Biologia
Cientistas da Universidade de Copenhague descobriram que o relincho do cavalo desafia a regra biológica de que animais grandes produzem apenas sons graves. Através de microcâmeras, identificou-se que cavalos utilizam um sistema vocal duplo: um vibrar de tecidos (como humanos) e um “assobio interno” simultâneo na laringe. Essa capacidade única entre grandes mamíferos permite uma comunicação emocional complexa, diferenciando-os de parentes como zebras e burros.
Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.
Acompanhe aqui todas as nossas cotações
O relincho do cavalo é um som familiar para qualquer pessoa do campo, mas, para a ciência, ele representava um nó biológico difícil de desatar. Recentemente, pesquisadores decidiram investigar por que esses animais conseguem quebrar uma regra básica da natureza: a relação entre o tamanho do corpo e o tom da voz.
De modo geral, na biologia, quanto maior o animal, maior seu aparelho vocal e mais grave tende a ser o som que ele produz. Essa correlação é observada na vasta maioria dos mamíferos. O relincho do cavalo, no entanto, é uma anomalia fascinante, pois consegue emitir notas graves e agudas ao mesmo tempo. O mecanismo por trás desse fenômeno intrigava especialistas há décadas, parecendo ignorar as leis da acústica animal.
Agora, um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Copenhague e publicado na prestigiada revista Current Biology identificou exatamente como esse som é produzido. A pesquisa revela que o relincho do cavalo não é apenas um som, mas uma combinação de dois processos fisiológicos distintos que atuam simultaneamente dentro do sistema vocal do animal.
Mas o que, afinal, o relincho do cavalo tem de tão especial? O segredo reside na sua composição bimodal. Ele é formado por um componente grave e outro agudo que saem juntos. A parte mais baixa (grave) já era compreendida pelos pesquisadores: ela surge quando o ar passa pela laringe e faz vibrar os tecidos, um processo muito semelhante ao que ocorre na fala humana ou no mugido de um boi.
O que permanecia sem explicação era o componente agudo e estridente. Para investigar esse “mistério sonoro”, os cientistas utilizaram pequenas câmeras inseridas pelas narinas dos animais para observar o interior da laringe em tempo real enquanto os cavalos vocalizavam. Além disso, realizaram exames detalhados e experimentos controlados com laringes isoladas para entender a dinâmica do fluxo de ar.
Os resultados foram surpreendentes. O tom agudo do relincho do cavalo funciona como uma espécie de assobio interno. Enquanto uma parte do ar faz vibrar os tecidos da laringe para criar o som grave, outra região laríngea se contrai de forma específica, criando uma abertura extremamente estreita.
O ar que passa por esse espaço sob pressão produz o som mais alto. Diferentemente do assobio humano, que é articulado com os lábios e a boca, nos equinos o processo ocorre inteiramente dentro da própria laringe. É uma engenharia biológica de dar inveja a muitos instrumentos musicais.
Embora pequenos roedores já fossem conhecidos por utilizar mecanismos de assobio ultrassônico, o relincho do cavalo coloca esses animais em um patamar exclusivo. Os cavalos são os primeiros grandes mamíferos identificados com essa capacidade e os únicos conhecidos, até o momento, capazes de emitir o assobio e o som grave de forma síncrona.
Essa complexidade levanta uma questão interessante: o que o relincho do cavalo tem a ver com as suas emoções? A descoberta ajuda a explicar como eles conseguem produzir vocalizações muito mais detalhadas do que se imaginava anteriormente. Ao combinar duas frequências simultâneas, o animal consegue transmitir informações em diferentes “camadas” sonoras.
Segundo os autores do estudo, essa estrutura acústica pode permitir que os cavalos expressem emoções ou estados sociais de forma refinada durante interações com o grupo. O relincho do cavalo é uma ferramenta vital para localizar membros da manada, chamar parceiros ou reagir a situações de alta excitação, como o momento da alimentação. É como se eles tivessem um código Morse emocional embutido na garganta.
A pesquisa também abre portas para discussões evolutivas instigantes. Cavalos selvagens da espécie Przewalski apresentam vocalizações semelhantes, assim como alguns alces. Por outro lado, parentes evolutivamente próximos, como burros e zebras, não possuem esse componente agudo característico, o que sugere que o relincho do cavalo moderno é uma especialização única da espécie.
Imagem principal: IA.
Descubra por que a ora-pro-nóbis é chamada de carne verde e conheça 5 benefícios que…
Confira a cotação atualizada do preço da soja saca de 60 kg em 32 cidades…
Confira o preço do milho hoje nas principais praças do Brasil. Acompanhe os valores da…
O Preço do Boi China dispara em fevereiro de 2026. Veja a tabela completa com…
O preço da vaca gorda apresenta tendência de alta em diversas regiões do Brasil. Confira…
O preço da novilha gorda apresenta tendência de alta em diversas regiões do Brasil. Confira…
This website uses cookies.