Esse texto, China pós covid alerta ao agronegócio brasileiro, foi produzido pelo pesquisador da Embrapa Dr. Mario Alves Seixas da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas em junho de 2020. Apesar de ter cido publicado no ano passado, o texto faz uma análise muito apurada e por isso mesmo ainda continua muito atual. Vale a pena a leitura e o compartilhamento dessa brilhante análise.
Se deseja saber mais sobre a china. veja também os seguintes textos: Economia da China poderá afetar seriamente o Brasil
SÉRIE DIÁLOGOS ESTRATÉGICOS (NT33)
Mario Alves Seixas, PhD
A Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire) disponibiliza a 33ª Nota Técnica da Série Diálogos Estratégicos-Mercados Internacionais, analisando a percepção de instituições internacionais quanto as estratégias em estudo, por parte do Governo chinês, para aprimorar a segurança alimentar da China, diante da possibilidade de uma segunda onda da pandemia da COVID-19. O receio relatado está relacionado ao possível fechamento de portos, ou redução no ritmo de embarques de alimentos e insumos, tanto globalmente, quanto internamente na China. Destaques para os setores de grãos e de proteínas animais.
Esta narrativa está fundamentada em recentes dados quantitativos e qualitativos extraídos da Plataforma FitchConnect, pertencente à agência de risco Fitch Rating Inc., relatórios publicados pela RaboResearch, Food & Agribusiness, um departamento do Rabobank, ambas fontes de referência de respeitabilidade internacional.
O impacto da epidemia da COVID-19 na economia chinesa foi considerável. Como resultado, o PIB da China sofreu uma retração de 6,8%, no primeiro trimestre de 2020, representando, comparativamente, a primeira contração anual da economia chinesa, em décadas. Em que pese a China estar, globalmente, bem à frente no controle da situação da COVID-19, com a produção interna se recuperando gradualmente, a mesma se encontra abaixo do potencial de longo prazo. E, mais preocupante, enfrentando a inusitada situação de ter encontrado limitações à produção interna de alimentos, grãos e proteínas animais, principalmente, fragilizando a situação da segurança alimentar de uma população aproximada de 1,4 bilhões de pessoas, em 2020 (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)1.
Para a China, o final do surto da COVID-19 ainda não está à vista, mas algumas alterações profundas começam a ser analisadas, à medida que o receio de uma segunda onda da pandemia da COVID-19, possa se materializar. Essa possíveis alterações se se materializarem, poderão se constituir em um “novo normal” para o setor do agro chinês. São destaques:
Essas profundas alterações, se se materializarem, devem servir de alerta ao setor do agronegócio brasileiro, principal exportador de soja para a China e também importantíssimo fornecedor de proteínas animais para aquele país. Em maio, por exemplo, autoridades chinesas determinaram aos importadores e processadores para acumular estoques de soja, óleo de soja e milho, à medida que o pico da COVID-19 se aproxima de vários países-chave exportadores dessas commodities. O Brasil foi mencionado devido à pandemia em evolução (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)4.
O sistema alimentar da China enfrenta sérios desafios em 2020, incluindo o surto da COVID-19, uma série de surtos de doenças e pragas (no setor de suínos, principalmente), bem como as consequências das desavenças comerciais EUA-China. Diferentes setores estão se recuperando em ritmos diferentes, mas o impacto da interrupção no segmento de serviços alimentícios e no varejo de alimentos continuará. A lenta recuperação do segmento de serviços alimentícios e o aumento das vendas no varejo podem dar a outros países um vislumbre do que pode ocorrer depois que o pior da pandemia tiver passado. O surgimento de plataformas de comércio eletrônico para facilitar as transações entre agricultores e consumidores finais é uma inovação que tende a revolucionar os segmentos de logística e de marketing, fruto dos novos tempos de isolamento social e novos padrões sanitários (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)6 e (The World Bank, 2020).
Após quase quatro meses de bloqueios, a vida na China está lentamente voltando ao normal. Segundo a agência Raboresearch, Food & Agribusiness (2020)8, dados do Ministério do Comércio mostram que 99% das grandes empresas manufatureiras retomaram as operações. A longo prazo, o crescimento robusto do consumo e a industrialização em andamento da agricultura favorecerão o desenvolvimento dos setores pecuário e leiteiro. O setor de agronegócio da China será muito dinâmico com oportunidades de investimentos em diversificação geográfica da capacidade de produção, uso de insumos, integração da cadeia de suprimentos e de agritech (automação, robotização e novas formas de comércio), principalmente (Fitch Solutions, 2020)1.
No entanto, a pandemia da COVID-19 alterou, pelo menos temporariamente, alguns hábitos do consumidor, especialmente onde e como comer. As implicações a curto e médio prazo são claras: restaurantes e consumo fora de casa provavelmente se recuperarão mais lentamente do que o inicialmente esperado (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)6.
Embora mais empresas de serviços alimentícios tenham retomado as operações desde março, a menor confiança do consumidor e o menor tráfego de clientes levaram a menores vendas nessas lojas. Observou-se que o tráfego está se recuperando lentamente, mas permanece bem abaixo dos níveis pré-vírus, com vendas em torno de 20% no final de março, em comparação com 40% a 50% em fevereiro. Considerando as circunstâncias, estima-se que a indústria de serviços alimentícios sofra uma taxa menos drástica de declínio, mas continuará a cair no segundo trimestre. É menos provável que o setor se recupere aos níveis de crescimento pré-vírus antes do quarto trimestre de 2020, pois a disponibilidade e segurança de comer fora de casa permanecerão baixos por algum tempo (Figura 1) (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)6.
