soja e milho
O ciclo 2025/26 sinaliza um retorno à cautela no agronegócio brasileiro. Após a recuperação observada em 2024/25, o novo período enfrenta um aumento médio de 6,1% nos custos de produção, puxado especialmente pelos fertilizantes (com altas de até 32% no Sulfato de Amônio). Enquanto a soja lida com a pressão de uma safra recorde e estoques confortáveis, o milho aparece como um ponto de atenção positiva devido à redução na oferta e atrasos na semeadura, o que pode sustentar os preços. A palavra de ordem é gestão de margem operacional.
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O setor agrícola brasileiro é conhecido por sua resiliência, mas o ciclo 2025/26 exigirá mais do que apenas “pé no barro”; exigirá calculadoras afiadas. Deixamos para trás o fantasma de 2023/24 — considerado por muitos o pior ano da história recente — para entrar em um cenário de estabilidade instável.
Se na safra anterior vimos a “dobradinha” soja e milho recuperar fôlego com custos em queda e preços firmes, o horizonte do ciclo 2025/26 apresenta nuvens carregadas no lado das despesas. A rentabilidade, que voltou a sorrir para o produtor em praças como Mato Grosso e Paraná, agora corre o risco de ser corroída por insumos mais caros.
A projeção para a soja no ciclo 2025/26 é de abundância. E, no mercado de commodities, abundância é um apelido carinhoso para “pressão nos preços”. Com a estimativa de mais uma safra recorde e um déficit crônico de armazenagem no Brasil, a tendência é que os preços médios fiquem de estáveis a menores.
Entretanto, nem tudo é pessimismo. A Bolsa de Chicago (CBOT) tem operado com contratos para março/26 na casa dos US$ 11,55/bushel, um valor superior ao praticado no ano passado. O que impede o produtor brasileiro de capturar toda essa alta? Três letras: USD. A valorização do Real frente ao dólar retira a competitividade do preço interno, transformando o câmbio no fiel da balança para este ciclo 2025/26.
Para o milho, o enredo é diferente. Enquanto a soja sobra, o milho pode faltar — ou ao menos não sobrar tanto. A produtividade estimada para o milho no ciclo 2025/26 indica uma queda de 6,0%. Somado ao atraso na janela de semeadura em estados como Goiás e Mato Grosso do Sul, temos o cenário perfeito para preços de estáveis a altos.
A demanda interna continua aquecida (estimada em 94,6 milhões de toneladas), e as exportações devem saltar para 46,5 milhões. Se o clima castigar a segunda safra, o milho poderá ser o grande protagonista da rentabilidade no ciclo 2025/26.
Não há como falar de margem sem olhar para os custos. Segundo dados da Conab e Scot Consultoria, o ciclo 2025/26 deve registrar um aumento de, no mínimo, 6,1% nos custos operacionais.
O destaque negativo vai para os fertilizantes. Confira a variação de alguns itens essenciais:
Ironicamente, o produtor que não aproveitou as janelas de oportunidade para compra antecipada em 2025 sentirá o peso desses químicos no fechamento das contas de 2026.
O resultado estimado para o ciclo 2025/26 mostra margens operacionais mais estreitas. Quando ignoramos o custo de oportunidade e depreciação, os números ainda fecham no azul, mas com muito menos “gordura” do que na safra passada.
Para o produtor que opera em áreas arrendadas ou com alto endividamento em máquinas, o sinal amarelo já acendeu. A eficiência produtiva não será mais um diferencial, mas um requisito básico de sobrevivência.
Nota do Editor: É importante lembrar que o mercado de grãos é sensível a choques geopolíticos e climáticos. O que hoje é uma tendência de baixa na soja pode mudar com um “espirro” na demanda chinesa ou um prêmio de exportação mais agressivo.
Imagem principal: IA.
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