A raça Chianina é considerada o maior e mais agressivo gado do mundo. Com até 2 metros de altura e 1,8 toneladas, sua carne é valorizada pela qualidade. Saiba como essa raça histórica da Itália une tradição e tecnologia para superar desafios de manejo e garantir eficiência produtiva.
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Imagine um gado que ultrapassa dois metros de altura, pesa até 1,8 toneladas e, ainda por cima, é conhecido por seu temperamento desafiador. Essa é a raça Chianina, uma das mais impressionantes do mundo, tanto pelo porte físico quanto pela qualidade da carne que produz. Originária da Itália, essa raça bovina milenar conquista cada vez mais espaço e curiosidade no cenário da pecuária mundial. Conheça sua história, características e os desafios enfrentados por criadores italianos, como os irmãos Daniele e Dario Mecarelli, na Fazenda Agricola Collivecchi.
A raça Chianina tem raízes que remontam à Roma Antiga, sendo uma das raças bovinas mais antigas do mundo, com mais de 2.200 anos de história. Seu nome deriva do vale de Chiana, na Toscana, região onde a raça foi originalmente criada. Inicialmente, o gado era usado como animal de tração em atividades agrícolas, graças à sua força e porte avantajado. A impressionante estrutura corporal tornava os bois ideais para o trabalho no campo, especialmente em solos difíceis e longas jornadas.
Com o passar do tempo, à medida que a mecanização tomou conta do campo, a função do gado Chianina mudou. Hoje, a raça é altamente valorizada pela qualidade de sua carne, com excelente marmorização, rendimento de carcaça entre 60% e 65%, e taxas de crescimento que ultrapassam 2 quilos por dia em condições ideais. Esses atributos colocam a raça Chianina como uma das mais produtivas da pecuária europeia.
O visual da raça Chianina é inconfundível. Os animais apresentam pelagem branca ou levemente acinzentada, pele pigmentada escura e uma musculatura bem desenvolvida. Os touros podem atingir até 2 metros de altura e pesar entre 1.500 kg e 1.800 kg. Já as vacas são ligeiramente menores, mas ainda assim robustas, com cerca de 1.200 kg.
Apesar do porte imponente e da resistência, um dos principais desafios da criação está no comportamento dos animais. A raça Chianina é conhecida por sua agressividade, especialmente durante a reprodução e o manejo de touros adultos. Por esse motivo, criadores precisam adotar técnicas específicas para garantir segurança e bem-estar tanto dos animais quanto dos tratadores.
Um exemplo de sucesso na criação da raça Chianina é a Fazenda Agricola Collivecchi, localizada na região da Úmbria, na Itália. Com 440 hectares, a propriedade é administrada pelos irmãos Daniele e Dario Mecarelli, que há anos se dedicam à criação dessa raça icônica. A fazenda combina pecuária, agricultura e turismo rural, oferecendo experiências únicas aos visitantes.
Atualmente, o rebanho da fazenda conta com 70 cabeças de gado: 31 vacas, 12 novilhas, 24 animais em fase de engorda, duas novilhas jovens e um touro. A criação é feita em sistema semi-extensivo, com pastagens naturais complementadas por alimentação cuidadosamente planejada.
A raça Chianina se adapta bem às condições climáticas da região, que possui verões quentes e invernos frios. Segundo Daniele Mecarelli, os animais apresentam alta resistência a doenças e tolerância ao calor, o que os torna ideais para sistemas sustentáveis de criação ao ar livre.
A carne da raça Chianina é um verdadeiro destaque no mercado. Conhecida por sua suculência, textura macia e alto valor nutricional, ela é protegida pela Denominação de Origem Protegida (DOP). O selo garante a procedência e qualidade dos cortes, que são comercializados com o símbolo “5R” do Consorzio Produttori Carne Bovina Pregiata delle Razze Italiane.
A alimentação dos animais é composta por ingredientes locais: 40% milho, 20% cevada, 20% triticale, 5% soja e aditivos minerais. A fazenda é autossuficiente em feno, mas eventos climáticos, como secas, têm impactado a produção. Ainda assim, a estratégia de vender diretamente ao consumidor tem permitido margens mais atrativas: 6,2 euros/kg para machos e 7,1 euros/kg para fêmeas.
O manejo reprodutivo é um dos pontos mais delicados da criação da raça Chianina. O temperamento agressivo dos touros exige critérios rigorosos de seleção genética. Os irmãos Mecarelli utilizam um livro de registro oficial que cataloga linhagens com melhor comportamento e desempenho.
Os touros da raça Chianina são considerados investimentos valiosos: custam entre 4.000 e 8.000 euros e desempenham papel estratégico na manutenção das características desejadas no rebanho. A longevidade também é um fator positivo, com vacas produtivas chegando aos 18 anos de idade.
Além disso, todos os animais recebem vacinação preventiva e controle sanitário rigoroso. A fazenda conta com subsídios da União Europeia — cerca de 150 euros por hectare — que são fundamentais para equilibrar os custos de produção em meio à inflação dos insumos agropecuários.
Mesmo com os desafios de manejo e custos elevados, a raça Chianina continua a ser uma das mais valorizadas da pecuária italiana. Sua combinação de rusticidade, qualidade de carne e apelo histórico atrai consumidores exigentes e criadores comprometidos com a excelência produtiva.
O futuro da raça Chianina depende da integração entre tradição e tecnologia. Iniciativas como a da Fazenda Collivecchi demonstram que é possível unir sustentabilidade, rentabilidade e valorização cultural em um único sistema de produção.
Mais do que um gado gigante, a Chianina representa um legado milenar que continua inspirando a pecuária moderna. Seja pelo tamanho impressionante, pela carne premium ou pelo desafio de lidar com seu temperamento, a raça Chianina segue fascinando o mundo rural — um verdadeiro colosso branco da produção animal.
Imagem principal: YouTube.
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