Fonte: (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)6
Figura 1: China: efeitos da COVID-19 na evolução mensal (%) das vendas dos serviços alimentícios (US$ bilhões)
TENDÊNCIAS E DESAFIOS
Tabela 1: Previsões macroeconômicas
| Crescimento real do PIB | 2019 | 2020 | 2021 |
| Global | 2,9% | -2,6% | 5,3 |
| China | 6,1% | 1,2% | 6,2 |
| EUA | 2,3% | -6,4% | 4,5 |
| Brasil | 1,1% | -1,8% | 3,2 |
| União Europeia | 1,2% | -5,2% | 4,3 |
Fonte: RaboResearch, Food & Agribusiness (2020)11
Fonte: Fitch Solutions (2020)3
Figura 2: China: Evolução de consumo de commodities selecionadas (% variação ano a ano)
A produção agrícola na China registrou uma evolução excepcional nos últimos anos, impulsionada por uma expansão da área cultivada e um forte crescimento da produtividade. Entretanto, o crescimento da produção observado nos últimos anos está retrocedendo em algumas das maiores regiões produtoras devido à poluição ambiental e restrições de uso da terra. Como fatores agravantes, os surtos da PSA, bem como a disputa comercial EUA-China, são extremamente prejudiciais à produção pecuária, de grãos e de oleaginosas, a curto prazo. Resumidamente, são as seguintes as principais forças, fraquezas, oportunidades e ameaças ao desenvolvimento do setor agrícola da China (Tabela 2).
Tabela 2: Matriz SWOT
| Forças | Áreas agrícolas extensas e topografia diversificada colocam a China com o potencial de se tornar um dos maiores produtores mundiais de grãos, frutas, hortaliças, arroz e pecuária (bovina, suína e de aves de corte).O forte crescimento do consumo na maioria das categorias agrícolas – excluindo alimentos básicos como o arroz – ajudou a manter alto os investimentos público e privado no setor agrícola.O crescimento constante do consumo na maioria das categorias agrícolas — excluindo alimentos básicos como o arroz — ajudou a manter altos os investimentos privados e públicos no setor.A natureza fragmentada de muitos dos subsetores agrícolas da China oferece espaço para um forte crescimento da produção, baseado no aumento da produtividade e sem a necessidade de incorporação de novas áreas.Com a agricultura respondendo por cerca de 10% do PIB e mais de 34% do emprego, o setor agrícola é contribuinte vital para a economia da China, garantindo forte apoio do governo e condições favoráveis de financiamentos à produção. |
| Fraquezas | Rápida urbanização, deficiência hídrica, poluição das águas e dos solos reduziram a área cultivada e as terras disponíveis para cultivo em quase todas as regiões produtoras de commodities agrícolas do país.A falta de investimentos em infraestrutura de armazenamento deixa o setor agrícola da China particularmente vulnerável a condições climáticas adversas.A migração urbana reduz a força de trabalho rural e aumenta a dependência do setor nos produtores idosos e tecnologicamente menos preparados.Apesar dos recentes esforços para melhorar a qualidade e a segurança dos alimentos, ainda faltam normas padronizadas de sanidade e segurança alimentar que inibam alguns produtores de alimentos, aproveitando as brechas regulatórias, para vender produtos alimentícios potencialmente contaminados.O investimento privado permanece restrito, já que alguns subsetores são dominados por empresas estatais.A COVID-19, em conjunto com a epidemia da PSA, potenciou a dizimação da população suína e atuará como um empecilho para o setor.Custos de produção elevados tornam o setor não competitivo a nível internacional, o que significa que o apoio do governo é necessário para manter os níveis atuais de produção. |
| Oportunidades | No âmbito do 13º Plano Quinquenal, a China priorizou importantes reformas agrícolas. As reformas em curso na agricultura (liberalização parcial do uso da terra e dos preços agrícolas) são positivas para futuros investimentos em uma produção agrícola mais inclusiva e sustentável, uma vez que o apoio aos agricultores será equilibrado entre os vários subsetores. Isso favorecerá a produção de bens de maior valor agregado (carnes, laticínios).O Plano prioriza fabricantes de maquinário locais e internacionais e empresas chinesas de sementes.Comercialização de sementes de milho GM, em um horizonte de três a cinco anos, favorecerão o aumento de produtividade de grãos.A produção de aves aumentará no médio prazo, devido à forte tendência de baixa no setor suíno.A China será um dos líderes em adoção de tecnologias agrícolas (automação, robótica, hiperconectividade e IoT, drones, etc), o que abre oportunidades de investimento objetivando melhorias futuras na produtividade agrícola.Apesar da presença de grandes multinacionais de alimentos, a China tem poucas empresas de alimentos totalmente integradas. Espera-se que isso leve a um maior investimento agrícola, já que os produtores buscam controle sobre sua própria cadeia de suprimentos.Pelo acordado na Fase-Um do novo Acordo Comercial EUA e China, esta se comprometeu a adquirir bilhões de dólares em produtos agrícolas dos EUA.O crescimento do consumo e da diversificação das dietas abre oportunidades para os exportadores de grãos e alimentos (naturais e industrializados) para a China.O investimento estrangeiro das empresas chinesas no agronegócio mundial continuará robusto nos próximos anos, abrindo oportunidades para empresas em países-alvo. |
