Cepea: Indicador cotação boi, suíno, frango, soja e milho
Análises Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP: Indicador cotação boi, suíno, frango, soja e milho do mês de maio.
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BOI/CEPEA: Maior oferta de animais pressiona valor da arroba em 2023
No acumulado deste ano (de dezembro/22 até a parcial de maio/23), o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (estado de São Paulo) registra baixa de 8,78%, com a média atual (até o dia 26 de maio) a R$ 266,44. Trata-se da menor média mensal desde outubro de 2019, em termos reais (as médias foram deflacionadas pelo IGP-DI). Segundo pesquisadores do Cepea, um fator de pressão sobre os valores da arroba em 2023 tem sido a recuperação da oferta de animais para abate, resultado de investimentos de pecuaristas em anos recentes. Dados preliminares do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados em maio evidenciam o crescimento da oferta neste ano. De acordo com o Instituto, de janeiro a março de 2023, foram abatidos no Brasil 7,31 milhões de animais, número 5,11% superior ao do mesmo período de 2022 e a maior quantidade para um primeiro trimestre desde 2019. Em maio, especificamente, as cotações do boi gordo para abate e também dos animais de reposição (bezerro entre 8 e 12 meses) seguiram em queda. Além do já mencionado crescimento da oferta, a pressão sobre os valores da arroba veio também do fim da safra e da piora da qualidade das pastagens. Do lado da demanda, parte dos frigoríficos reduziu as compras de novos lotes de animais, indicando ter escalas de abate mais alongadas. E nesse contexto de desvalorizações mais intensas para a arroba do boi do que para a reposição, a relação de troca entre esses animais está aumentando, desfavorecendo o pecuarista que faz recria-engorda.
SUÍNO/CEPEA: Preços do vivo e da carne sobem em maio
Após recuarem em abril, os preços do suíno vivo subiram em maio em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, a sustentação veio do típico aquecimento da demanda doméstica na primeira quinzena do mês, o que acabou sustentando as cotações no acumulado e na média de maio. As altas nos preços do suíno vivo posto na indústria e as quedas consecutivas nos valores dos principais insumos utilizados na nutrição do animal (milho e farelo de soja) elevaram o poder de compra do suinocultor no último mês. No mercado da carne, apesar do enfraquecimento da demanda na segunda quinzena, os valores também subiram, influenciados pela valorização do animal. Esse cenário reduziu a competitividade da proteína suinícola frente às carnes de frango e bovina, cujos preços se mantiveram firmes e recuaram, respectivamente, em maio.
FRANGO/CEPEA: Casos de IAAP são confirmados no BR, mas negócios seguem firmes em maio
A notícia sobre casos de H5N1 (Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, conhecida também como IAAP) em aves silvestres no litoral do Espírito Santo (sete casos) e no Rio de Janeiro (uma ocorrência) deixou o setor avícola nacional em alerta. A confirmação dos três primeiros casos foi feita pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) no dia 15 de maio, porém, o Ministério reforçou que a doença, por ter sido detectada em animais silvestres, não deve mudar o status do Brasil como “país livre de IAAP” e nem resultar em proibições ao comércio internacional de produtos avícolas brasileiros. O Cepea verificou que, mesmo diante das notificações, as comercializações envolvendo frango vivo e carne de frango seguiram elevadas no mercado doméstico em maio, com preços firmes para ambos os produtos.
FARELO DE SOJA: Menor demanda pressiona cotações no BR
As negociações de farelo de soja estiveram lentas no mercado brasileiro em maio. Do lado do consumidor, parte dos suinocultores e avicultores consultados pelo Cepea relatou estar abastecida no médio prazo, ao passo que a outra parte sinalizou ter feito contratos longos, não tendo necessidade de adquirir volumes no spot. Do lado do vendedor, parte das indústrias elevou os preços pedidos, o que limitou o movimento baixista. Isso aconteceu porque representantes de indústrias têm expectativa de aquecimento na demanda externa pelo produto brasileiro, devido à menor oferta na Argentina. Diante disso, considerando-se a média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os preços do farelo de soja caíram 6,4% entre abril e a parcial de maio (até o dia 26) e 2,4% entre a média de maio/22 e a da parcial de maio/23, em termos reais (IGP-DI de abril/23). Embora estimativas do USDA indiquem produção nacional de farelo de soja em volume recorde, de 41,26 milhões de toneladas na safra 2022/23, as vendas também são projetadas em quantidades recordes, de 21,4 milhões de toneladas ao mercado externo e de 20 milhões de toneladas ao doméstico.
MILHO: Preços operam abaixo dos R$ 60/sc; estimativa aponta colheita recorde
O clima favoreceu o desenvolvimento das lavouras de milho no Brasil em maio. Assim, estimativas oficiais seguem apontando colheita recorde do cereal em 2022/23. Nesse cenário, vendedores estiveram mais flexíveis quanto aos preços pedidos no último mês, enquanto compradores postergaram as aquisições, à espera de desvalorizações mais intensas. Nesse contexto, os preços operaram nos menores patamares nominais desde setembro de 2020. No acumulado da parcial do mês (entre 28 de abril e 26 de maio), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referente à região de Campinas (SP) recuou fortes 16,5%, fechando a R$ 54,82/saca de 60 kg no dia 26. A média da parcial de maio, de R$ 58,77/sc, ficou 21,5% inferior à de abril/23 e foi a menor, em termos nominais, desde agosto/20. Segundo a Conab, a produção da temporada 2022/2023 deve somar 125,53 milhões de toneladas, volume 11% superior ao da safra anterior e um recorde. Caso esses dados se concretizem, a disponibilidade total de milho – resultado da soma do estoque inicial, da importação (estimada em 1,9 milhão de toneladas) e da produção – seria de 135,53 milhões de toneladas, também a maior da história.
Fonte: Equipe Cepea. Imagem principal: Depositphotos.

