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Lua e Ciclo Menstrual: A Sincronia Cósmica

Para Quem Tem Pressa

Um estudo revolucionário, publicado na Science Advances em setembro de 2025, chocou a comunidade científica ao provar, com dados concretos, a conexão entre a Lua e Ciclo Menstrual. Analisando 176 diários menstruais ao longo de até 37 anos, neurobiólogos da Universidade de Würzburg constataram que, antes da proliferação da luz artificial, os sangramentos se alinhavam com a Lua Cheia e Lua Nova. A chave para essa sincronia cósmica? A melatonina e o poder da gravidade lunar, que ainda ressurge em momentos de pico como os solstícios e o periélio da Terra. A ciência resgata, agora, uma sabedoria milenar.

Lua e Ciclo Menstrual: A Sincronia Cósmica

O debate milenar sobre a influência da Lua e Ciclo Menstrual não é mais uma crença popular, mas sim um fato científico. Um estudo publicado na prestigiada revista Science Advances em setembro de 2025, liderado pela neurobióloga Charlotte Helfrich-Förster, da Universidade de Würzburg, analisou 176 diários menstruais coletados ao longo de até 37 anos. São mulheres da Europa, Israel e América do Norte que anotaram, dia após dia, o início de cada ciclo.

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Quando os pesquisadores cruzaram essas datas com os calendários lunares, o resultado foi cristalino: antes de 2010, os sangramentos se alinhavam com Lua cheia e Lua nova com frequência estatisticamente significativa. Depois de 2010 – auge das lâmpadas LED e das telas de celular – a sincronia média despencou. Mas não sumiu. Ela apenas se escondeu, esperando os momentos em que a gravidade fala mais alto.

O vilão da história tem nome: luz artificial noturna. Desde que Thomas Edison popularizou a lâmpada, passamos a viver em crepúsculos permanentes. A melatonina, hormônio que orquestra o ritmo circadiano, despenca sob luz azul. O eixo hipotálamo-hipófise-ovário, que comanda a ovulação, perde o compasso. O ciclo menstrual encurta de 29,5 dias – duração exata do mês sinódico lunar – para 26 ou 27 dias. É como trocar um relógio suíço por um despertador barulhento: funciona, mas perde a elegância da sintonia cósmica.

imagem: science

Como a Luz Artificial Interferiu na Sincronia da Lua e Ciclo Menstrual

Ainda assim, a Lua não se calou. Helfrich-Förster descobriu que a sincronia ressurge em janeiro, quando a Terra está no periélio (3% mais perto do Sol) e as marés gravitacionais alcançam o pico. Nessa janela, o ciclo menstrual volta a dançar no mesmo compasso da Lua cheia. O mesmo acontece nos solstícios de inverno e verão, quando a órbita lunar se inclina ao máximo e o “puxão” norte-sul do satélite atinge maior amplitude. São três calendários lunares diferentes – sinódico (luz), anomalístico (perigeu-apogeu) e tropical (oscilação norte-sul) – todos deixando impressões digitais nos ovários humanos.

A equipe foi além dos diários. Analisou milhões de buscas no Google por “cólica menstrual” em 12 países. O pico global ocorre na primeira semana de janeiro, exatamente quando a maré gravitacional é mais forte. Coincidência? Improvável. O corpo sente antes que a mente nomeie.

O achado reacende uma discussão milenar. Aristóteles já dizia que a Lua “umedece” os corpos; os romanos chamavam a menstruação de mensis, “mês”, ecoando o ciclo lunar. Povos indígenas do Amazonas ainda marcam casamentos na Lua cheia para aumentar a fertilidade. A ciência ocidental riu dessas crenças até 2025. Agora, o riso ficou sem graça.

O Relógio Circalunar e a Adaptação Humana

O estudo propõe a existência de um relógio circalunar embutido no cérebro. Ele seria um primo evolutivo do relógio circadiano, calibrado há 400 mil anos, quando Homo sapiens acampava sob céu limpo. Na ausência de luz artificial, a Lua cheia iluminava o acasalamento; a Lua nova trazia escuridão propícia ao sono profundo. Quem ovulasse no pico luminoso teria mais chances de conceber sob claridade suficiente para proteger mãe e filho. A seleção natural gravou esse padrão no DNA.

Hoje, 85% da população mundial vive sob poluição luminosa. O relógio lunar range, mas não quebra. Basta apagar as luzes por algumas noites – ou morar no interior – para ele voltar a tic-tac com precisão. Mulheres que acampam sem lanterna relatam ciclos voltando a 29,5 dias em uma única temporada. É o que os autores chamam de plasticidade circalunar: o corpo lembra o céu ancestral.

Os gráficos do paper são hipnóticos. Cinco rosas-dos-ventos polares mostram, mês a mês, quantas mulheres sangraram em cada fase lunar. Antes de 2010, as pétalas laranja se concentram em Lua cheia e nova. Depois, viram borrão – exceto em janeiro e nos solstícios, quando o azul ressurge como mancha de tinta fresca. É a assinatura da gravidade em papel.

O que isso muda na prática? Ginecologistas já orientam pacientes com ciclos irregulares a dormir no escuro total por 14 noites seguidas, uma prática conhecida como “terapia de escuridão”. Apps de fertilidade começam a incluir alertas de “janela gravitacional”. E antropólogos ganham munição para explicar por que tantas culturas rezam para a Lua na puberdade.

A Lua e Ciclo Menstrual não se separam. A Lua não é mais a rainha dos céus que os antigos imaginavam. Mas tampouco é uma pedra inerte. Ela sussurra – baixo, quase inaudível – nos ovários de quem ainda sabe escutar. Em um mundo de LED e 5G, o estudo de Helfrich-Förster é um lembrete: desligue a luz, olhe para cima, e o corpo lembrará quem manda no tempo.

imagem: IA

Carlos Eduardo Adoryan

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Carlos Eduardo Adoryan

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