| Ameaças | A pandemia da COVID-19 em processo de controle interno, continua sendo uma situação muito fluida e pode levar a revisões mais acentuadas do crescimento econômico no final do ano, podendo impactar negativamente o consumo de alguns produtos agrícolas. O surto da COVID-19 também apresenta riscos para o setor agrícola em 2020/21.Alterar preferências alimentares não nega a necessidade de se manter volumes elevados de produção para proteção contra futuros choques de oferta, particularmente quando se trata de alimentos básicos, como o arroz, dado o volume necessário para alimentar a população. No entanto, os esquemas de subsídio do governo podem ajudar a lidar com esses desequilíbrios.O confronto EUA-China e seu impacto sobre a oferta doméstica de alimentos pode dificultar o desenvolvimento do setor do agronegócio a médio prazo, caso as tensões comerciais persistam.O atual surto da PSA é uma ameaça real ao setor de carne suína da China. Se o atual surto não for urgentemente controlado, isso poderá impactar negativamente a produção de suinos nos próximos anos.O aumento do investimento na produção de energia alternativa, ao mesmo tempo em que eleva o investimento geral da indústria, pode servir para minar a disponibilidade de culturas alimentares.A desaceleração do crescimento do PIB fará com que a taxa de expansão da demanda por algumas commodities agrícolas, como carne bovina e óleo vegetal, diminua.O aumento do investimento na produção de energia alternativa, ao mesmo tempo em que eleva o investimento geral da indústria, poderia influir e competir com a disponibilidade de alimentos. |
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
A epidemia da COVID-19 alterou a estabilidade alimentar de uma nação gigantesca e dependente de inúmeras fontes, em diferentes formas, internas e externas, para a segurança alimentar de seus concidadãos. O necessário fechamento de cidades (lockdown), regiões, portos, rodovias, aliado ao isolamento social forçado de milhões de pessoas, afetou drasticamente a circulação de alimentos, insumos, rações animais, a disponibilidade de mão-de-obra para as atividades produtivas e industriais, inibindo enormemente a produção interna. A China tornou-se mais dependente de um mercado externo, também fortemente afetado pela pandemia da COVID-19.
Medidas imediatas estão em estudos, buscando, contrapor a fragilizada situação de segurança alimentar, com tendência negativa de agravamento, se essa crise pandêmica não for rapidamente solucionada e, pior, se uma segunda onda da pandemia se materializar (Figura 3).
Fonte: Fitch Solutions (2019)
Figura 3: China – Agricultura e importação de alimentos (US$ milhões) e demanda futura de importações
DESTAQUES:
Nesse sentido, o governo chinês recentemente estendeu explicitamente os períodos de contrato de terra por mais 30 anos, a fim de estabilizar o relacionamento do contrato de terra e dar aos agricultores a confiança para cultivar. Ao mesmo tempo, o governo promoveu a separação da propriedade da terra rural, dos direitos contratuais e dos direitos de gestão, para garantir a estabilidade dos direitos contratuais das famílias rurais e a flexibilidade da gestão. No entanto, a escala da produção agrícola não é determinada apenas por esses fatores. Está intimamente relacionada à população do país, recursos da terra, nível de industrialização e urbanização. É impossível para a China concentrar a terra como é feita nos EUA, ou no Brasil, pois os agricultores sem terra não teriam como sobreviver. Se estes se mudam para as cidades, o desenvolvimento econômico urbano e os recursos não suportariam a pressão de uma população crescente. Desse modo, além do suporte à agricultura familiar, busca-se acelerar a execução do plano de longo prazo para modernizar a agricultura por meio de várias mudanças incluindo a liberalização parcial dos preços, forte foco na inovação e planos ambiciosos de internacionalização, por meio de seu próprias empresas e a iniciativa “One Belt One Road”. As autoridades continuarão a subsidiar fortemente o setor, que consideram de importância estratégica, com vistas a assegurar a segurança alimentar, priorizando a produção doméstica e desenvolvendo uma presença global através do comércio controlado e do desenvolvimento de grandes conglomerados (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)10 e (Fitch Solutions, 2019).
5.1. SETOR DE GRÃOS
A China é importante ator no cenário global de grãos, dado o tamanho de sua produção e seu crescente consumo. O país registrou forte crescimento de produção nos últimos anos, impulsionado principalmente pela produção de arroz e trigo, devido à importância estratégica dessas commodities para o mercado interno. De fato, a China é, atualmente, o segundo maior exportador global de produtos agrícolas e alimentícios, depois dos EUA, em termos de valor. Em 2020/21, o setor de grãos chinês enfrenta uma série de desafios, incluindo a epidemia da COVID-19, a disseminação da lagarta do cartucho e a tentativa de implementação da Fase Um do novo Acordo comercial com os EUA (Figuras 4 e 5) e (Tabelas 3 e 4) (Fitch Solutions, 2020)3.
Fonte: Fitch Solutioins (2020)3
Figura 4: Países asiáticos e a produção de arroz: índice de autossuficiência da commodity (%)
Fonte: Fitch Solutioins (2020)3
Figura 5: Países asiáticos e a produção de trigo: índice de autossuficiência da commodity (%)
A Tabela 3 apresenta, resumidamente, a evolução e as estimativas de produção e consumo de grãos, até 2024.
