idealizadores da Rede Nacional de Irrigantes (Renai), pontuou que o cenário histórico de alta competitividade da produção de grãos no sistema de sequeiro vive uma virada inevitável.

“O cenário está mudando, vamos ter que irrigar mais. Até hoje, a produção do Brasil em sequeiro era competitiva, mas agora o clima está mudando. A irrigação no Brasil vai ser cada vez mais importante”, ressaltou Rodrigues.

Para enfrentar esse panorama, o pesquisador defende o investimento massivo em ferramentas de monitoramento climático e geração de dados precisos, permitindo ao agricultor realizar um planejamento estratégico minucioso antes do plantio.


Estresse hídrico, dívidas no campo e a solução do efeito “poupa-terra”

As frustrações sucessivas de safra causadas pela seca e pela oscilação de fenômenos como El Niño e La Niña refletem diretamente na saúde financeira do agronegócio. Segundo Ronaldo Torres, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o estresse hídrico é o principal deflagrador do alto endividamento entre produtores rurais.

Nesse contexto, a irrigação no Brasil desponta como a resposta técnica para amortecer os impactos climáticos recorrentes. De acordo com o professor Durval Dourado Neto, também da Esalq/USP, o país possui capacidade técnica e territorial para somar 53,4 milhões de hectares à sua área irrigada, podendo ultrapassar a marca de 60 milhões de hectares no longo prazo.

Dourado Neto enfatizou que a tecnologia não coloca em risco as reservas hídricas nacionais:

  • Sustentabilidade operacional: Trata-se de uma solução estratégica que não exige desmatamento.
  • Efeito poupa-terra: Permite produzir mais grãos na mesma área útil, reduzindo a pressão sobre novas fronteiras agrícolas.
  • Segurança alimentar: Consolida um plano nacional para abastecimento interno e exportação.

Metas de médio prazo e polos agrícolas prioritários

Estudos apresentados no evento indicam a viabilidade de um plano nacional para expandir a área irrigada em 15,5 milhões de hectares nos próximos 30 anos. A estratégia divide-se em fases de implementação:

EtapaExpansão de ÁreaFoco de Atuação / Requisitos
Curto Prazo6,4 milhões de haRegiões com infraestrutura simplificada e rápida implementação.
Ciclos de 4 Anos+2,1 milhões de ha por cicloEntorno dos 8 principais polos agrícolas irrigados já existentes.
Longo Prazo53,4 a 60 milhões de haProjeção total de potencial irrigável do território nacional.

A expansão gradual nas áreas adjacentes aos polos consolidados aproveita a aptidão agrícola já comprovada, além da disponibilidade de mão de obra especializada e infraestrutura local.

“É importante ter a ciência norteando a agricultura. O Plano Nacional de Irrigação pode dobrar a área adicional irrigável nos próximos anos e fazer isso com sustentabilidade, preservando água e floresta. Essa solução dá segurança alimentar para o mundo”, completou Dourado Neto.


Desafios históricos e investimentos necessários

Para viabilizar a expansão de longo prazo, o setor privado precisará aportar entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões, segundo estimativas do pesquisador Gustavo Goretti, especialista em irrigação e conservação do solo.

Goretti alerta que a irrigação no Brasil ainda enfrenta barreiras burocráticas e estruturais idênticas às de duas décadas atrás:

  1. Licenciamento ambiental lento: O enquadramento equivocado do manejo hídrico como uma “atividade poluidora/impactante” em vez de uma “tecnologia de produção”.
  2. Outorgas e armazenamento: Dificuldades regulatórias para captação, reserva e uso da água.
  3. Energia elétrica: Gargalos na disponibilidade, estabilidade e qualidade da rede elétrica no meio rural.

“Precisamos tirar o pé do freio, nem precisa acelerar, precisamos deixar o produtor trabalhar”, afirmou Goretti.


O paradoxo da abundância hídrica

O encerramento dos debates trouxe uma reflexão sobre a eficiência do uso dos recursos naturais. Bernhard Kiep, diretor da Abramilho e membro da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI) da Abimaq, destacou o contrassenso vivido pelo país.

O Brasil detém cerca de 12% de toda a água doce do planeta, mas utiliza menos de 1% desse volume na agricultura. A falta de gestão eficiente transforma o país em um dos líderes em desperdício de água doce potável não aproveitada. Para os especialistas, reverter esse quadro por meio da irrigação no Brasil é a chave para unir preservação ambiental, segurança financeira no campo e abastecimento global.

Imagem principal: Meramente ilustrativa gerada por IA.


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