Tabela 3: Evolução e estimativas da produção e consumo de grãos (2019-2024)
| Indicadores | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 |
| Milho: produção (000 t) | 257.330,0 | 267.770,0 | 270.715,5 | 277.483,4 | 287.195,3 | 294.375,2 |
| Milho: produção (evolução %) | -0,7 | 4,1 | 1,1 | 2,5 | 3,5 | 2,5 |
| Milho: consumo (000 t) | 267.960,0 | 280.018,2 | 285.618,6 | 293.615,9 | 302.424,4 | 309.682,5 |
| Milho: balanço da produção (000 t) | -10.630,0 | -12.248,2 | 14.903,1 | 16.132,5 | 15.229,1 | 15.307,4 |
| Milho: autossuficiência (%) | 96,0 | 95,6 | 94,8 | 94,5 | 95,0 | 95,1 |
| Trigo: produção (000 t) | 131.430,0 | 133.590,0 | 134.124,4 | 134.526,7 | 134.930,3 | 135.335,1 |
| Trigo: produção (evolução %) | -2,2 | 1,6 | 0,4 | 0,3 | 0,3 | 0,3 |
| Trigo: consumo (000 t) | 125.000,0 | 128.125,0 | 129.662,5 | 130.699,8 | 131.680,0 | 132.470,1 |
| Trigo: balanço da produção (000 t) | 6.430,0 | 5.465,0 | 4.461,9 | 3.826,9 | 3.250,3 | 2.865,0 |
| Trigo: autossuficiência (%) | 105,1 | 104,3 | 103,4 | 102,9 | 102,5 | 102,2 |
| Soja: produção (000 t) | 15.900,0 | 18.100,0 | 18.281,0 | 18.463,8 | 18.648,4 | 18.834,9 |
| Soja: produção (evolução %) | 4,6 | 13,8 | 1,0 | 1,0 | 1,0 | 1,0 |
| Soja: consumo (000 t) | 102.000,0 | 104.142,0 | 108.307,7 | 112.315,1 | 116.246,1 | 120.082,2 |
| Soja: balanço da produção (000 t) | -86.100,0 | -86.042,0 | -90.026,7 | -93.851,3 | -97.597,6 | -101.247,3 |
| Soja: autossuficiência (%) | 15,6 | 17,4 | 16,9 | 16,4 | 16,0 | 15,7 |
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
A Tabela 4, apresenta as previsões de produção e consumo de grãos na China, de 2019 a 2024.
Tabela 4: Previsões de Produção e Consumo de Grãos: 2020 a 2024
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
TENDÊNCIAS E DESAFIOS
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
Figura 6: Balanço da produção de soja: países selecionados – 2018 a 2024 (000 ton)
A suínocultura foi fortemente abalada pela combinação da endemia da PSA com a pandemia da COVID-19, que abalou fortemente o setor de carne suína. Nesse sentido, é esperado um declinio no consumo de carne suína, mas compensado pelo crescimento no consumo de carne bovina e de frango, em 2020/21. O setor pecuário acelera o processo de consolidação e modernização industrial, com foco em genética, integração vertical e aumento de escala. A China manterá a auto-suficiência em aves de corte, mas seus déficits em carne suína e bovina aumentarão gradualmente à medida que os produtores nacionais lutam para superar gargalos e consumidores se voltam para ofertas importadas de alta qualidade. No caso da exploração suína, a PSA dizimou o rebanho em mais de 50%, entre 2019 e 2020 (Fitch Solutions, 2020)1.
TENDÊNCIAS E DESAFIOS
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
Figura 7: Estimativas de evolução da produção pecuária (000t) (2005 a 2024)
Fonte: Fitch Solutions (2020)3
Figura 8: China – Impacto da COVID-19 nas importações de soja (esquerda) e de carne suína (direita) (000 t) – 2017 a 2020
Tabela 5: Evolução e estimativas da produção e consumo de carnes – 2019 a 2024
| Indicadores | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 |
| Aves: produção (000 t) | 13.800,0 | 15.800,0 | 16.900,0 | 17.407,0 | 17.894,4 | 18.252,3 |
| Aves: produção (% ano-a-ano) | 17,9 | 14,5 | 7,0 | 3,0 | 2,8 | 2,0 |
| Aves: consumo (000 t) | 113.980,0 | 15.867,3 | 16.660,7 | 17.160,5 | 17.675,3 | 18.064,2 |
| Aves: consumo (% ano-a-ano) | 20,5 | 13,5 | 5,0 | 3,0 | 3,0 | 2,7 |
| Aves: consumo (kg per capita) | 9,8 | 11,0 | 11,5 | 11,8 | 12,2 | 12,4 |
| Aves: balanço da produção (000 t) | -180,0 | -67,4 | 239,3 | 246,5 | 219,1 | 188,1 |
| Suínos: produção (000 t) | 43.000,0 | 35.200,0 | 37.840,0 | 42.002,4 | 45.782,6 | 49.903,1 |
| Suínos: produção (% ano-a-ano) | -20,4 | -18,1 | 7,5 | 11,0 | 9,0 | 9,0 |
| Suínos: consumo (000 t) | 45.400,0 | 37.682,0 | 40.319,7 | 43.545,3 | 46.375,8 | 49.390,2 |
| Suínos: consumo (% ano-a-ano) | -18,1 | -17,0 | 7,0 | 8,0 | 6,5 | 6,5 |
| Suínos: consumo (kg per capita) | 31,7 | 26,2 | 27,9 | 30,1 | 31,9 | 33,9 |
| Suínos: balanço da produção (000 t) | -2400,0 | -2.482,0 | -2.479,7 | -1.542,9 | -593,0 | 512,9 |
| Carne bovina: produção (000 t) | 6.750,0 | 7.020,0 | 7.181,5 | 7.346,6 | 7.515,6 | 7.688,5 |
| Carne bovina: produção (% ano-a-ano) | 4,8 | 4,0 | 2,3 | 2,3 | 2,3 | 2,3 |
| Carne bovina: consumo (000 t) | 8.890,0 | 9.334,5 | 9.661,2 | 9.999,3 | 10.339,3 | 10.690,9 |
| Carne bovina: consumo (% ano-a-ano) | 13,0 | 5,0 | 3,5 | 3,5 | 3,4 | 3,4 |
| Carne bovina: consumo (kg/per capita) | 6,2 | 6,5 | 6,7 | 6,9 | 7,1 | 7,3 |
| Carne bovina: balanço da produção (000 t) | -2.140,0 | -2.314,5 | -2.479,7 | -2.652,7 | -2.823,7 | -3.002,4 |
Fonte: Fitch Solutions (2020)1,3
Tabela 6: Previsões de Produção e Consumo de Carnes: 2020 a 2024
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
Figura 9: China – Importações de carnes por tipos e por país (% valor total)
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
Figura 10: Balanço da produção de carnes por países selecionados (000 ton)
Uma sucinta abordagem demográfica é fundamental neste breve exercício de previsão macroeconômica e social. As Figuras 11 e 12, detalham as projeções de crescimento da população da China até 2050 e a correspondente pirâmide populacional atual e a mudança na estrutura da população entre 2017 e 2050.
Para o período 2015 a 2025, projeta-se um crescimento da população total de 1.397.026.600 (2015) para 1.438.835.700 (2025), concentrando-se principalmente na área urbana (65,4%), e menor na área rural (34,6%), ligeira predominância da população masculina em relação á feminina, com uma relação percentual de 1,06% (masculina/feminina), uma população economicamente ativa declinante, variando de 72,6%, a 69,2%, e um forte incremento da população pensionável, de 13,3% a 20,5%, como percentagem da população economicamente ativa, no mesmo período. (Tabelas 7 e 8) (FitchSolutions, 2020)1.
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
Figura 11: Evolução populacional: 1990-2050
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
Figura 12: Pirâmide populacional da China: população por sexo e grupo de idades (esquerda) e projeções de distribuição por idades – 2017 e 2050 (direita).
Tabela 7. Indicadores populacionais da China (1990 a 2025).
| ITENS | 1990 | 2000 | 2005 | 2010 | 2015 | 2020 | 2025 |
| População, total (‘000) | 1.172.445,2 | 1.283.199,0 | 1.321.623,5 | 1.359.755,1 | 1.397.028,6 | 1.424.548,3 | 1.438.835,7 |
| População, ano a ano (%) | 0,61 | 0,58 | 0,57 | 0.50 | 0.32 | 0,13 | |
| População total, masculino (‘000) | 601.588,5 | 659.544,3 | 679.544,3 | 699.882,2 | 719.760,0 | 734.089,9 | 741.194,6 |
| População total, feminino (‘000) | 570.856,7 | 624.198,0 | 642.079,2 | 659.872,9 | 677.268,6 | 690.458,4 | 697.641,1 |
| Taxa populacional, masculino/feminino (%) | 1,05 | 1,06 | 1,06 | 1,06 | 1,06 | 1,06 | 1,06 |
| População economicamente ativa (‘000) | 768.970,1 | 878.511,0 | 957.033,4 | 1.002.840,2 | 1.014.777,3 | 1.002.171,9 | 995.649,4 |
| Percentual população ativa versus total (%) | 65,6 | 68,5 | 72,4 | 73,8 | 72,6 | 70,4 | 69,2 |
| População dependente total (‘000) | 403.475,1 | 404.687,9 | 364.590,1 | 356.914,9 | 382.251,3 | 422.376,4 | 443.186,3 |
| Percentual população dependente versus total (%) | 52,5 | 46,1 | 38,1 | 35,6 | 37,7 | 42,1 | 44,5 |
| População jovem, total (‘000) | 337.208,0 | 316.039,6 | 262.894,1 | 242.692,0 | 247.072,8 | 248.745,5 | 239.489,8 |
| Percentual população jovem versus população economicamente ativa | 43,9 | 36,0 | 27,5 | 24,2 | 24,3 | 24,8 | 24,1 |
| População pensionável (‘000) | 66.267,2 | 88.648,4 | 101.696,0 | 114.222,9 | 135.178,5 | 173.630,9 | 203.696,5 |
| Percentagem população pensionável em relação à população ativa total | 8,6 | 10,1 | 10,6 | 11,4 | 13,3 | 17,3 | 20,5 |
Fonte: FitchS olutions (2020)1
Tabela 8. População urbana e rural e expectativa de vida (1990 a 2025).
| ITENS | 1990 | 2000 | 2005 | 2010 | 2015 | 2020 | 2025 |
| População urbana (‘000) | 310.018,0 | 460.373,3 | 561.980,7 | 669.353,0 | 776.943,5 | 869.344,8 | 940.897,8 |
| População urbana (% do total) | 26,4 | 35,9 | 42,5 | 49,2 | 55,6 | 61,0 | 65,4 |
| População rural (‘000) | 862.427,7 | 822.825,7 | 759.642,7 | 690.402,1 | 620.085,1 | 555.203,4 | 497.937,9 |
| População rural (% do total) | 73,6 | 64,1 | 57,5 | 50,8 | 44,4 | 39,0 | 34,6 |
| Expectativa de vida (masculina) – anos | 67,7 | 70,4 | 72,5 | 73,8 | 74,6 | 75,4 | 76,2 |
| Expectativa de vida (feminina) – anos | 71,0 | 73,7 | 75,6 | 76,8 | 77,7 | 78,5 | 79,3 |
| Expectativa de vida média da população – anos | 69,3 | 72,0 | 74,0 | 75,2 | 76,1 | 76,9 | 77,7 |
Fonte: Fitch Solutions (2020)1
Esta Nota Técnica analisou e sistematizou a narrativa de agências internacionais quanto ao potencial impacto nos setores alimentar e do agronegócio da China, pós-COVID-19. Resumiu os principais temas estratégicos para o setor do agro desse país, abrangendo desde uma profunda reforma do setor agrícola, com prioridade absoluta ao desenvolvimento agrícola nacional, esforços para impulsionar a produção local de alimentos e reviver promessas de autossuficiência em casos extremos, até implementação de medidas protecionistas na tentativa de salvaguardar a segurança alimentar de uma população de cerca de 1,4 bilhões de pessoas, atualmente. Suas análises são relevantes e atuais e servem de alerta ao setor do agronegócio brasileiro.
Três pontos principais merecem destaque:
A Figura 13, permite visualizar países produtores de proteína animal versus importadores de proteína animal.
Fonte: Fitch Solutions (2020)3
Figura 13: Países selecionados – Países autossuficientes na produção de carnes (esquerda, em %), e importação de carnes (US$ milhões) (média de 2017 a 2019)
Dada a sensibilidade política e as ambições do Governo chinês em diminuir a dependência das importações e até alcançar a autossuficiência na produção agrícola de alimentos básicos, algumas alterações começam a ser analisadas:
No primeiro trimestre de 2020, os países exportadores de commodities para a China concentraram a atenção em como a crise da COVID-19 afetaria a demanda por importações de commodities e se o fluxo de importações sofreria de problemas logísticos resultantes da crise. Atualmente, há uma reversão desse processo, principalmente com as dúvidas levantadas pela China quanto aos pontos de estrangulamento internacional para exportações, envolvendo a capacidade dos exportadores em escoar sua produção. Com a China aparentemente emergindo da crise e ávida para crescentes importações agrícolas as preocupações se voltam para seus principais fornecedores, notadamente a Argentina, o Brasil e os EUA tidos como exemplos de possíveis pontos de estrangulamento para remessas de commodities àquele país (Figura 14) (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)4,7.
Fonte: RaboReseach, Food & Agribusiness (2020)7
Figura 14: Principais países exportadores e gargalos na cadeia de fornecimento de grãos e oleaginosas
Tabela 9: Brasil – Portos para exportação das principais commodities do agronegócio, em 2019
| Produtos (volumes, em 2019) | Participação do Porto principal (%) | Participação principais Portos (%) | Sazonalidade das exportações por trimestre | Participação principais destinos (%) | Participação de terminais por tipo (%) | Carga: contêiner ou granel (%) |
| Soja (74milhões t) | Santos (23%) | Santos (23%) Rio Grande (18%) Paranaguá (16%) | Q1 – 21% Q2 – 38% Q3 – 23% Q4 – 18% | China – 78% Espanha – 3% Países Baixos – 2% | Público – 49% Privado – 36% Arrendados –15% | Granel (100%) |
| Milho (42,7 milhões de t) | Santos (43%) | Santos (43%) Paranaguá (14%) Barcarena (13%) | Q1 – 15% Q2 – 6% Q3 – 46% Q4 – 33% | Japão – 16% Irã – 12% Vietnã – 9% | Público – 62% Privado – 25% Arrendados – 12% | Granel (100%) |
| Algodão (1,6 milhões de t) | Santos (97%) | Santos (97%) Salvador (1%) Paranaguá (1%) | Q1 – 19% Q2 – 14% Q3 – 16% Q4 – 51% | China – 31% Vietnã – 13% Indonésia – 13% | Público – 0% Privado- 14% Arrendados – 86% | Container – 100% |
| Carne bovina (1,8 milhões de t) | Santos (63%) | Santos (63%) Paranaguá – 16% S.F.do Sul – 9% | Q1 – 22% Q2 – 22% Q3 – 26% Q4 – 30% | China – 27% Hong Kong – 19% Egito – 9% | Público – 6% Privado – 19% Arrendados – 75% | Container – 100% |
| Carne suína (0,74 milhões de t) | Itajaí (58%) | Itajaí (58%) Rio Grande (20%) Paranaguá (13%) | Q1 – 22% Q2 – 25% Q3 – 25% Q4 – 28% | China – 34% Hong Kong – 22% Chile – 6% | Público – 2% Privado – 33% Arrendados – 65% | Container – 100% |
| Carne de aves (4,1 milhões de t) | Paranaguá (40%) | Paranaguá (40%) Itajaí (36%) Santos (8%) | Q1 – 24% Q2 – 26% Q3 – 26% Q4 – 24% | China – 14% Arábia Saudita– 11% Japão – 10% | Público – 6% Privado – 27% Arrendados – 67% | Container – 100% |
| Açúcar (17,6 milhões de t) | Santos (75%) | Santos (75%) Paranaguá (18%) Maceió (4%) | Q1 – 20% Q2 – 24% Q3 – 29% Q4 – 24% | Argélia – 13% Bangladesh – 10% Nigéria – 9% | Público – 2% Privado – 12% Arrendados – 86% | Granel – 92% Container – 8% |
| Café (40,7 milhões de sacas de 60Kg) | Santos (78%) | Santos (78%) R. Janeiro (13%) Vitória (5%) | Q1 – 25% Q2 – 22% Q3 – 24% Q4 – 29% | USA – 19% Alemanha – 17% Itália – 9% | Público – 3% Privado – 8% Arrendados – 89% | Container – 100% |
| Celulose (14,7 milhões de t) | Vitória (32%) | Vitória (32%) Santos (32%) Rio Grande – 15% | Q1 – 26% Q2 – 26% Q3 – 23% Q4 – 25% | China – 43% USA – 13% Países Baixos – 11% | Público – 3% Privado – 49% Arrendados – 48% | Granel – 92% Container – 8% |
Fonte: RaboResearch, Food & Agribusiness (2020)4
As questões abordadas pela agência RaboResearch, Food & Agribusiness (2020)4 são relevantes para o agronegócio brasileiro, as quais dizem respeito à logística de exportação, particularmente os portos e capacidades instaladas para escoar as enormes quantidades de várias commodities agrícolas e seus inúmeros condicionantes. O porto de Santos concentra a maioria das exportações das commodities agrícolas brasileiras e se destacou como um dos principais portos de exportações em 2019. Suas instalações tornam-se vulneráveis para problemas logísticos e trabalhistas (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)4.
A organização portuária brasileira é complexa, agrupada em três categorias diferentes de operação: (a) terminais públicos dentro de um porto público, (b) terminais privados operando fora do sistema de portos públicos, e (c) terminais alugados por arrendamentos de longo prazo por operadores do setor privado, mas dentro do porto público A distinção é relevante em termos do provável impacto de disputas trabalhistas nas distintas categorias e suas operações (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)4.
Ponto crítico é que muitos terminais para commodities a granel operam com várias ao longo do ano, como, por exemplo, soja, milho e açúcar. A capacidade desses terminais não pode ser considerada como dedicada a uma mercadoria e, em anos em que as colheitas são grandes e o fluxo potencial de mercadorias para os portos é abundante, pode haver concorrência pela capacidade nos terminais portuários (e também pela capacidade de transporte que leva mercadorias aos portos) (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)4.
Destaques:
Outro alerta relevante ao agronegócio brasileiro diz respeito aos crescentes riscos relacionados aos compromissos assumidos pela China, quanto ao contido no novo acordo comercial com os EUA. A soja é o ponto focal no comércio agrícola entre EUA e China, devido ao grande volume de comércio. As exportações brasileiras dessa commodity atingiram 16,3 milhões de toneladas, em abril de 2020, 73% a mais do que no mesmo período de 2019. Esse volume também foi um recorde mensal, 32% acima do nível exportado em maio de 2018, o antigo recorde de um mês (12,4 milhões de toneladas) (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)2.
De acordo com a RaboResearch, Food & Agribusiness (2020)12 e mantida a tendência do Brasil manter esse forte ritmo de exportações, devido principalmente à moeda desvalorizada, e considerando a estimativa dos EUA para uma safra recorde de 131 milhões de toneladas na próxima temporada, os mesmos provavelmente enfrentarão uma participação de exportação em declínio. Obviamente, muitas coisas podem ocorrer antes da próxima safra (2020/2021), mas as margens de lucros obtidos pelos produtores de soja brasileiro, fornecem incentivos para expansão e comercialização antecipada de safra. Entretanto, essa agência ressalta que com volumes muito grandes em outras commodities agrícolas, as cadeias de suprimentos serão testadas, mas até agora a infraestrutura brasileira se mostrou muito resistente, mesmo em meio à expansão da COVID-19 (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)12.
Em relação ao milho e trigo, o governo chinês declarou que não haverá alterações no atual sistema de cotas de importação. Estima-se que a China incremente consideravelmente as aquisições de milho e trigo dos EUA, em detrimento de outros parceiros internacionais como Ucrânia (milho), Canadá e Austrália (trigo). O bioetanol é indispensável ao equilíbrio da balança energética da China. O governo chinês possui um plano ambicioso para promover o uso nacional do bioetanol E10. Atualmente, a produção doméstica da China está em torno de 2,5 milhões de toneladas, mas com a promoção do uso nacional do E10, isso pode aumentar para mais de 13,0 milhões de toneladas (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)7.
Quanto ao setor de proteínas animais, a China concordou em incrementar as importações de carnes suína, bovina e aves, dos EUA. A forte demanda da China por importações de carne suína continuará em 2020 e 2021, devido à COVID-19 e à endemia da PSA. Estima-se que os requisitos de importação de carne suína da China aumentem entre 30% a 40%, em 2020 e 2021, em relação aos níveis de 2019. Isso sugere que haverá pressão significativa no lado da oferta global. As exportações brasileiras de carne suína aumentaram 33% em volume e 63% em valor no primeiro trimestre de 2020, refletindo a forte demanda global, principalmente da China. Os embarques na China aumentaram 190% em relação ao período anterior, enquanto os valores médios das exportações aumentaram 29%, em relação ao mesmo período. Na visão da agência RaboResearch, Food & Agribusiness (2020)5, esse aumento significativo nos embarques sugere que, apesar da interrupção dos fluxos comerciais para a China em janeiro, a demanda por carne suína brasileira permanece forte, dada a lacuna considerável na disponibilidade de carne suína chinesa (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2020)5.
Finalmente, merece atenção a questão da sustentabilidade ambiental relacionada ao setor de proteína animal, com vistas às exportações do agro brasileiro. Internacionalmente, as preocupações com o meio ambiente, a mudança do clima, a preservação das florestas e a questão da sustentabilidade ambiental estão na agenda global. Para o agronegócio brasileiro, o tema é altamente relevante e é um alerta importante para o futuro de nossas exportações. A produção de proteína animal, mais especificamente a carne bovina, é um exemplo marcante de um setor sob crescente escrutínio internacional, com citações levantadas sobre o impacto nos animais e no meio ambiente, pressionando as cadeias de suprimentos de carne bovina. Embora o conceito de carne bovina sustentável não seja novo, em 2019 ocorreu um aumento acentuado nas atividades sustentáveis relacionadas à carne bovina, globalmente. A iniciativa da Associação Brasileira de Produtores de Carne Carbono-Neutro foi criada para desenvolver a oferta e a demanda por carne bovina neutra em carbono. Definir o que constitui a produção sustentável de proteína animal é complexo, pois os impactos da produção sobre o meio ambiente e os animais variam entre espécies, locais e sistemas agrícolas. Essa falta de clareza dificulta os esforços para desenvolver estratégias de sustentabilidade a longo prazo. A EMBRAPA é importantíssima fonte de novas tecnologias e novos desenvolvimentos para a agricultura brasileira sustentável. Os sistemas de produção de proteínas animais estão em constante evolução e o desenvolvimento tecnológico e a inovação desempenharão atribuições cada vez mais importantes no desenvolvimento do setor de proteína animal sustentável, em apoio ao agronegócio brasileiro (Mesquita, J.L., 2020) e (RaboResearch, Food & Agribusiness, 2019)9.
REFERÊNCIAS
Fitch Solutions (2020)1. China: Agribusiness Report: includes 5 years forecasts to 2024. Q3 2020. 112p. Fitchwire. Abril 2020. Disponível em: https://app.fitchconnect.com/search/research/article/BMI_F0055343- 592A-4646-9561-FA8B9A0C50D8 Acesso em: 29 de abril de 2020.
Fitch Solutions (2020)2. Brazil: Agribusiness Report: includes 5 years forecasts to 2024. Q3 2020. Maio 2020. 85p. Fitchwire. Acessível em: https://app.fitchconnect.com/search/research/article/BMI_DDBBCE7F- A7D1-4496-AD6D-16DABC86C6D9. Acesso em: 18 de maio de 2020.
Fitch Solutions (2020)3. Asia Pacific Agribusiness Insight-Four Global Agribusiness Trends to Watch Post COVID-19. Maio 2020. Fitchwire. 11p. Acessível em: https://app.fitchconnect.com/search/research/article/BMI_5EFC8739-46E3-4719-8703-A016E9004E5F. Acesso em: 18 de maio de 2020.
Fitch Solutions (2020)4. Americas Agribusiness: Latin America-Four Global Agribusiness Trends to Watch Post COVID-19. Maio 2020. Fitchwire. 16p. Acessível em: https://app.fitchconnect.com/search/research/article/BMI_E0C7AAC3-7DF3-4657-ADC9-5AB2CA3B6022 Acesso em: 20 de maio de 2020.
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Fitch Solutions (2019). China: Agribusiness Report: includes 5 years forecasts to 2023. Q3 2019. 119p. Fitchwire. Abril 2019. Disponível em: https://app.fitchconnect.com/search/research/article/BMI_F5A3429F- E2A1-48E6-A711-D7F7A3A2C843 Acesso em: 16 de abril de 2020.
Mesquita, J.L. (2020). Meio ambiente, pós pandemia da Covid-19, e a economia. Maio 2020. Publicado no Jornal O Estado de São Paulo, em 24 de maio de 2020. Acessível em: https://marsemfim.com.br/meio- ambiente-pos-pandemia-da-covid-19-e-a-economia/?fbclid=IwAR3-HxBykUbzARQpyGtTdO_oreyBSC- x1d5KhQbKmbMtWri_uo9H3XzpHIE#. Acesso em 24 de maio de 2020.
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Fonte: https://www.embrapa.br/documents/10180/26187851/China+P%C3%B3s-Covid-19+-+Um+alerta+ao+agroneg%C3%B3cio+brasileiro.pdf/8379c5df-cdb6-7681-6091-00bae689a5b2?version=1.0 Imagem principal: Depositphotos / Hquality (Hquality S.R.L).
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